Taxas de DIs sobem e superam 14% com expectativa de Selic terminal elevada e incertezas geopolíticas.

Cenário de Juros Futuros

A curva de juros futuros encerrou as negociações desta segunda-feira, 1º de outubro, com uma alta em todos os vértices. O mercado está precificando uma expectativa de menos cortes na taxa Selic neste ano, além de refletir incertezas relacionadas ao progresso das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã.

Taxas de Depósito Interfinanceiro

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que é de curtíssimo prazo, teve um aumento de 11,5 pontos-base em relação ao ajuste anterior e fechou em 14,205%, comparecendo a 14,090%.

Para a taxa de DI de janeiro de 2029, que se refere a um período médio, as negociações encerraram com uma taxa de 14,060%, alcançando uma alta de 20 pontos-base em comparação ao fechamento anterior, que foi de 13,860%.

A taxa de DI para janeiro de 2036, com vencimento mais longo, viu uma elevação e fechou o dia a 14,075%, frente aos 13,970% registrados no fechamento da última sexta-feira, dia 29 de setembro, com um ganho de 10,5 pontos-base.

Títulos do Tesouro Americano

O mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos seguiu o movimento da sessão anterior, apresentando um fechamento sem direção específica. O yield do Treasury de dois anos, que é considerado mais sensível às políticas monetárias, encerrou em 4,033%, em comparação ao ajuste anterior de 4,014%.

O retorno do título com vencimento em dez anos, que serve como referência para empréstimos imobiliários, financiamentos de veículos e dívidas de cartão de crédito, permaneceu estável, mantendo-se a 4,453% em relação ao fechamento do dia anterior.

Impasse nas Negociações EUA-Irã

Com o impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, assim como novas declarações controversas por parte de Washington e Teerã, os investidores continuaram a acompanhar atentamente os desdobramentos do cenário geopolítico.

Nesta segunda-feira, autoridades iranianas afirmaram que as divergências com os EUA persistem nas negociações nucleares e também no que diz respeito ao futuro do Estreito de Ormuz. Em meio a isso, houve um aumento no tom das declarações iranianas contra Washington e Israel em relação ao cessar-fogo no Líbano.

De acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim, Teerã informou que decidiu suspender as conversas com Washington, incluindo a troca de textos por meio de mediadores, em protesto contra os avanços de Israel no Líbano.

Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que não há confirmação de que o Irã realmente tenha suspendido as negociações, mas ressaltou que não se importa com a situação, segundo informações veiculadas pela CNBC. Mais tarde, Trump reafirmou em sua rede social Truth que as negociações com Teerã continuam em andamento e "em ritmo acelerado".

Expectativas de Juros no Cenário Doméstico

No cenário econômico nacional, o mercado manteve a revisão das expectativas para a trajetória de juros, motivado por novos dados de inflação. Economistas que foram consultados pelo Banco Central (BC) ajustaram as projeções para a inflação pela 12ª semana consecutiva, conforme o Boletim Focus divulgado na manhã de hoje.

As expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiram de 5,04% para 5,09%, permanecendo acima do teto estabelecido para a meta de inflação.

As previsões para o câmbio indicaram uma leve apreciação do real. A estimativa para o dólar em dezembro de 2026 foi reduzida, passando de R$ 5,17 para R$ 5,16.

No que diz respeito à taxa básica de juros, conhecida como Selic, a projeção foi mantida estável em 13,25% para o mês de dezembro.

Revisão das Expectativas para a Selic

Além das informações apresentadas no Boletim Focus, algumas casas de análise também reajustaram suas perspectivas para a Selic terminal. O Itaú BBA, por exemplo, elevou a projeção da taxa básica de juros de 13,25% para 13,75%.

Em relação à Selic, as opções de Copom negociadas na B3 indicavam uma probabilidade de 82% para um novo corte de 25 pontos-base, com referência para o próximo encontro em junho. Essa percepção contrasta com a possibilidade de manutenção da taxa básica em 14,50%, que tinha apenas 15% de chance, e uma redução maior, de 50 pontos-base, com 2,5% de possibilidade. Esses dados são baseados nas informações consolidadas da última sexta-feira, 29 de setembro.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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