Ampliação do Terminal Santa Catarina
O Terminal Santa Catarina (TESC), localizado em São Francisco do Sul, na região norte de Santa Catarina, deu início às obras de ampliação de seu píer. A cravação da primeira estaca, que ocorreu em 7 de março, sinaliza o início de um investimento significativo na ordem de R$ 100 milhões, que visa transformar a capacidade operacional do maior porto em movimentação do estado.
Novas Capabilidades Operacionais
As obras permitirão a atracação simultânea de dois graneleiros de grande porte: um Panamax, que é uma classe de navio projetada para transitar pelo Canal do Panamá com capacidade entre 60 mil e 80 mil toneladas, e um Supramax, cerca de um terço menor. Juntos, esses dois navios podem acomodar até 120 mil toneladas de carga. A conclusão das obras está prevista para o final deste ano.
Nota sobre as classes de navios: O Panamax e o Supramax são categorias de embarcações definidas pela sua dimensão. O Panamax foi originalmente projetado para transitar pelas eclusas do Canal do Panamá, enquanto o Supramax representa uma classe intermediária, sendo mais ágil e utilizada em rotas que apresentam restrições de calado ou infraestrutura portuária.
Investimento Vindo de Omã
O fundo soberano do Sultanato de Omã, conhecido como Oman Investment Authority, está por trás desse investimento. A chegada do fundo ao TESC se deu de forma indireta: em janeiro, sua trading Solaris, com sede em Dubai e reconhecida como uma das cinco maiores tradings globais de trigo, finalizou a compra do controle da Agribrasil. Esta empresa, fundada por Frederico José Humberg, é acionista majoritária do terminal, possuindo 51% desde 2021. A transferência do controle societário foi devidamente registrada pela Antaq.
Para financiar as obras, a Solaris irá captar R$ 120 milhões através da emissão de notas comerciais no mercado brasileiro. Esse montante cobre os R$ 100 milhões destinados à ampliação do píer, que está em andamento, além de antecipar recursos para um segundo ciclo de expansão. A operação será coordenada pelo Bradesco BBI, que atuará sob um regime de garantia firme, garantindo a aquisição dos papéis não negocitados caso a demanda não atinja o valor necessário.
Nota sobre notas comerciais: As notas comerciais são títulos de dívida emitidos por empresas com o objetivo de captar recursos diretamente no mercado, dispensando a intermediação bancária tradicional. Funcionam de maneira semelhante às debêntures, mas têm prazos mais curtos e uma estrutura mais simples.
Planejamento de Nova Etapa do TESC
A ampliação do píer representa apenas a primeira fase de um plano mais abrangente. Uma segunda etapa, que estará focada na armazenagem e aquisição de novos equipamentos para movimentação de carga, está atualmente em análise pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O investimento estimado para essa nova fase ultrapassa R$ 500 milhões, com a expectativa de aprovação em maio. A implementação dessa próxima etapa está prevista para o segundo semestre deste ano, caso a autorização regulatória seja concedida pontualmente.
Dragagem da Baía da Babitonga
Paralelamente à ampliação do píer, está em andamento a dragagem da Baía da Babitonga. Este projeto visa elevar o calado do canal de acesso para 16 metros, permitindo que o terminal receba embarcações de classes superiores às que opera atualmente.
Com a combinação da ampliação do píer e o aprofundamento do canal, o terminal planeja aumentar significativamente sua movimentação nas seções de fertilizantes, soja, milho, farelo, açúcar e outros granéis sólidos. Além disso, será possível fortalecer as operações com produtos siderúrgicos e cargas de projeto.
O TESC opera em São Francisco do Sul há quase três décadas e se destaca como um dos principais ativos do corredor de exportação do agronegócio catarinense.
Fonte: timesbrasil.com.br


