Cenário Geopolítico de 2025
Tensão entre Estados Unidos e China
O economista-chefe da Itaú Asset, Thomas Wu, comenta que o ano de 2025 foi caracterizado por um aumento nas tensões geopolíticas, destacando que o cenário global se tornou mais "tenso". Nesse contexto, a corrida armamentista ressurgiu, com foco nas duas principais economias do mundo: Estados Unidos e China.
Dependência de Terras Raras
Por trás desse novo impulso militar está a dependência global de terras raras, o que coloca o Brasil em uma posição geopolítica diferenciada em comparação com outras economias. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, detendo cerca de 50% das reservas da China, que é o maior produtor desse recurso.
Thomas Wu considera que essa situação representa um "presente geopolítico". Ele afirma que “o mundo nos dá oportunidades interessantes: sobrevivência e estratégia de segurança passam por um fornecedor de terras raras que não é a China, é a gente”. Esta declaração foi feita durante o evento "Perspectivas 2026", promovido pela Itaú Asset no dia 11 de agosto.
Oposição entre EUA e China
Na análise de Wu, os Estados Unidos precisam se preparar militarmente para prevenir um possível conflito com a China, ao mesmo tempo em que dependem da importação de terras raras, um recurso que a China controla. Ele observa que o governo chinês impôs restrições na venda de terras raras para os EUA, identificando essa situação como um "gargalo" na estratégia americana.
Oportunidade para o Brasil
Dentro desse cenário, o Brasil está bem posicionado para se tornar um “parte da solução”, atuando como um dos principais fornecedores de terras raras aos Estados Unidos. Wu argumenta que essa possibilidade confere ao Brasil uma "vantagem geopolítica gigante". Apesar de ressaltar que as terras raras não necessariamente farão as exportações do Brasil triplicarem, ele enfatiza a importância estratégica dessa posição no xadrez geopolítico.
Investimentos e Futuro do Mercado
Ele sugere que, se o país começar a investir em tecnologia relacionada a terras raras hoje, poderá alcançar até 20% do mercado até 2030. Contudo, segundo Wu, é essencial que haja discussões sobre projetos que priorizem a eficiência do Estado para que esse potencial se converta em um aumento sustentado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Além disso, ele destaca que, para que esse crescimento seja inclusivo e sustentável, é fundamental uma atenção especial à educação.
Interação entre Estado e Educação
"Eficiência do Estado e educação têm que andar juntas", afirma o economista, enfatizando a necessidade de um alinhamento entre as políticas públicas voltadas para a eficiência administrativa e as iniciativas educacionais que capacitem a população.
Conclusão
Essas considerações de Thomas Wu levantam importantes reflexões sobre o papel do Brasil no cenário geopolítico atual e as oportunidades que podem surgir em meio a um mundo cada vez mais competitivo. A dependência global de recursos estratégicos, como as terras raras, coloca o país em uma posição vantajosa, mas exige ações concretas para que esse potencial seja plenamente realizado.
Fonte: www.moneytimes.com.br


