Trump alega que a Venezuela furtou petróleo dos EUA - descubra os detalhes.

Trump alega que a Venezuela furtou petróleo dos EUA – descubra os detalhes.

by Fernanda Lima
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A Descoberta do Poço de Petróleo

Às 7h da manhã, um tremor começou a afetar a terra, e logo em seguida, o petróleo irrompeu do poço em uma erupção impressionante, alcançando até 60 metros de altura e atingindo os moradores assustados de La Rosa. Esse evento marcou a descoberta do poço de petróleo mais produtivo do mundo e deu início à transformação da Venezuela em uma potência no setor petrolífero — com implicações tanto positivas quanto negativas.

O Interesse Internacional pelo Petróleo Venezuelano

Desde o século 15, já se tinha conhecimento da existência de petróleo bruto na Venezuela. Explorações espanholas da época relataram que povos indígenas utilizavam o petróleo para suas atividades cotidianas, como acender fogo e reparar canoas. Contudo, a verdadeira disputa pela riqueza petrolífera começou a ganhar força no início do século 20, quando empresas internacionais se interessaram seriamente pela região. Isso ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, quando a demanda por combustível cresceu e as potências ocidentais passaram a temer a escassez de suprimentos.

Os exploradores da Venezuelan Oil Concessions (VOC), uma afiliada local da Royal Dutch Shell, dedicaram a maior parte da década de 1910 a explorar a área, embora com resultados moderados. Foi em 31 de julho de 1922 que a VOC tomou uma decisão significativa, optando por perfurar mais fundo no poço Los Barrosos-2, localizado na Bacia de Maracaibo. Este poço, que já havia sido abandonado antes, passou a ser reavaliado e reaproveitado com novas perfurações.

O Impacto da Descoberta

Após meses de perfuração, na segunda semana de dezembro, a profundidade de 442 metros foi atingida e depósitos de areias betuminosas foram encontrados. A partir de 14 de dezembro daquele ano, uma erupção de petróleo e gás começou a ocorrer, e a erupção durou mais de uma semana. Essa situação gerou um grande desastre ecológico, mas, ao mesmo tempo, colocou a Venezuela em um caminho que levaria a um século de considerável riqueza, crises significativas e turbulências políticas.

Este processo culminou na recente captura de Nicolás Maduro por forças americanas em uma operação realizada na madrugada de 3 de outubro. Essa ação pode potencialmente restaurar a influência americana sobre as reservas de petróleo do país.

Futuro Incerto para a Indústria Petrolífera

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que um dos objetivos principais da ação militar recente na Venezuela é colocar o setor petrolífero do país sob controle americano. Dessa forma, empresas petrolíferas dos Estados Unidos poderiam reestruturar suas operações na região.

“As companhias petrolíferas vão entrar e reconstruir o sistema”, afirmou Trump. Ele também destacou que a situação representa “o maior roubo da história dos Estados Unidos”, referindo-se à perda do controle sobre as riquezas petrolíferas venezuelanas.

A possibilidade de um retorno efetivo ao controle do setor americano, no entanto, apresenta complexidades. Dificuldades financeiras e operacionais marcaram os últimos anos da indústria petrolífera venezuelana, devido a décadas de declínio sob os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A analista Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets, destacou que as empresas americanas podem precisar atuar quase de forma governamental para expandir a capacidade produtiva no país.

De acordo com estimativas, modernizar a infraestrutura e retornar aos níveis máximos de produção demandaria cerca de US$ 58 bilhões. A estatal Petróleos de Venezuela, SA (PDVSA) reconhece que seus oleodutos não são modernizados há 50 anos, o que complica ainda mais a situação.

Desafios e Possibilidades de Retomada

A PDVSA tem sido controlada pelos militares por décadas e a economia da Venezuela depende de seu desempenho. Trump reconheceu que a segurança da infraestrutura petrolífera poderá exigir uma presença militar americana prolongada no país.

Recentemente, membros do governo Trump se reuniram com empresas petrolíferas americanas para discutir o possível retorno às operações na Venezuela, mas as empresas mostraram hesitação, dada a incerteza sobre a estabilidade do futuro político e econômico do país.

Atualmente, o governo Trump está trabalhando com Delcy Rodríguez, que foi vice-presidente e ministra de Energia durante o governo Maduro, para colaborar na administração do país. Essa movimentação se dá apesar de a oposição venezuelana ter sinalizado planos para privatizar a indústria petrolífera caso assumisse o governo.

Analistas apontam que será impossível atrair empresas americanas sem um acordo claro com o governo local. Quando isso ocorrer, que pode levar meses, é esperado que as empresas aumentem a produção e que a maior parte do petróleo extraído seja enviada de volta aos Estados Unidos, onde há alta demanda por petróleo bruto.

A História do Petróleo na Venezuela

Em 1929, a Venezuela havia se transformado de uma economia majoritariamente agrícola para uma economia baseada no petróleo, com mais de 100 empresas petrolíferas estrangeiras operando no país. O general Juan Vicente Gómez, que liderava a Venezuela, incentivou a entrada dessas empresas, mas a população local não se beneficiava proporcionalmente dos lucros gerados.

Após a morte de Gómez em 1935, seus sucessores buscaram reformas, e a Venezuela aprovou a Lei dos Hidrocarbonetos em 1943, exigindo que as empresas petrolíferas entregassem metade de seus lucros ao governo. Mesmo após essas mudanças, a Venezuela mantinha uma posição vantajosa devido à riqueza de suas reservas, que somavam 303 bilhões de barris, correspondendo a aproximadamente um quinto do total mundial.

Além disso, o petróleo das profundezas venezuelanas era abundante e barato, o que o tornava atraente para o refino nos Estados Unidos. O petróleo bruto pesado e ácido da Venezuela poderia ser refinado em diversos produtos essenciais, enquanto o petróleo leve e doce do Texas era mais adequado apenas para gasolina.

Mudanças Políticas e Nacionalização

Em 1958, os Estados Unidos consideraram um grande avanço quando a Venezuela se tornou uma democracia, fortalecendo laços como aliados. O país, agora democrático e rico em petróleo, se contrapunha à Cuba sob regime comunista. O presidente John F. Kennedy elogiou o então presidente venezuelano Rómulo Betancourt como “o melhor amigo da América” na América do Sul.

Em 1960, a Venezuela se tornou um membro fundador da OPEP, o que a levou a aumentar sua influência sobre questões globais e a assumir mais controle sobre as empresas operando em seu território. No mesmo ano, o país criou a Corporação Venezuelana de Petróleo, elevando os custos operacionais para 65% dos lucros obtidos pelas empresas.

Na década de 1970, refinarias americanas foram feitas especificamente para processar o petróleo da Venezuela. Em 1976, com a criação da PDVSA, o governo começou a regulamentar a indústria petrolífera de maneira mais incisiva, estabelecendo acordos com empresas internacionais que exigiam sua participação em primeiramente 60% em joint ventures.

Apesar da importância de tal relação, os EUA não reagiram com força significativa quando os ativos petrolíferos da Venezuela foram nacionalizados. O PDVSA pagou US$ 1 bilhão pelas participações das empresas, o que amenizou possíveis conflitos com os EUA.

No entanto, a crise econômica se acentuou na década de 1980, com a queda brusca dos preços do petróleo e o endividamento da Venezuela após a compra da refinaria Citgo. Medidas de austeridade impopulares foram implementadas, resultando na ascensão do líder Hugo Chávez.

Os Governos de Chávez e Maduro

Hugo Chávez chegou ao poder em 1999 e estabeleceu um Estado socialista em sua administração. Em 2007, ele nacionalizou ativos de empresas petrolíferas estrangeiras, como ExxonMobil e ConocoPhillips, expulsando-as da Venezuela. O controle da PDVSA foi diretamente incorporado ao governo, que utilizou as receitas da empresa para financiar os militares, ocasionando o êxodo de profissionais qualificados.

Quando Nicolás Maduro assumiu o poder em 2013, após a morte de Chávez, os preços do petróleo despencaram novamente, levando o país a uma crise econômico-social, marcada por hiperinflação e uma onda de emigração. As sanções internacionais estabelecidas contra o governo venezuelano também agravaram o estado da indústria petrolífera nacional.

Desde 2005, os EUA impuseram sanções que culminaram com o bloqueio das exportações de petróleo bruto da PDVSA no primeiro mandato de Trump, em 2019. Em 2022, a administração de Joe Biden concedeu à Chevron uma licença para retornar à Venezuela com restrições que impediam o envio de lucros ao governo de Maduro.

A infraestrutura, deteriorada e sem recursos, obstou a PDVSA de operar em toda sua capacidade. Atualmente, a produção da Venezuela é de pouco mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia, que representa cerca de 0,8% da produção global, o que contrasta drasticamente com a produção pré-Maduro. Em termos de comparação, isso representa menos da metade da produção anterior a 2013 e menos de um terço em relação ao volume de 3,5 milhões de barris extraídos antes da ascensão de Chávez ao poder.

*Kylie Atwood, da CNN, contribuiu com esta reportagem

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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