Surpresa baixista no IPCA-15 não altera previsão de inflação elevada, e riscos permanecem em atenção.

Surpresa baixista no IPCA-15 não altera previsão de inflação elevada, e riscos permanecem em atenção.

by Ricardo Almeida
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IPCA-15 de Abril: Análise do Índice

O IPCA-15 referente ao mês de abril trouxe um alívio parcial ao mercado, embora não tenha provocado mudanças significativas na avaliação de uma inflação que se mantém resistente. A alta de 0,89% registrada no mês ficou abaixo das expectativas, que variavam entre 0,98% e 1,01%. Contudo, a composição do índice ainda está longe de ser considerada confortável.

Em relação aos últimos 12 meses, o indicador acelerou para 4,37%, comparado a 3,90% anteriormente, enquanto no acumulado do ano a alta registrada é de 2,39%.

A surpresa em termos de queda esteve concentrada em itens voláteis, especialmente nas passagens aéreas. De acordo com Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, esse movimento é esperado de forma temporária. “A principal surpresa baixista concentrou-se em passagens aéreas”, afirma a profissional, acrescentando que a tendência é de uma reversão parcial em virtude do avanço do conflito no cenário global e seus impactos sobre o querosene de aviação.

A análise da Genial Investimentos complementa essa interpretação ao destacar que o alívio no índice geral esconde uma dinâmica menos favorável. “Caso as passagens aéreas fossem excluídas, o índice teria registrado uma alta de 1,02%”, diz o economista Gabriel Pestana.

Além disso, a análise realizada pela ASA segue na mesma linha. “Apesar da surpresa em queda observada na leitura mensal, o balanço qualitativo do IPCA-15 de abril foi pior do que o projetado”, declara Leonardo Costa, economista-chefe da instituição.

De onde vem a pressão?

Os principais fatores de pressão continuam a ser identificados em Alimentação e Transportes, os quais juntos foram responsáveis por cerca de 65% da alta do índice. A gasolina, com um aumento de 6,23%, destacou-se como o principal impacto individual do mês.

No que diz respeito aos alimentos, embora o grupo tenha se apresentado de forma mais fraca no total, alguns itens continuam a exercer pressão significativa. No entanto, parte desse aumento foi compensada por quedas pontuais, que ajudaram a suavizar o resultado total.

Contudo, é nos núcleos que as sinalizações mais preocupantes começam a aparecer. A média dos núcleos subiu 0,47% no mês, mantendo-se em níveis elevados em um período de 12 meses. Para a Genial Investimentos, a dinâmica estrutural da inflação permanece pressionada: “as aberturas mais inerciais e que se conectam aos fundamentos macroeconômicos indicam níveis desfavoráveis”, destaca Pestana, mencionando uma taxa próxima de 7% no acumulado anual.

Outros aspectos que chamaram a atenção foram os bens industriais. Segundo a SulAmérica, “os serviços industriais surpreenderam positivamente, numa forma generalizada”. A ASA, por sua vez, observa que essa tendência pode refletir tanto uma mudança na sazonalidade quanto uma antecipação nos preços em decorrência das incertezas globais.

Com relação aos serviços, houve um alívio na margem, mas ainda com sinais mistos. A leitura mais baixa do mês não elimina as pressões nos segmentos relacionados à demanda. “Alimentação fora do domicílio e serviços intensivos em trabalho […] apresentaram resultados bastante elevados”, ressalta a Genial Investimentos.

Na interpretação da ASA, a inflação relacionada aos serviços continua elevada de maneira estrutural, operando com níveis superiores ao teto da meta, o que reforça a dificuldade de uma convergência mais ágil.

O cenário geral, portanto, permanece desafiador. Para Pestana, “o índice reflete uma demanda alta e um mercado de trabalho dinâmico”, o que acentua a prudência necessária na condução das políticas monetárias.

Esse panorama já começa a se refletir nas projeções. A Genial revisou sua estimativa para a Selic em 2026, alterando de 12,50% para 13,25%, o que aponta para um ciclo mais lento de cortes. Já a ASA manteve sua previsão para o IPCA de 2026 em 5%, ressaltando que a surpresa em queda mais recente está concentrada em itens de maior volatilidade.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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