Tenda (TEND3) Registra Aumento Apreciável nas Ações
As ações da construtora Tenda (TEND3) apresentaram uma intensa alta nesta quarta-feira, dia 6, mesmo sendo negociadas fora do índice Ibovespa. A empresa divulgou um lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), o que representa mais que o dobro do lucro registrado no mesmo período do ano anterior.
Por volta das 11h25 (horário de Brasília), os papéis da Tenda avançavam aproximadamente 13,6% na bolsa de valores (B3), sendo negociados a R$ 32,65.
Resultados Financeiros Sólidos
No período compreendido entre janeiro e março, a Tenda, que se especializa no segmento de baixa renda, reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado consolidado de R$ 256,7 milhões, o que representa um aumento de 68% em comparação ao ano anterior.
Conforme dados da LSEG, as projeções de analistas indicavam um lucro líquido médio de R$ 129,6 milhões para a Tenda no primeiro trimestre, bem como um Ebitda estimado em cerca de R$ 201,5 milhões.
O banco Safra observou que esse desempenho acima das expectativas foi impulsionado, em grande parte, pela melhoria das margens nas operações principais. Isso levou a um avanço na margem bruta ajustada consolidada, que atingiu 37,5%, registrando um crescimento de 3,6 pontos percentuais em um ano.
Além disso, o Safra destacou uma geração de caixa de R$ 87 milhões no trimestre, considerada robusta, especialmente diante da sazonalidade característica desse período.
Pontos Críticos a Serem Considerados
Outro fator que chamou a atenção foi o cenário inflacionário. Segundo a instituição, a Tenda opera com uma estimativa implícita de 8% para o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) em 2026. No entanto, se o índice subir para 10%, o impacto no lucro pode alcançar R$ 20 milhões, o que corresponde a cerca de 5% do ponto médio do guidance fornecido pela empresa.
Apesar disso, o banco reafirmou a recomendação “outperform” (ou equivalente à compra) para as ações TEND3, ressaltando a perspectiva de lucros melhorados da empresa, o que deve gerar uma redução significativa no risco associado à tese de investimento.
A análise do Safra ainda apontou que, após a recente queda nas ações, estas estão sendo negociadas a um múltiplo P/L de 4,4 vezes para 2027, posicionando-se entre os valuations mais acessíveis no universo que analisam.
O preço-alvo estipulado pelo Safra para as ações da Tenda é de R$ 41, implicando um potencial de valorização de aproximadamente 25%.
Perspectivas do Itaú BBA
O Itaú BBA possui uma visão semelhante e classificou os resultados da Tenda como “acima do esperado em todos os aspectos”. Segundo o banco, o lucro da construtora superou as estimativas em 18%, enquanto o fluxo de caixa livre totalizou R$ 89 milhões, em contrapartida à expectativa de equilíbrio.
O segmento de baixa renda foi destacado como o principal motor do desempenho, suportado por uma margem bruta ajustada de 37,9%.
Em relação à Alea, o Itaú BBA mencionou que a subsidiária registrou um prejuízo líquido de R$ 33 milhões no trimestre, conforme previsto, e um consumo de caixa operacional de R$ 15 milhões. Este dado, quando anualizado, também encontra-se dentro das projeções para 2026.
Sobre a inflação dos custos, a instituição mencionou que o indicador poderá acelerar nos próximos meses, influenciado por fatores como o aumento do preço do petróleo, o que poderá pressionar as margens.
Ainda assim, o Itaú BBA avaliou que a Tenda está mais bem posicionada para enfrentar esse cenário de desafios, exibindo maior controle sobre os gastos e adotando premissas conservadoras em seus projetos.
Após uma queda de 17% nas ações nas últimas duas semanas, o valuation da companhia foi considerado “atrativo”, com múltiplos de 6 e 4 vezes ajustados para 2026 e 2027, respectivamente.
Além disso, o banco expressou que, se um cenário de inflação elevada não se concretizar, poderá haver uma revisão das previsões de margens, o que poderia resultar em um aumento nos lucros da empresa.
O Itaú BBA também mantém sua recomendação “outperform” para a construtora, estabelecendo um preço-alvo de R$ 43, implicando um potencial de valorização de aproximadamente 32%.
Fonte: www.moneytimes.com.br

