Um profissional pode reunir as competências técnicas necessárias e, ainda assim, apresentar desempenho abaixo do esperado se seu perfil não estiver alinhado ao estágio de maturidade da empresa. Essa avaliação é feita por Misa Antonini, CEO do G4, durante a seção “Gestão e Estratégia” do programa Real Time, exibido pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
De acordo com Misa, os empresários costumam concentrar a contratação em dois fatores: capacidade técnica e alinhamento cultural. Entretanto, a análise deveria contemplar também o perfil de atuação do candidato e o momento vivido pela empresa.
“O grande problema do empresário é pensar que contratação é um problema unidimensional e achar que a única variável é contratar bem”, afirmou Misa.
A combinação dessas dimensões, segundo ela, ajuda a explicar por que um profissional, considerado bom em uma empresa, pode encontrar dificuldades em outra.
Perfil precisa acompanhar a empresa
Misa divide os profissionais em quatro perfis, de acordo com o que ela denomina “zona de potência”. Os construtores têm maior facilidade para atuar em ambientes ainda pouco estruturados, enquanto os melhoradores tendem a organizar processos e trazer previsibilidade para negócios que já superaram a fase inicial.
Os catalisadores estão mais voltados à expansão e à profissionalização de processos já existentes. Existe também o perfil dos camaleões, profissionais que, segundo Misa, têm a habilidade de se adaptar a diferentes momentos da empresa e evolucionar junto com o negócio.
A adequação de cada perfil depende do estágio da empresa, que Misa categoriza em cinco fases: ideação, início da operação e sobrevivência, tração, escala e maturidade.
Um profissional habituado a construir soluções em ambientes pouco estruturados, por exemplo, pode enfrentar dificuldades em uma companhia que já alcançou a maturidade. Da mesma forma, alguém com especialização em escalonar processos pode não encontrar as condições necessárias em uma organização que ainda está validando sua operação.
“Você pode pegar uma pessoa que é muito boa; se você a alocar no momento incorreto de maturidade da companhia, ela certamente não vai conseguir performar”, ressaltou Misa.
Talento não elimina incompatibilidade
Na visão de Misa, um dos principais erros dos empresários é acreditar que o talento individual será suficiente para vencer uma incompatibilidade entre o profissional e a fase da empresa.
Dessa forma, antes de proceder com a contratação, o empresário deve identificar de forma precisa em que momento o negócio se encontra e quais características são necessárias para avançar para a próxima etapa.
“O empreendedor precisa fazer um diagnóstico honesto de onde a empresa está naquele momento”, enfatizou Misa.
Esse diagnóstico pode revelar que um profissional que foi fundamental no início da companhia pode não ter o perfil mais adequado para acompanhá-la nas etapas seguintes.
Análise vale para o time atual
Misa recomenda que a mesma avaliação seja aplicada aos profissionais já presentes na empresa. Uma sugestão é identificar os principais líderes, analisar o perfil de cada um e comparar essas características com a fase atual do negócio.
Esse exercício, segundo ela, pode elucidar por que determinados profissionais deixam de apresentar o mesmo desempenho à medida que a organização cresce ou altera sua estrutura.
No que tange às novas contratações, Misa sugere a consideração de quatro dimensões: alinhamento cultural, qualificações técnicas, perfil do candidato e estágio de maturidade da empresa.
Essa análise, por sua vez, precisa evoluir ao longo do tempo, uma vez que as características exigidas em uma empresa em fase inicial podem diferir das necessidades em momentos de tração, escala ou maturidade.
Transparência pode evitar desalinhamento
Misa vê como válida a prática de apresentar ao candidato o estágio da empresa durante o processo de seleção. Segundo ela, nem sempre o profissional tem clareza sobre os ambientes em que consegue obter um melhor desempenho.
Ao descrever as características do negócio e discutir o perfil esperado para a função desejada, a empresa tem a oportunidade de identificar uma incompatibilidade antes da contratação. Isso também proporciona ao candidato elementos suficientes para avaliar se a oferta se alinha com sua forma de trabalhar.
Para Misa, essa conversa pode evitar contratações desalinhadas, mesmo que o profissional possua as competências técnicas requeridas para a vaga.
Fonte: timesbrasil.com.br