Tensão entre EUA e Irã eleva riscos de inflação, preços do petróleo e juros – Times Brasil

O ataque realizado pelos Estados Unidos ao Irã deve continuar a impactar os mercados financeiros na próxima segunda-feira, dia 29. A repercussão será especialmente observada nos preços do petróleo, nas ações de empresas de commodities e nas expectativas sobre as taxas de juros. A análise é de Beatriz Aguilar, analista de investimentos, que concedeu uma entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Após a divulgação da notícia, o preço do petróleo caiu imediatamente, chegando a registrar uma queda superior a 3% em determinado momento do dia. Contudo, a magnitude da queda foi reduzida após a confirmação do ataque americano.

“Atualmente, o mercado está absorvendo essas informações. Já notamos um reflexo imediato no preço do petróleo, que está caindo, mas menos do que antes”, destacou Beatriz.

A analista mencionou que ainda existem incertezas quanto à possibilidade de uma escalada do conflito. Ela observou que parte do mercado acreditava que os Estados Unidos não iriam reagir ao ataque anterior do Irã; no entanto, a resposta americana alterou a percepção de risco dos investidores.

“Esse movimento foi algo que muitos não previam”, concluiu Beatriz.

Leia também: Petróleo fecha em queda apesar das tensões no Oriente Médio.

Possíveis Reações do Setor de Commodities

Beatriz comentou que as empresas ligadas ao setor de commodities podem ser diretamente impactadas pela movimentação do petróleo. Na última sessão, ações de companhias como Petrobras e PetroRio apresentaram recuo em meio à queda do preço do petróleo.

Se o preço do petróleo continuar apresentando tendência de baixa, essas ações podem permanecer pressionadas. No entanto, se a tensão no Oriente Médio provocar uma alta na commodity, as ações dessas empresas poderão retomar sua trajetória de valorização.

“Se a queda do petróleo se estabilizar e ocorrer um aumento na segunda-feira devido ao conflito, é provável que as empresas do setor de commodities comecem a se valorizar novamente”, afirmou.

De acordo com Beatriz, o impacto poderá também afetar a inflação. Os preços do petróleo e dos combustíveis estão diretamente ligados à formação de preços de diversos produtos e serviços, o que complicaria o processo de redução das taxas de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Tecnologia sob Pressão em Wall Street

Nos Estados Unidos, Beatriz observou que o mercado já se encontrava em um movimento de pessimismo, especialmente em relação ao setor de tecnologia.

O segmento tecnológico enfrentou dificuldades devido à combinação de avaliações elevadas, adiamento do IPO da OpenAI e o anúncio de aumento de preços dos produtos da Apple.

“O mercado, de maneira geral, analisou o setor de tecnologia e não ficou satisfeito com o que estava observando”, comentou Beatriz.

A analista afirmou que ocorreu uma realização em ações de tecnologia, que possuem um peso significativo nos índices americanos. Por outro lado, setores como saúde apresentaram alta, o que pode indicar um possível movimento de rotação entre os setores.

Se o conflito entre os Estados Unidos e o Irã se intensificar, o mercado americano pode enfrentar pressão contínua, não só pela questão do setor tecnológico, mas também pelo risco de uma inflação mais persistente.

Expectativas em Relação à Curva de Juros

Beatriz mencionou que a curva de juros no Brasil deve permanecer elevada durante o segundo semestre, devido a uma combinação de fatores, incluindo a inflação, o cenário externo e a incerteza política relacionada às eleições.

Normalmente, períodos eleitorais tendem a trazer uma maior volatilidade para o mercado, tanto em relação à bolsa de valores quanto aos juros. Esse cenário pode ser intensificado pelas incertezas acerca da política monetária e pela possibilidade de choques externos.

“Historicamente, em anos eleitorais, principalmente no segundo semestre, verificamos uma maior volatilidade, não apenas na bolsa, mas também nas curvas de juros”, afirmou Beatriz.

A analista indicou que, a princípio, o mercado não ficou satisfeito com a recente comunicação do Banco Central, percebendo contradições entre o reconhecimento de riscos inflacionários e a decisão de reduzir as taxas de juros. Após isso, novos relatórios ajudaram a esclarecer a posição da instituição.

Na visão de Beatriz, o Banco Central deve manter as taxas de juros inalteradas na próxima reunião e observar os efeitos da taxa restritiva sobre a inflação. A possibilidade de um novo corte ainda está em jogo, mas tudo depende das circunstâncias do momento.

Leia também: Inflação global deve continuar sendo pressionada, mesmo com a queda dos preços do petróleo.

Projeções para a Selic

A analista destacou que as projeções para a taxa Selic sofreram alterações significativas desde o início do ano. Inicialmente, havia expectativas de que a Selic ficasse entre 12% e 12,5%. Contudo, esse cenário já ficou para trás.

“É plausible que em 2026 possamos observar uma taxa de juros em torno de 14%”, afirmou.

Em um cenário mais otimista, Beatriz mencionou que a Selic poderia alcançar 13,75%. Entretanto, diante das incertezas atuais, ela acredita que as chances de retorno às expectativas mais baixas, como 12% ou 12,5%, são bastante remotas.

“Aquele quadro de 12% a 12,5% já foi deixado para trás”, concluiu.

Fonte: timesbrasil.com.br

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