Indicação de Kevin Warsh para a Presidência do Fed
O presidente Donald Trump indicou, na última sexta-feira (30), Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed). A nomeação ainda precisa da aprovação do Senado dos Estados Unidos e, caso seja confirmada, Warsh sucederá o atual presidente, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio deste ano.
Anúncio da Indicação
Trump já havia sinalizado na noite anterior, quinta-feira (29), a jornalistas que sua escolha estava definida e que o anúncio formal seria feito na sexta-feira.
A decisão foi comunicada pelo presidente em uma publicação em sua rede social, na qual expressou sua confiança em Warsh. “Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo isso, ele é o candidato perfeito para o cargo e nunca decepciona”, afirmou Trump.
Processo de Seleção
Nos meses anteriores, Trump avaliou várias opções e reduziu sua lista de possíveis candidatos para apenas quatro nomes na última fase de seleção. Fontes próximas ao processo informaram que Warsh se reuniu com Trump na Casa Branca na quinta-feira, e que a equipe do governo já se preparava para sua indicação.
Além de Warsh, outros nomes incluídos na lista final foram Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional; Christopher Waller, governador do Fed; e Rick Rieder, executivo da BlackRock. O presidente realizou entrevistas presenciais com cada um dos quatro finalistas no final do mês.
A Importância da Nomeação
A escolha do novo presidente do Fed assume uma importância crescente, especialmente após Trump prometer reduzir o custo de vida nos EUA. O novo dirigente do banco central terá a responsabilidade crucial de manter a estabilidade dos preços no país.
Quem é Kevin Warsh
Formação e Carreira
Kevin Warsh nasceu em 1970 na cidade de Albany, no estado de Nova York. Começou sua trajetória profissional como banqueiro na Morgan Stanley, onde trabalhou entre 1995 e 2002. Durante seu tempo na instituição, alcançou o cargo de vice-presidente e diretor-executivo no departamento de fusões e aquisições.
Em 2002, Warsh ingressou no serviço público como assessor especial do presidente George W. Bush, abordando políticas econômicas e atuando como secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional (NEC) até 2006.
Trajetória no Federal Reserve
Em fevereiro de 2006, foi nomeado para o Conselho de Governadores do Federal Reserve, tornando-se o membro mais jovem da história daquela instituição, função que exerceu até março de 2011. Durante sua permanência no Fed, destacou-se como um elo importante entre o banco central e Wall Street, especialmente durante a crise financeira global de 2008. Ele também atuou como representante do banco junto ao G20.
Após sua saída do Federal Reserve, Warsh retornou ao setor privado e ao meio acadêmico, assumindo posições como pesquisador visitante na Hoover Institution da Universidade de Stanford e professor na Stanford Graduate School of Business.
Nos anos seguintes, Warsh se manteve ativo no debate público relacionado à política monetária e foi considerado para altos cargos na administração de Trump, incluindo a secretaria do Tesouro. Ele chegou a ser cogitado para a presidência do Fed em 2017.
Jerome Powell e a Independência do Banco Central
Críticas de Trump ao Atual Presidente
Durante o primeiro ano de seu segundo mandato, Trump fez críticas contundentes à atuação de Jerome Powell na presidência do Fed, apesar de ele ter sido escolhido especificamente por Trump para o cargo. O presidente expressou insatisfação em várias ocasiões, argumentando que Powell não reduziu as taxas de juros nos Estados Unidos, conforme suas expectativas.
Em janeiro, Powell revelou que estava sendo alvo de uma investigação criminal iniciada pelo governo Trump. Ele afirmou que essa investigação era uma tentativa de intimidar a instituição e de pressionar para que as taxas de juros fossem alteradas conforme os desejos do presidente.
Discussões sobre a Independência do Fed
As crescentes pressões sobre Powell levantaram preocupações sobre a independência do Fed. As acusações contra ele abriram a possibilidade de que o atual presidente pudesse optar por permanecer no banco central, mesmo após o término de seu mandato, para proteger a instituição de influências políticas.
A senadora democrata Elizabeth Warren declarou, na sexta-feira, que a escolha de Kevin Warsh para liderar o Fed representa mais uma tentativa de Donald Trump de exercer controle sobre a instituição.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br