O Acordo de Livre Comércio entre União Europeia e Índia
O recente acordo de livre comércio firmado entre a União Europeia e a Índia é considerado o maior do mundo e representa uma resposta direta às políticas protecionistas e às ameaças tarifárias provenientes dos Estados Unidos. Essa análise foi realizada por Lourival Sant’Anna em uma transmissão do programa CNN Prime Time.
A Contextualização do Livre Comércio
Segundo Sant’Anna, o conceito de livre comércio vinha enfrentando uma desaceleração nos últimos anos, com a percepção de que blocos como o Mercosul estavam se distanciando das tendências globais. No entanto, as posturas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos e as recentes ameaças de tarifas pelo ex-presidente Donald Trump acabaram gerando um efeito colateral inesperado e positivo para outros blocos de negociação.
O analista afirmou: “Agora, vindo do Trump, um dos efeitos não desejados por ele foi incentivar acordos de livre comércio entre outros blocos e outros países”. Essa situação demonstra como, em algumas ocasiões, políticas internas podem ter repercussões externas que não eram esperadas.
A Comparação com o Pacto Mercosul-União Europeia
O novo acordo de livre comércio entre a União Europeia e a Índia resulta em um PIB combinado de 23 trilhões de dólares, o que o torna superior ao pacto entre Mercosul e União Europeia, que totaliza 22 trilhões de dólares. Além disso, em termos demográficos, o novo acordo abrange aproximadamente 1,88 bilhão de pessoas, enquanto o acordo com o Mercosul engloba apenas 740 milhões.
Esse PIB combinado representa um quarto da economia mundial e o comércio entre as duas partes corresponde a um terço do comércio global. Sant’Anna ressaltou que “quando você envolve a União Europeia, é o bloco que mais faz comércio, então é desproporcional até ao próprio PIB”. Essa afirmação destaca a relevância da União Europeia nas dinâmicas comerciais globais.
Facilidades nas Negociações
Um fator importante que contribuiu para a rápida concretização do acordo entre a União Europeia e a Índia foi a exclusão do setor agrícola das discussões. Ambas as partes optaram por proteger seus mercados agrícolas, o que facilitou o progresso nas negociações. Em contraste, o acordo com o Mercosul tem se arrastado por mais de 25 anos.
O analista comentou: “Esse foi mais fácil do que o com o Mercosul porque não envolveu alimentos, os dois protegeram seus mercados de alimentos e foi por isso que saiu mais rápido”. A agilidade nas tratativas entre União Europeia e Índia pode ser vista como um modelo que poderá influenciar futuras negociações internacionais.
Reações do Comércio Global e Movimentações de Blocos
O movimento de aproximação entre blocos comerciais não se limita apenas à parceria entre a União Europeia e a Índia. Sant’Anna também destacou que a União Europeia está em conversas preliminares com a Parceria Transpacífico, que abrange países como Japão, Canadá, Austrália, México e Chile. Caso essa parceria se concretize, ela poderia superar em relevância comercial o acordo firmado com a Índia.
Da mesma forma, o Reino Unido já se movimentou para negociar sua entrada na Parceria Transpacífico, enquanto o primeiro-ministro britânico Keir Starmer está em conversações com a China para estabelecer um acordo comercial. Essas iniciativas têm gerado preocupação em Washington, já que Trump ameaçou aplicar tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em acordos comerciais com a China, revelando a tensão nas relações comerciais internacionais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


