Aumento da Produção de Soja nos EUA
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado nesta semana ao elevar a estimativa de produção de soja norte-americana para 116 milhões de toneladas na safra de 2025/2026. Esse número representa um aumento em relação aos 115,7 milhões de toneladas previstos em dezembro, quando a expectativa majoritária era de redução na produção.
Revisão da Produtividade e Estoques
Além do aumento na produção, a produtividade média também foi revisada para cima, desafiando a projeção de queda. Os estoques finais nos EUA ficaram bem acima do esperado, totalizando 9,5 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 20,7% em comparação com o relatório anterior.
Segundo Luiz Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, essa elevação na produção e os altos estoques indicam um cenário de ampla oferta global, especialmente com a expectativa de uma safra brasileira de 178 milhões de toneladas em 2025/2026.
“Foi um relatório surpreendente. Os estoques vieram bem acima do esperado por dois fatores: um aumento inesperado da produção e um corte mais significativo nas exportações americanas. Este cenário é claramente baixista para o mercado, considerando também a produção recorde brasileira e sul-americana. Embora ainda seja cedo para determinar um piso, no curto prazo, o mercado deve testar os US$ 10 por bushel em Chicago”, afirmou Roque ao Money Times.
A Atenção Focada na China
A China iniciou o ano de 2026 gerando incertezas em relação à carne bovina proveniente do Brasil, e a situação é similar para a soja. A principal dúvida reside na quantidade que o gigante asiático irá adquirir do Brasil e dos Estados Unidos.
“O Brasil, que teve uma superprodução, terá ainda mais oferta para a China. No entanto, há incerteza em relação ao acordo entre os EUA e a China. Especula-se compras anuais de cerca de 25 milhões de toneladas de soja americana nos próximos anos. Esse volume permanece abaixo dos melhores momentos históricos, quando a China chegou a importar até 36 milhões de toneladas dos EUA”, explicou Roque.
De acordo com a análise do especialista, caso o acordo se concretize, pode haver limitações para o crescimento das exportações brasileiras. “Ainda assim, o Brasil continuará a ser o principal fornecedor de soja para a China”, ressaltou.
O que Pode Impactar o Mercado da Soja em Chicago?
Uma possível decisão dos Estados Unidos de aumentar a mistura de biocombustíveis, esperada para o primeiro trimestre do ano, poderia agregar positivamente à demanda.
“Futuramente, a definição da área a ser plantada nos Estados Unidos também poderá influenciar. No momento, a tendência é de um leve aumento na área destinada à soja, o que teria um efeito baixista. Contudo, isso depende da relação de preços com o milho”, destacou Roque.
No Brasil, a Hedgepoint não calcula, por enquanto, um aumento na mistura de biodiesel de B15 para B16, embora essa alteração esteja prevista na Lei do Combustível do Futuro para 2026. “Considerando que se trata de um ano eleitoral, consideramos essa mudança pouco provável. Apesar de estar pré-agendada, o governo tende a evitar medidas que possam pressionar a inflação”, afirmou.
Expectativas para o Produtor Rural
As perspectivas, segundo o analista, apontam para um ano volátil e desafiador em termos de rentabilidade para os produtores rurais. “Dentro do cenário interno, o câmbio e a situação eleitoral também são fatores a serem considerados. Para o produtor, é essencial adotar estratégias de proteção. Se isso ocorrer por meio da retenção da soja ou utilização de ferramentas financeiras, depende das circunstâncias de cada um. Historicamente, aqueles que precisam vender no primeiro semestre enfrentam preços mais baixos. Por essa razão, o uso de estratégias de hedge no mercado financeiro é fundamental para a mitigação de riscos”, concluiu Roque.
Fonte: www.moneytimes.com.br


