Movimento das Taxas de Juros
A curva de juros futuros encerrou o pregão desta quinta-feira, 11 de maio, com um recuo superior a 30 pontos-base nos vértices de médio e longo prazos. Esse movimento acompanha o enfraquecimento do dólar, que se deve ao alívio das tensões geopolíticas.
Taxas de Depósito Interfinanceiro
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que é de curtíssimo prazo, apresentou uma queda de 18 pontos-base, fechando a 14,310%, em comparação aos 14,495% registrados no fechamento anterior. Por outro lado, a taxa de DI para janeiro de 2029, correspondente ao médio prazo, encerrou as negociações em 14,505%, uma redução de 43 pontos-base em relação aos 14,940% do fechamento anterior.
A DI para janeiro de 2036, que se refere ao longo prazo, também apresentou uma baixa, de 31 pontos-base, finalizando o dia a 14,335%, em contraste com os 14,645% observados no fechamento da última quarta-feira, dia 10 de maio.
Desempenho dos Treasuries
O mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, também fechou em queda. O rendimento do Treasury de dois anos, que é mais sensível à política monetária, terminou em 4,062%, comparado ao 4,127% do ajuste anterior. Por sua vez, o retorno do título de dez anos, que serve como referência para empréstimos imobiliários, financiamentos de veículos e dívidas de cartão de crédito, caiu para 4,459%, descendo do patamar de 4,540% registrado no dia anterior.
Relação com Tensiões Geopolíticas
A curva de juros foi influenciada pela redução nos rendimentos dos Treasuries, consequência direta da desescalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Durante a tarde de quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu cancelar ataques planejados contra o Irã que estavam agendados para aquela noite.
Trump comentou: “Com base no fato de que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como presidente dos Estados Unidos da América, cancelei os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite.” Essa declaração foi divulgada em uma postagem em sua conta no Truth Social.
O presidente dos EUA também afirmou que “as discussões e os pontos finais” haviam sido aprovados por países aliados dos EUA no Oriente Médio, como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Barein, Kuwait, Jordânia e Egito, entre outros. Embora o acordo não tenha sido assinado ainda, o bloqueio naval no Estreito de Ormuz permanece em vigor.
É importante destacar que tanto o Irã quanto Israel negaram a existência de um memorando de entendimentos que formalizasse um acordo de paz. No entanto, mais tarde, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou que discutiu um acordo com Trump e elogiou o compromisso de Washington em exigir que o Irã desative sua infraestrutura de enriquecimento nuclear e remova o material enriquecido de seu território.
Análise de Especialistas
Em sua análise, Matheus Spiess, da Empiricus Research, mencionou que a curva de juros “teve um pouco de ajuste em função da alta mais recente, porque é impossível não haver algum tipo de excesso na curva brasileira.” Segundo ele, “o movimento aqui hoje é quase todo vindo do exterior, e a notícia do cancelamento dos ataques é mais um vetor para os preços.”
No cenário nacional, a curva a termo continua a embutir apostas de que o Banco Central poderá elevar a Selic, atualmente em 14,50%, no segundo semestre, devido à deterioração nas expectativas do mercado.
Para a reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, as apostas são majoritariamente pela manutenção da Selic, embora uma parte do mercado acredite que pode haver espaço para um último corte de 25 pontos-base na próxima quarta-feira, dia 17 de maio.
Expectativas para o IPCA
Matheus Spiess também enfatizou que “o divisor de águas será amanhã, com o IPCA”, referindo-se à divulgação do índice oficial de inflação referente ao mês de maio. Ele indicou que, caso o IPCA apresente resultados negativos, o Banco Central poderá considerar interromper os cortes da Selic já nesta reunião de junho.
Fonte: www.moneytimes.com.br