Taxas de Depósito Interfinanceiros (DIs)
Após uma interrupção na véspera, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) apresentaram um fechamento significativo na quinta-feira (5), com altas superiores a 20 pontos-base em alguns vencimentos. Essa mudança ocorreu em um cenário em que os investidores adotaram posturas mais cautelosas, refletindo as tensões da guerra no Oriente Médio.
Situação do Dólar e dos DIs
O dólar voltou a aumentar em relação ao real, e ao final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava cotada a 12,975%, o que representa uma elevação de 19 pontos-base em relação ao ajuste anterior que foi de 12,781%. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu 13,68%, com um avanço de 24 pontos-base comparado a 13,445% no dia anterior. Na quarta-feira (4), as taxas futuras haviam recuado no Brasil, impulsionadas pela recuperação de ativos de risco globalmente. Contudo, na quinta-feira, os investidores novamente se voltaram para ativos de proteção devido à escalada do conflito no Oriente Médio.
Contexto Geopolítico
Recentemente, a situação se intensificou quando mísseis iranianos fizeram com que milhões de israelenses buscassem abrigo antiaéreo. Por outro lado, Israel respondeu com uma significativa série de ataques a Teerã. Em um movimento adicional, o Irã atacou mais navios-tanque nas águas do Golfo Pérsico e enviou drones para o Azerbaijão. Em uma entrevista à agência Reuters, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aceitaria a assistência de qualquer país para combater o Irã, incluindo a Ucrânia, que atualmente está em guerra com a Rússia.
Impacto nas Taxas de Juros e Expectativas de Política Monetária
Com a incerteza em relação ao fim do conflito, o dólar subiu em relação a outras divisas, enquanto os preços do petróleo se mantiveram altos e os rendimentos dos Treasuries americanos aumentaram. Na renda fixa brasileira, isso se refletiu em uma considerável elevação das taxas futuras. Às 15h26, a taxa do DI para janeiro de 2028 alcançou um pico de 12,990%, apresentando um crescimento de 21 pontos-base em relação ao ajuste do dia anterior.
Os movimentos no mercado ocorreram em um cenário de especulação sobre a magnitude da redução da Selic, que pode ser de 25 ou 50 pontos-base. Atualmente, a taxa Selic é de 15% ao ano. Na B3, as opções relacionadas ao Comitê de Política Monetária (Copom) indicavam, na terça-feira (3), uma probabilidade de 53,50% para um corte de 50 pontos-base na Selic, 36,00% para uma redução de 25 pontos-base e 11,50% para manutenção da taxa. Na última sexta-feira (27), antes do início da guerra, as chances eram de 77,50% para um corte de 50 pontos-base, 20,04% para uma diminuição de 25 pontos-base e zero para a manutenção.
Declarações do Banco Central
Durante um evento realizado pelo Goldman Sachs em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a esperada "calibração" na Selic neste mês não representa um afrouxamento na política monetária. Ele destacou que a autarquia não busca estabelecer uma taxa de juros real neutra e que o ciclo de cortes de juros continuará em um patamar restritivo. Além disso, enfatizou que a sinalização futura de cortes de juros feita pelo Banco Central em janeiro "permanece válida".
Dados sobre Desemprego
No início da sessão de quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego subiu para 5,4% nos três meses até janeiro, em comparação a 5,1% durante os três meses anteriores até dezembro. Essa taxa ficou em linha com as expectativas de economistas que participaram de uma pesquisa conduzida pela Reuters. No mesmo período do ano anterior, a taxa de desemprego era de 6,5%.
Rendimentos dos Treasuries
Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos — considerado uma referência global para decisões de investimento — registrou um aumento de 6 pontos-base, alcançando 4,138%.
Essa movimentação continua a ser monitorada de perto por analistas e investidores, dada a relevância dos desplazamentos do mercado em meio à atual conjuntura econômica global e a situação geopolítica.
Fonte: www.moneytimes.com.br


