Suspensão Temporária das Tarifas sobre Produtos Canadenses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite da última terça-feira (18) a suspensão, por três dias, das tarifas de 50% que seriam aplicadas a produtos provenientes do Canadá, inicialmente programadas para entrar em vigor na quarta-feira (19). Segundo Trump, a decisão foi o resultado de um acordo entre os dois países.
Confirmação do Primeiro-Ministro Canadense
Após o comunicado de Trump, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou a prorrogação das tarifas até o dia 21 de agosto, mencionando que houve “progressos substanciais”, embora também tenha destacado que ainda há um trabalho significativo a ser realizado.
Comentários sobre o Projeto Keystone XL
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump mencionou que o oleoduto Keystone XL, projeto que havia sido cancelado pelo ex-presidente Joe Biden em 2021 após intensas oposições por parte de comunidades indígenas e ambientalistas, “pode ser ressuscitado”. No entanto, Trump não forneceu informações adicionais sobre essa possibilidade.
Conversa Pós-Anúncio com o Primeiro-Ministro
A declaração de Trump ocorreu logo após uma conversa com Carney, o que marcou o segundo encontro entre os líderes na mesma semana, após um período de negociações intensas e, em grande parte, pouco transparentes.
Fontes de Discórdia nas Negociações
As tarifas impostas aos automóveis eram um dos principais pontos de discórdia entre as partes, de acordo com fontes setoriais a par das negociações. As novas tarifas americanas afetariam aproximadamente US$ 20 bilhões em importações e seriam implementadas independentemente da elegibilidade dos produtos canadenses para tratamentos preferenciais sob o acordo comercial USMCA (EUA-México-Canadá), o qual protegeu a maior parte da indústria canadense de tarifas anteriores.
Consequências Potenciais das Novas Tarifas
Especialistas em comércio e representantes do setor informam que a implementação das novas tarifas poderá resultar na perda de empregos e no fechamento de empresas em setores vulneráveis, como o de madeira, vinho e laticínios. Além disso, há preocupações de que essa disputa possa complicar negociações mais amplas relacionadas ao acordo USMCA. A CEO da Câmara de Comércio do Canadá, Candace Laing, ressaltou que “há bilhões em mercadorias por ano que não eram afetadas anteriormente, mas agora correm o risco de serem significativamente impactadas”.
Laing também enfatizou que “as empresas têm se equilibrado em uma corda bamba há mais de um ano, adiando contratações, investimentos e crescimento no Canadá”.
Negociações em Washington
Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pelo comércio com os EUA, e a negociadora-chefe Janice Charette estão em Washington desde a semana anterior para participar das negociações. Na segunda-feira (17), os representantes canadenses estiveram em reunião por quase duas horas com o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o Secretário de Comércio, Howard Lutnick.
Queixas dos EUA em Relação ao Canadá
Durante as conversas, Greer reiterou que as tarifas canadenses que surgiram após as tarifas iniciais dos EUA, a recusa de algumas províncias canadenses em comercializar bebidas alcoólicas americanas e o sistema de gestão da oferta de laticínios no Canadá foram algumas das queixas apresentadas pelos EUA. Fontes indicaram que as tarifas sobre veículos canadenses também eram um tema central da discordância.
Propostas de Ajustes nas Tarifas
As partes discutiram a possibilidade de reduzir as tarifas americanas da Seção 232 sobre veículos canadenses, passando de 25% para 15%, além de implementar reduções adicionais baseadas na quantidade de conteúdo americano presente em cada veículo.
Incertezas em Relação ao Acordo
Apesar das declarações de Trump, os detalhes do acordo anunciado permanecem ainda incertos.
Deduções Tarifárias: Um Ponto de Controvérsia
Um dos principais pontos de discórdia nas negociações foi o método de cálculo das deduções tarifárias, que são baseadas no conteúdo dos produtos. O governo de Washington queria que apenas o conteúdo produzido nos EUA fosse considerado, enquanto o Canadá defendia que todas as partes norte-americanas, incluindo componentes canadenses e mexicanos, também deveriam ser levadas em conta.
Na última terça-feira, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou novas regras que exigem que montadoras que exportam do Canadá e do México certifiquem seus níveis de conteúdo americano para deduções tarifárias. Este novo regulamento simplificou o processo de verificação, que será realizado anualmente, ao invés de duas vezes ao ano.
No entanto, o aviso do Registro Federal estipula que as montadoras devem recertificar o conteúdo americano de seus veículos até 30 de setembro, a fim de reivindicar as deduções no novo ciclo anual, que terá início em 1º de dezembro.
Uma fonte do governo canadense afirmou que todas as opções permanecem abertas no caso de as novas tarifas serem implementadas, incluindo o apoio governamental às indústrias nacionais afetadas e a possibilidade de suspender negociações comerciais bilaterais. Apesar desses desafios, a fonte expressou a esperança de que os EUA estejam preparados para chegar a um acordo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br