Assembleia do Grupo Toky e Alterações no Estatuto
A assembleia do Grupo Toky, que é proprietário da Tok&Stok e da Mobly, está agendada para quarta-feira, dia 5. O encontro deve começar com o resultado principal já praticamente definido. Os votos recebidos na primeira convocação asseguram uma maioria favorável à retirada da cláusula que exige que qualquer acionista que atinja 20% do capital da companhia realize uma oferta pública de aquisição de ações.
Até o momento, foram contabilizados 27,56 milhões de votos favoráveis à alteração, representando 50,86% do total de ações da empresa. Dada a circunstância de que esses votos serão reaproveitados automaticamente na segunda convocação, a proposta deverá ser aprovada mesmo que o restante do capital compareça e vote contra. Essa situação se mantém, a menos que um acionista decida alterar seu voto ou que uma decisão judicial interfira na condução da assembleia.
Disputa Entre Acionistas
A deliberação acontece em meio a uma disputa acirrada entre acionistas. A estrutura acionária oficial revela que DSK, SPX e EXA possuem participações de 19,30%, 11,49% e 8,19%, respectivamente. Juntas, essas porcentagens somam 38,98% do capital total da empresa, embora cada um desses grupos permaneça individualmente abaixo do limite de 20% estipulado pela cláusula em questão.
Por outro lado, o Piemonte Toky3 FIP, que possui uma participação minoritária de 9,74%, levantou acusações sobre veículos financeiros associados a esses investidores, sugerindo que eles atuam de maneira coordenada. Em resposta, a Toky refutou essa alegação, afirmando que não existem elementos objetivos que provem a existência de um bloco acionário. A companhia ainda argumenta que a revogação da cláusula é imperativa para possibilitar a conversão de dívidas em ações, uma medida que faz parte de seu processo de recuperação judicial.
Alteração no Capital Autorizado
No mesmo encontro, os acionistas avaliarão a revisão do atual limite de capital autorizado da empresa, que está estabelecido em 75 milhões de ações. A proposta é aumentar esse teto para R$ 800 milhões, sem a definição prévia de um número máximo de ações a serem emitidas. O Piemonte estima que, levando em consideração o preço de uma conversão anterior, este novo limite poderia possibilitar uma diluição significativa do capital.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) observou que essa projeção representa apenas um cenário hipotético e que a legislação em vigor permite que o capital autorizado seja expresso em dinheiro. A autarquia rejeitou o pedido do fundo para suspender a assembleia, embora não tenha se posicionado sobre o mérito das acusações apresentadas.
Atualmente, há oito processos relacionados ao Grupo Toky em análise pela CVM, que envolvem questões como a conversão de debêntures, a divulgação de informações, possíveis atuações coordenadas pelos acionistas e a diluição dos interesses dos acionistas minoritários.
Fonte: veja.abril.com.br