Novas Tarifas dos Estados Unidos e Impacto no Brasil
As recentes tarifas anunciadas pelos Estados Unidos aumentaram a cautela dos investidores em relação ao Brasil e contribuíram para a pressão sobre os ativos domésticos na quarta-feira (3). Embora algumas dessas medidas ainda dependam de consultas públicas e negociações, analistas consultados pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC avaliam que o mercado passou a perceber um risco mais persistente para o comércio exterior brasileiro, além do fluxo de capital estrangeiro.
Reação Inicial dos Investidores
De acordo com Benny Fard, sócio da B8 Partners, a reação moderada observada após o anúncio inicial de uma tarifa de 25% foi atribuída ao fato de que a medida ainda não possui aplicação imediata. “Não é uma tarifa que entra imediatamente em vigor, mas uma proposta formal do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), resultado de uma investigação que teve início em julho de 2025 sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. Essa proposta está sujeita a consulta pública e negociação antes de qualquer implementação”, explicou.
Ele também comentou que as exceções para produtos como aeronaves e café, além da possibilidade de negociações diplomáticas, levaram os investidores a considerar o impacto como administrável no curto prazo.
Alteração da Percepção de Risco
O cenário mudou significativamente com a divulgação de uma nova tarifa de 12,5%, fundamentada em alegações de falhas no combate ao trabalho forçado. Fard destacou que a combinação dessas duas medidas aumentou bastante a percepção de risco em relação ao Brasil.
“Agora o Brasil enfrenta duas frentes jurídicas distintas e acumuláveis, com justificativas separadas, o que reduz o poder de negociação do governo e eleva o prêmio de risco país de maneira mais permanente”, afirmou Fard.
Expectativas em Relação à Selic
Segundo o analista, a possibilidade de uma alíquota combinada de 37,5% sobre uma parte relevante das exportações brasileiras contribuiu para uma revisão das expectativas em relação à trajetória da taxa Selic.
Cenário Internacional e Fluxo de Recursos
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, argumenta que as novas tarifas se somam a um ambiente internacional já prejudicado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã. Ele salientou que o fluxo positivo de recursos estrangeiros que favoreceu o mercado brasileiro no início do ano perdeu força desde abril, à medida que as incertezas geopolíticas aumentaram.
Lima afirmou que a discussão comercial está frustrando expectativas de que o Brasil poderia retornar a uma posição de destaque entre os destinos preferenciais do capital internacional. Contudo, ele defende que o impacto econômico direto das tarifas pode ser menor do que o imaginado a princípio, uma vez que produtos relevantes para a pauta comercial bilateral, como proteínas e fertilizantes, ficaram excluídos das medidas mais severas.
Efeito Psicológico e Alterações no Mercado
Apesar disso, ele observa que o efeito sobre a confiança dos investidores é significativo. “Eu percebo um efeito mais psicológico do que econômico neste primeiro momento. O principal impacto é o aumento da percepção de risco sobre o Brasil, afetando a dinâmica dos mercados de maneira ampla”, afirmou.
Lima também destacou que o aumento da aversão ao risco já se reflete nos fluxos financeiros. Segundo ele, a saída de recursos estrangeiros pressiona a cotação da moeda, alimenta preocupações inflacionárias e altera as projeções para a economia. Como exemplo, mencionou a retirada de quase R$ 1 bilhão do mercado brasileiro na última segunda-feira, movimento que afetou tanto a Bolsa quanto aplicações em títulos públicos. "A saída de capital estrangeiro reduz a oferta da moeda americana e reforça sua trajetória de alta frente ao real", concluiu.
Resumo das Tarifas Anunciadas
- Tarifa inicial: 25% sobre alguns produtos (proposta formal).
- Nova tarifa: 12,5% baseada em alegações de trabalho forçado.
- Alíquota combinada: Possibilidade de 37,5% sobre parte relevante das exportações brasileiras.
Considerações Finais
Os analistas entendem que as tarifas, além de impactar o comércio exterior brasileiro, afetam a percepção de risco e podem influenciar decisões de investimento no mercado, resultando em uma dinâmica mais complexa do que se esperava inicialmente.
Fonte: timesbrasil.com.br