Taxa de desemprego em queda e pressão sobre salários restringem redução da Selic, segundo UBS WM.

Taxa de Desemprego e Salários

A taxa de desemprego no Brasil para o trimestre encerrado em agosto foi de 5,6%, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse percentual representa o menor nível registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, sendo que no mesmo período do ano passado, o índice era de 6,6%.

De acordo com a análise de Solange Srour, chefe de macroeconomia para o Brasil, e Débora Nogueira, economista do UBS WM, a baixa taxa de desemprego combinada com a pressão sobre os salários indica que a economia nacional opera acima de seu potencial. Essa situação restringe a possibilidade de cortes mais significativos na taxa Selic até que haja evidências claras de uma desaceleração na atividade econômica.

O rendimento médio do trabalhador, conforme dados também apresentados pelo IBGE nesta terça-feira (30), situou-se em R$ 3.488. Esse valor está muito próximo do recorde de R$ 3.490 alcançado no final de junho.

As economistas do UBS destacam que, em um cenário marcado por incertezas, a velocidade na criação de novos empregos, a evolução dos salários e o nível de aquecimento do mercado de trabalho são fatores determinantes para que o Banco Central possa reduzir os juros sem comprometer a estabilidade dos preços.

Cenário Global de Pressão no Mercado de Trabalho

Essa preocupação em relação à pressão no mercado de trabalho não se limita ao Brasil. Bancos centrais globalmente têm enfatizado que a identificação de sinais de pressão no setor é crucial, uma vez que esses fatores geram as bases para a formação dos núcleos mais persistentes da inflação.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o Federal Reserve iniciou um ciclo de cortes na taxa de juros em setembro, prevendo uma redução acumulada de 1 ponto percentual, que levaria a taxa aos 3,25%. O balanço de riscos relacionado ao mercado de trabalho foi fundamental nesse processo.

O diagnóstico elaborado pelo UBS aponta que a economia brasileira opera em um nível aproximadamente 1,5% acima de sua capacidade produtiva. A taxa de desemprego é vista como o principal vetor gerador de pressão sobre a inflação. Esse cenário sugere a possibilidade de riscos inflacionários adicionais, mesmo em um contexto de diminuição na criação de novas vagas de trabalho.

Crescimento da Renda Real e Impactos na Demanda

A pressão sobre os salários é reforçada pelos dados apresentados, que indicam um crescimento de 3,3% na renda real em agosto, em comparação ao mesmo mês de 2024. Com isso, os ganhos acumulados no ano alcançam 3,4%. Apesar de haver indícios de desaceleração nos setores industrial, comercial e de serviços, a robustez da massa salarial ajuda a sustentar a demanda, o que, por sua vez, limita a possibilidade de cortes agressivos nas taxas de juros.

Ainda segundo Srour e Nogueira, o fator crucial para a política monetária será compreender a evolução do mercado de trabalho nos próximos 18 meses. No modelo em que o hiato do produto caminha para uma situação de estabilidade no início de 2027, a Selic poderia ser reduzida para até 12% em 2026, e 10,5% em 2027. Para que esse cenário se concretize, é essencial reverter a tendência de queda da taxa de desemprego, o que requer uma política fiscal alinhada a um processo de desaceleração.

Caso contrário, a manutenção do hiato inviabilizaria cortes na taxa básica de juros que a colocassem abaixo de 13,5%. Nesse contexto, o cenário externo ainda se mostra favorável para os países emergentes, o que colabora para fortalecer a moeda real e reforçar a tendência de convergência da inflação.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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