Starlink registra lucro de US$ 1,1 bilhão, mas divisão de IA impacta os resultados da SpaceX

A SpaceX divulgou publicamente seu pedido para a oferta pública inicial (IPO), proporcionando aos investidores uma visão abrangente das ambições de Elon Musk em inteligência artificial, incluindo as perdas financeiras relacionadas a esses investimentos e a dependência da empresa de tecnologias e mercados que ainda estão em grande parte em desenvolvimento.

O documento apresenta uma estratégia fortemente focada em oportunidades futuras, abrangendo desde a colonização de Marte até a criação de centros de dados de inteligência artificial (IA) no espaço, enquanto a empresa busca expandir suas operações além de foguetes e satélites e se posicionar como uma potência em IA e infraestrutura.

A expansão da IA gera prejuízos apesar da lucratividade da Starlink

O relatório indicou que, entre as três divisões de negócios da SpaceX, somente a área de conectividade, liderada pela Starlink, gerou lucro no primeiro trimestre deste ano.

No primeiro trimestre, a Starlink obteve um lucro operacional de US$ 1,19 bilhão, porém a empresa como um todo reportou um prejuízo operacional total de US$ 1,94 bilhão, com uma receita total de US$ 4,69 bilhões. A divisão de inteligência artificial da SpaceX, por sua vez, registrou prejuízos de US$ 2,47 bilhões, mesmo gerando uma receita de US$ 818 milhões.

A aquisição da empresa xAI, realizada em fevereiro, aumentou de maneira significativa os compromissos de investimento, representando 76% do total de US$ 10,1 bilhões em despesas de capital da SpaceX no trimestre. O relatório afirma que esse acordo proporcionou à SpaceX capacidades expandidas em IA e oportunidades estratégicas, ainda que tenha introduzido custos substanciais e novos prejuízos.

Grande parte do crescimento futuro da empresa está projetado com base em tecnologias que ainda estão em fase de desenvolvimento, incluindo planos para centros de dados movidos a energia solar que operariam no espaço. Consta no documento que a SpaceX estima que esses mercados emergentes poderão representar, em algum momento, uma oportunidade avaliada em US$ 28,5 trilhões.

Musk mantém o controle absoluto da SpaceX

O prospecto reforça a posição dominante de Elon Musk na empresa, evidenciando que ele ainda controlará 85,1% do poder de voto combinado após a abertura do capital.

A SpaceX planeja adotar uma estrutura de ações de duas classes, onde as ações da Classe B terão 10 votos cada, enquanto as ações da Classe A, que serão vendidas aos investidores públicos, terão apenas um voto. O documento também aborda disposições de governança que limitam de forma significativa a influência dos acionistas, incluindo restrições a ações judiciais e proteções que evitam a destituição de Musk, exceto por sua própria autorização.

O conselho da empresa também vinculou uma parte substancial da remuneração de Musk a metas ambiciosas de longo prazo, como o estabelecimento de um assentamento humano permanente em Marte e o desenvolvimento de uma infraestrutura computacional espacial maciça, que requereria energia equivalente a 100 terawatts.

A oferta pública inicial (IPO) com potencial para quebrar recordes visa uma avaliação de US$ 1,75 trilhão

Em seu comunicado, a SpaceX informou que pretende dar início à sua estreia no mercado de ações em 12 de junho, com uma apresentação para investidores (roadshow) programada para 4 de junho, e a venda das ações podendo ocorrer em 11 de junho.

Uma abertura de capital bem-sucedida poderia avaliar a empresa em cerca de US$ 1,75 trilhão, superando a avaliação alcançada pela Saudi Aramco durante seu IPO histórico de 2019, o que poderia potencialmente colocar a SpaceX como a primeira empresa listada nos EUA a estrear no mercado com um valor acima de US$ 1 trilhão.

Analistas ressaltaram que as comparações tradicionais de avaliação seguem sendo desafiadoras devido à singularidade do modelo de negócios da SpaceX e à influência de Musk. Reena Aggarwal, professora de finanças da Universidade de Georgetown, mencionou que “existe uma espécie de efeito halo em torno de Musk e sua visão não convencional”, o que dificulta a avaliação de empresas dessa natureza, uma vez que não existem grupos de comparação que sejam adequados.

O crescimento da Starlink e as parcerias em infraestrutura de IA apoiam os planos de expansão

Desde sua fundação em 2002, a SpaceX se consolidou como a maior empresa espacial do mundo, grande parte desse crescimento decorrente da rápida expansão de sua rede de internet via satélite Starlink e de sua tecnologia de foguetes reutilizáveis.

Atualmente, a empresa opera com cerca de 10.000 satélites e prossegue com sua expansão nos mercados de banda larga para consumidores, aviação, setores marítimos, empresariais e governamentais.

O relatório também revelou acordos comerciais significativos na infraestrutura de IA, incluindo um acordo pelo qual a Anthropic pagará à SpaceX US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029 para acessar a capacidade de computação dos data centers Colossus e Colossus II, localizados em Memphis, Tennessee.

Ademais, a SpaceX revelou que atualmente se defronta com vários processos judiciais relacionados às funções de geração e edição de imagens em sua plataforma de chatbot de IA, conhecida como Grok.

A corrida espacial se intensifica à medida que a listagem se aproxima

O pedido de IPO surge em um momento crucial para a SpaceX, que se prepara para realizar mais um lançamento de teste de seu foguete Starship de próxima geração.

A competição no setor espacial comercial se intensifica, com concorrentes como a Blue Origin buscando desafios à SpaceX nos serviços de lançamento de satélites, na prestação de serviços de lançamento e nas contratações governamentais.

Além disso, a empresa deverá abrir seu capital na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o código “SPCX”, com Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JP Morgan atuando como coordenadores da oferta.

Fonte: br.-.com

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