Copom mantém Selic em 15% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o ano de 2026 mantendo a taxa Selic no maior patamar dos últimos 20 anos. Na reunião realizada na última quarta-feira, 28 de dezembro, o Banco Central decidiu por manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, confirmando a expectativa que já havia sido precificada pelo mercado.
Avaliação do mercado sobre a decisão
Conforme informações das opções de Copom negociadas na B3 no dia da decisão, 81% dos investidores já antecipavam a manutenção dessa taxa, reforçando a perspectiva de que essa decisão já estava amplamente assimilada antes mesmo do anúncio oficial.
Contudo, a política monetária contracionista pode não se estender por muito mais tempo, conforme análise de Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research.
Expectativas do Banco Central e recomendações de investimento
Em um relatório divulgado poucas horas após a decisão do Copom, a analista indicou quais podem ser os próximos passos do Banco Central e sugeriu quatro títulos da renda fixa “premium” que podem ser aproveitados neste momento.
Detalhes no comunicado indicam expectativas futuras
Além da decisão em si, o mercado costuma analisar minuciosamente cada detalhe do comunicado emitido pelo Copom. Isso ocorre porque uma sutil mudança na escolha das palavras pode oferecer pistas sobre os próximos movimentos da autoridade monetária.
Entretanto, nesta ocasião, o Banco Central foi direto em sua comunicação. No relatório que acompanhou a decisão, a instituição retirou a menção de que a manutenção da taxa Selic se prolongaria por um período extenso e indicou que o início da flexibilização pode ocorrer já na próxima reunião, prevista para março.
Em vista desse contexto, apesar do tom conservador do comunicado, a expectativa de Lais é a de que o Banco Central inicie um ciclo de corte de juros com uma redução de 50 pontos-base, ao invés dos 25 pontos que estavam originalmente projetados.
A analista lista três razões para acreditar em um corte mais acentuado na taxa de juros:
- O índice da inflação (IPCA) apresentou resultados abaixo da sazonalidade em fevereiro;
- Houve um crescimento modesto do PIB no quarto trimestre de 2025; e
- A manutenção do câmbio em R$ 5,20.
Com base nesse cenário, Lais destaca que este é um momento favorável para investir em títulos atrelados ao IPCA+. A analista projeta uma redução dos juros reais — que correspondem ao retorno dos ativos ajustado pela inflação — motivada, entre outros fatores, pela queda da Selic.
Quatro ativos que oferecem retornos reais atrativos
Após a última decisão do Copom, a taxa de juros reais no Brasil estabeleceu-se em 9,23% ao ano. Nesse panorama, era possível encontrar algumas NTN-Bs oferecendo até IPCA + 7,62% ao ano na última quinta-feira, dia 29 de dezembro.
Entretanto, de acordo com as projeções contidas no Boletim Focus, espera-se que a Selic atinja 9,5% ao ano e o IPCA chegue a 3,5% em 2029. Diante disso, os juros reais no Brasil podem aproximar-se de 5,7% ao ano.
Assim, quem investir nesses ativos antes do início do ciclo de corte terá a oportunidade de garantir retornos não apenas acima da inflação, mas também com rentabilidade superior ao juro real.
Portanto, a carteira da analista inclui quatro títulos com rentabilidade real atrativa e com isenção de Imposto de Renda. A boa notícia é que esses títulos podem ser conhecidos pelo público de forma gratuita.
Aqueles que aceitam um risco um pouco maior do que o da renda fixa tradicional podem obter rentabilidades reais de 7,35% acima da inflação.
Ainda que a taxa esteja ligeiramente abaixo do Tesouro IPCA+, esse ativo oferece a significativa vantagem da isenção de IR, o que pode impactar positivamente na rentabilidade final do investimento.
Assim, utilizando esses títulos, é possível “travar” um retorno real, já líquidos, de 7,35% ao ano. No entanto, é importante destacar que, assim como as oportunidades surgem, elas podem também se esgotar.
Como mencionado, a expectativa da analista da Empiricus, assim como a de boa parte do mercado, é que um corte de juros já ocorra em março. Portanto, o momento ideal para investir nesses ativos é o quanto antes.
Fonte: www.moneytimes.com.br

