Transição para uma economia de baixo carbono pode impulsionar o PIB do Brasil em até R$ 465 bilhões

Transição para uma economia de baixo carbono pode impulsionar o PIB do Brasil em até R$ 465 bilhões

by Ricardo Almeida
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Estudo sobre a Economia de Baixo Carbono

O estudo intitulado “Benefícios da Transição para uma Economia de Baixo Carbono”, conduzido pelo Itaú em colaboração com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), revela que o Brasil possui a capacidade de transformar os desafios impostos pela descarbonização em oportunidades concretas de crescimento econômico, inovação e geração de empregos.

Impactos Econômicos da Transição Energética

O levantamento, desenvolvido pela equipe técnica da FGV, aponta que a expansão das fontes renováveis de energia poderá mobilizar R$ 295 bilhões em investimentos. Isso pode resultar em um impacto positivo de R$ 337 a R$ 465 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) até o ano de 2035. Além disso, estima-se a criação de entre 1,2 a 1,9 milhão de empregos durante esse período, o que representa cerca de 4% do PIB de um ano e 4,1% do estoque de emprego formal previsto para 2024.

Cada R$ 1 investido em energia renovável é capaz de gerar até R$ 1,57 de retorno na economia. Destaca-se especialmente a geração de empregos qualificados, bem como o fortalecimento de fornecedores nacionais.

O estudo evidencia os setores de energia e agropecuária como áreas com alta potencialidade de ganhos. No campo das energias renováveis, cada US$ 1 milhão investido pode gerar até 25 empregos diretos e indiretos, resultando em efeitos positivos para fornecedores nacionais e economias regionais. Na agricultura, por outro lado, soluções tecnológicas de adaptação, como a introdução de sementes mais resistentes e a ampliação de técnicas de agricultura de precisão, podem prevenir perdas econômicas que somariam até R$ 61 bilhões por ano nas principais culturas do país.

A Posição Estratégica do Brasil

De acordo com o estudo, o Brasil se encontra entre as nações mais bem posicionadas do mundo para liderar a transição rumo ao baixo carbono. Isso se deve ao fato de 88% da matriz elétrica do país ser composta por fontes renováveis, como hidrelétricas, energia eólica, solar e biomassa, além de apresentar uma sólida base agroambiental.

Essas características estruturais permitem que o Brasil amplie sua independência energética, reduza riscos climáticos e fortaleça setores com alto potencial competitivo, incluindo energia, transporte, agropecuária, siderurgia e construção civil.

A FGV ressalta que a descarbonização pode aumentar a segurança energética nacional, diminuir custos operacionais, viabilizar o acesso a capitais sustentáveis e disponibilizar empregos qualificados. O estudo também enfatiza que a transição energética e o uso sustentável do solo são vetores complementares à transição econômica, com a capacidade de fortalecer a bioeconomia e promover o desenvolvimento regional, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

O coordenador do estudo, Daniel da Mata, professor da FGV, comenta que “ao reunir dados detalhados, análises empíricas e simulações econômicas, o estudo mostra que a agenda climática de mitigação e adaptação deve ser vista como uma estratégia para impulsionar a prosperidade do Brasil, trazendo benefícios tangíveis para a sociedade e para o desenvolvimento sustentável do país”.

A expansão de usinas solares e eólicas no Brasil, especialmente em regiões como o Nordeste, por exemplo, está gerando eletricidade limpa a custos competitivos. Isso resulta na redução de custos operacionais, no aumento da segurança energética e na criação de empregos locais qualificados.

No setor agrícola, a implementação de sistemas integrados, como a Integração da Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que combina culturas agrícolas, criação de animais e espécies arbóreas em rotação ou consórcio, está contribuindo para o aumento da produtividade, ao mesmo tempo que sequestra carbono tanto no solo quanto na biomassa, reduz emissões e melhora a resiliência do sistema produtivo.

Outro exemplo relevante é o setor de cimento no Brasil, que já utiliza substitutos ao clínquer, estratégia que visa reduzir as emissões de CO2 durante a produção. Essa abordagem valoriza os resíduos industriais e também diminui custos regulatórios.

Metodologia do Estudo

O estudo foi realizado pela FGV, sob a coordenação dos economistas Daniel da Mata e Joelson Sampaio. A pesquisa combinou análise setorial, modelagem econométrica e projeções de impacto baseadas na metodologia Insumo-Produto, que é amplamente utilizada para medir os efeitos multiplicadores de investimentos sobre o PIB e o emprego.

Para avaliar os impactos da mitigação, a FGV analisou o setor de energia renovável, utilizando dados do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2034 e 2035) e estimativas de investimentos nas áreas de energia solar, eólica, biomassa e biocombustíveis. Os resultados indicaram que cada real investido nesses setores gera entre R$ 1,14 e R$ 1,57 de retorno na economia, com um forte impacto na geração de empregos e a participação significativa de fornecedores nacionais.

Os efeitos de adaptação foram analisados especificamente no setor agrícola, utilizando modelagens econométricas com dados em painel que correlacionam a produtividade das culturas principais (como milho, soja, arroz e café) com as projeções de temperatura. Essa abordagem metodológica possibilitou quantificar de maneira inédita os ganhos econômicos e sociais decorrentes da ação climática, revelando que a transição para uma economia de baixo carbono não apenas promove crescimento, mas também reduz vulnerabilidades e amplia a competitividade do país.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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