Trump frustrado diante da advertência de que Putin pode intensificar o conflito

Putin tem recursos para sustentar a guerra na Ucrânia

O Presidente russo, Vladimir Putin, possui capital suficiente para financiar a guerra na Ucrânia por anos, mesmo diante da pressão econômica crescente, afirmou o ex-presidente do banco central da Rússia em uma entrevista à CNBC na sexta-feira. Sergey Aleksashenko, que foi vice-chairman do banco central, comentou que “a economia russa está próxima da estagnação” durante o programa “Europe Early Edition”.

Aleksashenko observou que o “clima econômico não é positivo”, com o Banco da Rússia prevendo um crescimento de apenas 0,9% para a economia do país neste ano, em comparação com 4,3% no ano passado. Entretanto, ele destacou que a situação não é completamente negativa, já que o banco central está gradualmente reduzindo a inflação e diferentes setores da economia estão apresentando desempenhos variados.

Questionado sobre a capacidade de Putin de financiar a guerra na Ucrânia, Aleksashenko respondeu: “Infelizmente, sim”. Ele comentou que, “apesar de todos os rumores, do crescente déficit orçamentário e do aumento dos empréstimos por parte do Ministério da Fazenda, ele ainda tem dinheiro suficiente para financiar a guerra”. Aleksashenko expressou a certeza de que Putin pode manter o financiamento da guerra por mais dois ou três anos, ou até mais.

Invasão da Ucrânia e advertências da OTAN

A invasão de larga escala da Rússia à Ucrânia começou no início de 2022, e as tropas estão agora em seu quarto inverno de conflito. Os comentários de Aleksashenko surgiram após o chefe da OTAN, Mark Rutte, ter emitido um alerta severo para os aliados, defendendo que estão em sério risco de ataque por parte de Moscou.

Rutte declarou em um discurso na Alemanha na quinta-feira: “Nós somos o próximo alvo da Rússia, e já estamos em situação de perigo”. Ele acrescentou que, “as defesas da OTAN conseguem se manter por enquanto, mas com sua economia voltada para a guerra, a Rússia pode estar pronta para usar força militar contra a OTAN dentro de cinco anos”.

Banco Central russo processa Euroclear

Apesar dos esforços internacionais para encerrar o conflito, Putin sinalizou sua disposição em continuar a guerra para alcançar os objetivos da Rússia. Na semana passada, ele advertiu que a Rússia tomaria um território ucraniano fundamental “à força” se as tropas de Kyiv não se retirassem voluntariamente.

Com a intenção de aumentar a pressão econômica sobre o Kremlin, autoridades europeias anunciaram propostas para utilizar os ativos russos congelados a fim de apoiar a reconstrução da Ucrânia — uma medida que os funcionários russos consideraram uma justificativa para a guerra. Na sexta-feira, o banco central da Rússia anunciou que estava processando a câmara de compensação belga Euroclear em um tribunal de Moscovo “para recuperação de perdas causadas ao Banco da Rússia”.

O comunicado do banco central indicou que “as ações do depósito Euroclear causaram danos ao Banco da Rússia devido à incapacidade de gerenciar caixa e títulos”. O banco também afirmou que a ação judicial ocorreu “em conexão com os mecanismos de uso direto ou indireto dos ativos do Banco da Rússia sem o consentimento do mesmo, que estão sendo oficialmente considerados pela Comissão Europeia”.

A Euroclear optou por não comentar, e o governo belga não havia respondido a um pedido de comentários quando este artigo foi publicado.

Trump expressa frustração com as negociações de paz

A Ucrânia e seus aliados europeus estão tentando garantir que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — cuja administração deseja um acordo de paz com Moscou e Kyiv — permaneça ao seu lado. Embora a Rússia tenha anunciado publicamente sua “alinhamento” com Washington, Trump tem criticado os líderes europeus. Na quarta-feira, ele afirmou que não queria “perder tempo” discutindo o plano de paz com seus homólogos europeus, segundo informações da NBC News, acrescentando que já havia trocado “palavras bastante fortes” com autoridades da região.

“Às vezes, você tem que deixar as pessoas se enfrentarem, e às vezes você não deve”, comentou ele.

Na mesma semana, Trump alegou que o Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy não havia lido a proposta de paz apresentada pelos EUA para pôr fim à guerra, enquanto a Rússia estava “bem com isso”. A proposta, inicialmente elaborada pelos EUA e pela Rússia sem a participação da Ucrânia, foi alterada desde sua versão original de 28 pontos, que supostamente incluía a entrega de território na região de Donbas e a redução do tamanho das forças armadas ucranianas. Contudo, as concessões de território e as garantias de segurança para Kyiv continuam a ser pontos de impasse no plano de paz, o qual a Ucrânia está sob pressão dos EUA para aceitar antes do Natal.

Na quinta-feira, a Casa Branca afirmou que os EUA continuavam envolvidos no processo de paz. Entretanto, a secretária de imprensa Karoline Leavitt disse a jornalistas que Trump estava “extremamente frustrado com ambos os lados deste conflito” e “cansado de reuniões apenas por reunião”.

Trump conversou com os líderes do Reino Unido, Alemanha e França em uma chamada na quarta-feira. Leavitt informou que o presidente estava “ciente” de uma nova proposta enviada por Zelenskyy. “Ele não quer mais conversa; ele quer ação. Ele deseja que essa guerra chegue ao fim”, disse Leavitt durante o briefing à imprensa. “A administração passou mais de 30 horas, somente nas últimas semanas, se reunindo com os russos, ucranianos e europeus”.

Leavitt acrescentou: “Se acharmos que essas reuniões valem o tempo de alguém dos Estados Unidos neste fim de semana, então enviaremos um representante”.

CNBC’s Holly Ellyatt e Silvia Amaro contribuíram para este artigo.

Fonte: www.cnbc.com

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