Crise nos Frigoríficos
Os frigoríficos estão enfrentando um momento de crise nas previsões para o primeiro trimestre de 2026, segundo um relatório do BTG Pactual.
Análise do Setor
O banco destaca que a situação demanda cautela em relação ao setor, apesar de não apontar para um colapso estrutural. Os analistas afirmam que a crise ainda não é "uma tempestade perfeita", mas está se aproximando dessa situação.
O BTG observa que todos os principais ciclos de proteínas estão, simultaneamente, apresentando uma tendência de queda, o que é considerado raro e particularmente desanimador. Nos Estados Unidos e no Brasil, a oferta restrita de gado vem gerando preocupações no mercado, enquanto os preços das aves estão sob pressão. No caso dos suínos, especialmente no Brasil, a acentuada queda nos preços é motivo de preocupação.
Ainda que o BTG não preveja uma crise estrutural para o primeiro trimestre de 2026, o banco reconhece que o ambiente operacional está se tornando cada vez mais desafiador, prevendo uma diminuição gradual da rentabilidade.
Análises Específicas sobre Empresas
O BTG Pactual também apresentou análises detalhadas sobre algumas empresas do setor de frigoríficos. A seguir, estão as observações sobre cada uma delas.
JBS (JBSS32)
A JBS é a única recomendação de compra do banco dentro do segmento de frigoríficos, embora possam ser esperados "números mais fracos" para este trimestre. A expectativa é que o Ebitda da empresa atinja US$ 1,4 bilhão, o que representa uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025 e uma redução de 20% em comparação com o trimestre anterior.
De acordo com os analistas, a JBS deverá perder a consistência demonstrada anteriormente, que era bem recebida pelos investidores, tornando-se uma companhia mais conservadora em suas operações.
Apesar dessa perspectiva negativa, o BTG mantém a recomendação de compra, considerando a JBS como uma empresa “segura”, que se mostra mais resiliente frente aos desafios enfrentados pelo setor.
A divulgação dos resultados financeiros da JBS está programada para o dia 12 de maio, após o fechamento do mercado.
MBRF (MBRF3)
A situação da MBRF apresenta também perspectivas pessimistas, com um Ebitda previsto de R$ 2,7 bilhões, o que representa uma queda de 12% em comparação com o mesmo período do ano passado e uma redução de 21% em relação ao trimestre anterior.
Conforme análise do BTG, o aumento do preço do gado no Brasil deverá ser o principal fator por trás da queda na rentabilidade da companhia na América do Sul.
A crise também atinge o setor de suínos, que está enfrentando um excesso de oferta e uma acentuada queda nos preços. Embora o setor de aves apresente um cenário mais estável, as margens estão insuficientes para compensar a deterioração nas outras categorias.
Dessa forma, o BTG classifica a MBRF como neutra. Os resultados financeiros da MBRF estão programados para serem divulgados no dia 14 de maio, após o fechamento do mercado.
Minerva Foods (BEEF3)
A expectativa para a Minerva é um pouco mais otimista, com um Ebitda projetado em R$ 1,1 bilhão, representando um crescimento de 15% em relação ao mesmo período em 2025, mas uma queda de 5% em comparação com o trimestre anterior.
O BTG atribui essa alta principalmente a exportações robustas e preços mais elevados, impulsionados pela antecipação de embarques para a China.
Entretanto, a desvalorização do dólar limita o impacto em reais sobre os resultados e resultou em uma redução de 70 pontos-base na margem em comparação ao ano anterior, o que é reflexo do aumento nos preços do gado no Brasil.
Outro fator preocupante para a Minerva é o aumento nos custos de dívida, que afeta a confiança dos acionistas, especialmente devido ao ritmo reduzido de desalavancagem, ocasionado pela deterioração do ciclo e pela menor disponibilidade de gado.
Os resultados financeiros da Minerva estão previstos para o dia 6 de maio, também após o fechamento do mercado.
Com supervisão de Maria Carolina Abe
Fonte: www.moneytimes.com.br


