Decisão do TRF1 e Impacto no Setor Elétrico
A 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) tomou uma decisão significativa que pode influenciar os recebimentos bilionários esperados por transmissoras de eletricidade, com foco em duas companhias: Axia Energia (AXIA6) e Isa Energia (ISAE4).
Reação do Mercado
As duas empresas já enfrentavam um período de desvalorização na bolsa de valores, e essa situação se agravou com a nova notícia. No acumulado da quarta-feira, 27 de setembro, até a sexta-feira, 29 de setembro, as ações da Axia Energia (AXIA6) apresentaram uma queda de 2,36%. Simultaneamente, os papéis da Isa Energia (ISAE4) caíram 3,17%.
Perspectiva de Analista
No entanto, Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, possui uma visão diferente sobre as ações dessas empresas. Ele acredita que ainda é prematuro fazer uma avaliação conclusiva sobre os reais impactos da situação. Por essa razão, o analista continua a recomendar um dos papéis para os investidores interessados em buscar ganhos com dividendos.
O Que Aconteceu
O TRF1 decidiu anular parte de uma portaria relacionada a indenizações bilionárias que fazem parte da Rede Básica do Sistema Existente (RBSE). Essa nomenclatura refere-se às primeiras concessões à iniciativa privada para a distribuição pública de energia elétrica, que ocorreram no início dos anos 2000.
Essas concessões envolveram um acordo a respeito de pagamentos relacionados a linhas de transmissão que já faziam parte da rede básica na época das privatizações. Em 2012, várias renovações antecipadas de contratos nesse setor foram realizadas sob a Medida Provisória 579.
A recente decisão da 7ª Turma do TRF1 foi motivada por processos judiciais ajuizados por grandes consumidores de energia e geradoras, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Essas ações foram protocoladas entre os anos de 2017 e 2018 contra a União e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O objetivo era questionar os pagamentos feitos a algumas transmissoras do setor.
As empresas mais expostas aos recebíveis da RBSE são precisamente a Axia Energia e a Isa Energia. Consoante informações da antiga Eletrobras, a Axia ainda aguarda o recebimento das últimas três parcelas anuais, estimadas em cerca de R$ 5,5 bilhões cada.
Por sua vez, a Isa Energia anunciou um total aproximado de R$ 3,8 bilhões a receber até 2028. Ambas as companhias publicaram comunicados relevantes, deixando claro que a decisão do TRF1 ainda é passível de recurso.
Com toda essa configuração, muitos investidores começam a questionar a viabilidade de manter os papéis destas empresas em suas carteiras, ou se seria mais prudente desinvestir. A perspectiva de Ruy Hungria, no entanto, sugere que ainda existem boas oportunidades, especialmente para aqueles que buscam dividendos com as ações de uma dessas empresas.
AXIA6 ou ISAE4: Em Qual Investir?
Embora a decisão tenha um impacto sobre as elétricas, Ruy Hungria salienta que “isso não muda nossa visão otimista sobre os papéis [de uma delas], dado o cenário de melhora dos preços de energia, investimentos em novos projetos, incluindo transmissão, e o aumento da capacidade de pagamento de dividendos nos próximos anos.”
Nesse contexto, entre Axia e Isa Energia, o analista decidiu manter uma das ações como recomendação em sua carteira que reúne as 8 melhores opções para quem busca dividendos atualmente.
Hungria destaca três aspectos positivos da companhia em seu relatório:
- Melhorias pós-privatização, que incluem redução de endividamento, cortes de despesas, diminuição de contingentes e venda de ativos não essenciais;
- Preço da energia, que resulta de uma combinação entre aumento da participação de fontes intermitentes e a existência de gargalos de transmissão, fatores que elevam os custos do setor. “Isso é uma situação que não deve ser revertida tão cedo”;
- Valuation, que é considerado por Hungria um dos mais atrativos entre as empresas do segmento de produção e distribuição de energia elétrica.
A carteira recomendada de dividendos da Empiricus apresenta um avanço de 28,7% neste ano, comparado a um crescimento de 16,3% do Ibovespa, o principal índice acionário do país.
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Fonte: www.moneytimes.com.br