Trump pretende comercializar petróleo da Venezuela - mas quem realmente irá adquirir?

Trump pretende comercializar petróleo da Venezuela – mas quem realmente irá adquirir?

by Fernanda Lima
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Venda de Petróleo Venezolano: a Visão dos EUA

O presidente Donald Trump expressou o desejo de que os Estados Unidos vendam petróleo da Venezuela. No entanto, surge a pergunta: quem estaria disposto a comprar?

A China e o Petróleo Venezuelano

A China, até recentemente, atuou como um dos maiores compradores do petróleo venezuelano. Entretanto, seu interesse por esse recurso vem diminuindo, principalmente devido à transição rápida do país para veículos elétricos. De acordo com especialistas consultados pela CNN Internacional, essa mudança implica que as importações de petróleo da China possivelmente não serão significativamente afetadas pela recente ação militar dos EUA na Venezuela e pela pressão do presidente Trump para que empresas americanas revitalizem a infraestrutura petrolífera do país.

Além disso, a China parece ser capaz de suprir sua demanda por petróleo através de outros fornecedores, como Rússia ou Irã.

Demanda Chinesa por Petróleo

A trajetória da demanda de petróleo na China é clara e os analistas indicam que ela tende a diminuir. Há projeções de que o país tenha atingido ou estará prestes a alcançar o "pico do petróleo", um termo que se refere ao ponto em que a produção de petróleo atinge seu máximo, seguido de um declínio.

A CNN Internacional noticiou que o governo Trump informou à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, que o país deveria romper laços com China, Irã, Rússia e Cuba, e que deveria firmar parceria exclusivamente com os Estados Unidos na produção de petróleo.

Reação da China

Em um pronunciamento feito no dia 6 de junho, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, descreveu as ações do governo Trump como uma forma de "intimidação" e afirmou que tais ações "violam gravemente o direito internacional".

Impacto da China no Mercado Global de Petróleo

O consumo de petróleo por parte da China é extremamente relevante, uma vez que o país se consolidou como o maior importador mundial de petróleo. Dessa forma, o que ocorre na China gera impactos significativos por todo o mercado global de petróleo.

Especialistas em energia afirmam que essa nova dinâmica evidencia a divergência acentuada entre os Estados Unidos e a China na transição energética. A China está progredindo muito em relação às energias renováveis e os veículos elétricos, enquanto os Estados Unidos optam por intensificar a exploração de petróleo, tanto em território nacional quanto no exterior.

Mudanças no Setor de Transportes

Uma parte crucial dessa mudança pode ser atribuída à transformação do setor de transporte chinês, que está se afastando dos veículos movidos a gasolina e se movimentando em direção aos elétricos.

Atualmente, a China lidera o mercado de veículos elétricos; dos 18,5 milhões de veículos desse tipo vendidos globalmente no último ano, mais de 11 milhões foram comercializados na China, conforme dados da empresa britânica de pesquisa Rho Motion.

Li Shuo, diretor do centro de clima da China no Instituto de Política da Sociedade Asiática, comentou: "Isso é muito decisivo; não há volta". Ele observou que, quando comparado ao desenvolvimento inconsistente da política de veículos elétricos nos Estados Unidos, os veículos elétricos se tornaram uma norma estabelecida na China.

Exportações Chinesas de Veículos Elétricos

Com o mercado doméstico de veículos elétricos cada vez mais saturado, as empresas chinesas estão expandindo sua atuação e vendendo seus automóveis em outros mercados ao redor do mundo. A empresa BYD, que recentemente superou a Tesla como a maior vendedora mundial de veículos elétricos, contabilizou recordes em suas exportações neste ano, conforme dados da Rho Motion.

Shuo destacou que "agora estamos vendo a história dos veículos elétricos chineses se repetindo em outras partes do mundo, e, de forma bem interessante, mais no sul global do que nos Estados Unidos e na Europa".

Embora a demanda por petróleo no setor de transportes na China possa ter atingido seu pico, é importante ressaltar que outros setores, como o de petroquímicos e o de combustível para aviação, continuarão a crescer.

Importação de Petróleo Venezuelano pela China

Cerca de 400 mil a 500 mil barris de petróleo venezuelano são importados diariamente pela China, segundo Janiv Shah, vice-presidente da pesquisa de mercado de commodities da empresa norueguesa Rystad. Apesar desse volume, a Venezuela representa apenas uma pequena porcentagem das importações totais de petróleo da China.

Shah indicou que qualquer intervenção dos Estados Unidos poderia fazer com que esse número caísse drasticamente, uma ação que considerou um golpe simbólico contra a China em nível global. Entretanto, ele também observou que a China continuará a ter acesso a fontes de petróleo de outros países.

Fontes Alternativas para a China

As refinarias chinesas estariam propensas a se voltarem para barris sancionados com desconto provenientes do Irã e da Rússia. Em outras palavras, a Venezuela depende mais das transações com a China do que a China depende da Venezuela, como assinalou Shuo. Ele também enfatizou que "a Venezuela é muito dependente da China como mercado, não há dúvida sobre isso".

A longo prazo, a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela pode apenas reforçar a busca da China por uma maior independência energética, impulsionando iniciativas para produzir mais energia internamente e reduzindo a dependência de fontes externas que podem ser suscetíveis a interrupções.

Investimentos em Energias Renováveis

Conforme reportado pela CNN Internacional no ano anterior, a China estava investindo na construção de 510 gigawatts de capacidade de energia solar e eólica em escala de utilidade, o que representa um acréscimo aos já impressionantes 1.400 gigawatts em operação.

Mais recentemente, em setembro, o país se comprometeu a aumentar ainda mais essa capacidade, estabelecendo a meta de atingir 3.600 gigawatts de energia eólica e solar, o que representa um crescimento de seis vezes em relação a 2020.

Além disso, a China está investindo na construção de usinas nucleares e desenvolvendo um ambicioso programa para implementar energia de fusão, uma fonte que promete ser limpa e praticamente ilimitada.

Conclusão sobre as Políticas Energéticas dos EUA e China

A China avança em direção à energia do futuro, enquanto as ações dos EUA na Venezuela refletem um foco nas energias tradicionais. "A maior economia do mundo está adotando uma abordagem de petroestado", comentou Shuo. Ele completou ainda que essa situação reforça a ideia de que os Estados Unidos estão retrocedendo na transição energética, apresentando disposição de mobilizar forças militares para atingir seus objetivos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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