Um Choque de Preços Impulsionado pelo Irã Pode Alimentar a Inflação do Consumidor

Aumento histórico de preços dos insumos

Um insumo fundamental para a fabricação de roupas, produtos de beleza e outros bens de consumo experimentou um aumento histórico de preços devido à guerra no Irã.

Os preços dos petroquímicos registraram um crescimento sem precedentes durante o conflito, elevando os custos de produção de bens de consumo em diversas indústrias. A Goldman Sachs alertou que o choque nos preços dos produtos químicos representa uma pressão inflacionária global significativa que os investidores não estão levando em consideração.

O impacto na produção global

A Goldman Sachs classificou o mercado químico como a "fundação da manufatura global". O banco enfatizou que esse choque de preços histórico afetará a inflação global de maneira que os investidores não preveem adequadamente. Segundo os analistas, "A interrupção do fornecimento químico global resultante do conflito no Oriente Médio está se transmitindo de forma mais rápida e em maior magnitude do que havíamos antecipado".

Os preços dos produtos químicos subiram mais de 60% nas últimas semanas, o que representa a taxa mais rápida já registrada, de acordo com dados da Goldman. Os petroquímicos, que são derivados do petróleo e do gás natural, compõem plásticos e materiais sintéticos. Este mercado global é avaliado em US$ 5 trilhões e está presente em mais de 95% dos produtos acabados.

Produtos afetados pela alta nos preços

Esses produtos químicos são utilizados em uma variedade de bens de consumo, incluindo roupas, móveis, cuidados de saúde, beleza, automóveis, produtos farmacêuticos, eletrônicos, alimentos e bebidas. Os setores de vestuário, mobiliário e saúde estão entre os mais impactados em relação aos custos e preços de varejo. A Goldman Sachs estimou que empresas dos Estados Unidos e da Europa enfrentam um aumento médio de 11% no custo das mercadorias vendidas.

É importante ressaltar que essa estimativa considera apenas o aumento relacionado a produtos químicos, sem incluir outras categorias, como energia e transporte, que também foram inflacionadas devido à guerra. Além disso, há indícios de compressão de margens, cortes de produção e destruição da demanda, com 20% do fornecimento global de produtos químicos já fora de operação.

Vikas Dwivedi, estrategista global de óleo do Macquarie Group, afirmou à Business Insider que a destruição da demanda é "enorme". Ele acrescentou que "é muito maior do que qualquer análise atual sugere, muito além do que o mercado reconhece, o que também manteve os preços futuros do petróleo sob controle".

Cenário pessimista para o futuro

Mesmo que o conflito termine em breve, as interrupções na cadeia de suprimentos podem persistir até 2027, segundo previsões da Goldman Sachs. Os analistas não esperam alívio físico no fornecimento de produtos químicos para a Europa e Ásia até o terceiro trimestre de 2026, o que eleva o risco de uma nova alta nos preços dos produtos químicos, maior desregulação da cadeia de suprimentos e uma destruição ainda maior da demanda.

Além disso, eles observaram que, mesmo quando o Estreito de Ormuz for reaberto, os produtos químicos terão prioridade inferior em relação ao petróleo, combustíveis e fertilizantes na hora de liberar o backlog de embarques. A Goldman Sachs antecipa o impacto máximo no Estados Unidos e na Europa durante a segunda metade de 2026, embora alguns empresários possam conseguir superar a inflação com aumentos de preços.

Amplificação do choque global pelo mercado asiático

A influência de choques de fornecimento mais amplos causados pela guerra no Irã é mais evidente na Ásia. O mercado químico global é concentrado na região, o que intensifica ainda mais o impacto no mercado. Mais de 60% da produção química global está na Ásia, e o continente é responsável por 50% da manufatura global.

Os analistas enfatizaram que "a extensão da interrupção é significativa". Afirmaram também que "a Ásia, como o centro de manufatura do mundo, pode enfrentar um choque de suprimento sem precedentes recentemente observado".

A Goldman Sachs se baseou na crise energética europeia de 2022 para avaliar o impacto, mas observou que o mercado químico atual está experimentando "aumentos de preços duas vezes mais rápidos, em magnitudes duas vezes maiores e de uma forma mais global".

Fonte: www.businessinsider.com

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