Veredicto de Jimmy Lai
Jimmy Lai, fundador da Next Digital Ltd., saiu de um veículo do Departamento de Serviços Correcionais ao chegar ao Tribunal de Apelação Final em Hong Kong, China, na terça-feira, 9 de fevereiro de 2021. Os promotores de Hong Kong acusaram Lai, um crítico proeminente de Pequim e das autoridades locais, no ano passado sob a lei de segurança nacional imposta por Pequim, alegando que ele havia colaborado com estrangeiros ao solicitar sanções contra a China.
Acusações e Condenação
Um tribunal de Hong Kong declarou, na segunda-feira, que o ativista pró-democracia e magnata da mídia Jimmy Lai foi considerado culpado de sedição e de colusão com países estrangeiros. O empresário, de 78 anos, foi acusado sob a polêmica lei de segurança nacional de Hong Kong, promulgada por Pequim em 2020, após os protestos pró-democracia que aconteceram na região em 2019.
Lai, que é um dos críticos mais vocais do Partido Comunista Chinês, se declarou inocente em relação a duas acusações de colusão com forças estrangeiras sob a lei de segurança nacional, bem como a uma acusação de conspiração para publicar materiais sediciosos. Ele está sob custódia desde 2020 e seu julgamento teve início em dezembro de 2023.
Trajetória Profissional
O empresário é conhecido por ter fundado a marca de roupas asiática Giordano, o jornal Apple Daily e a companhia de mídia digital Next Digital. Durante uma reunião entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, na Coreia do Sul, em outubro, Lai foi mencionado. Trump pressionou Xi a liberar Lai durante a conversa, conforme reportado pela Reuters.
Contexto Político em Hong Kong
O veredicto representa um desdobramento significativo na cena política de Hong Kong, que tem testemunhado a erosão da oposição democrática em um dos centros financeiros da Ásia desde a implementação da lei de segurança nacional. Em 2021, houve mudanças no sistema eleitoral de Hong Kong, que resultaram em uma drástica redução do número de membros eleitos diretamente na legislatura da cidade. Somente "patriotas", previamente avaliados por um comitê eleitoral, têm permissão para concorrer a eleições.
A condenação de Lai ocorre logo após a dissolução do último partido pró-democracia em Hong Kong, que aconteceu no domingo, após 31 anos de atividade. Além disso, a eleição legislativa que se seguiu foi marcada pela participação que ficou atrás apenas da segunda menor já registrada na história da região.
Comentários de Especialistas
Antes do veredicto, o investidor veterano David Roche declarou à CNBC que, caso estivesse à frente de Hong Kong, "saberia que teria que condenar o homem e então o enviaria para casa, porque, de certa forma, você estabelece um ponto final na mudança política em Hong Kong, mas não cria mais um mártir."
Lai obteve cidadania britânica antes de Hong Kong ser devolvido à China em 1997. Roche acrescentou que essa decisão, segundo sua opinião, ajudaria a passar a impressão predominante de que Hong Kong havia retornado ao seu estado normal, dinâmico e voltado para os negócios.
Fonte: www.cnbc.com