Estimativas de Lucro da Vale
A Genial Investimentos projeta um lucro de US$ 2,61 bilhões para a Vale no terceiro trimestre de 2025, representando um aumento de 9,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os analistas atribuem esse crescimento a uma leve melhora nas operações da empresa.
Produção e Vendas de Minério de Ferro
A Vale registrou uma produção de 94,403 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro no terceiro trimestre de 2025, resultando em um crescimento de 3,8% em comparação com o mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, a companhia comercializou 85,997 milhões de toneladas de minério de ferro, o que significa um aumento de 5,1% na comparação anual e um avanço de 11,2% em relação aos três meses anteriores.
Análise dos Analistas
Os especialistas Igor Guedes, Luca Vello e Iago Souza, que assinam o relatório da Genial Investimentos, destacam que “o avanço do lucro deve ser moderado, mas positivo, impulsionado tanto pelo desempenho robusto de finos de minério de ferro e cobre quanto pelo lucro financeiro líquido”.
A projeção desses analistas para a receita líquida da Vale no terceiro trimestre de 2025 é de US$ 10,4 bilhões, um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior. Segundo a Genial, esse crescimento será impulsionado pelo aumento no volume de vendas de finos de minério de ferro e metais básicos.
Além disso, a corretora estima um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 4,31 bilhões, o que representa uma alta de 15,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Este aumento deriva da aceleração da receita juntamente à estabilidade dos custos. Os analistas afirmam: “Em síntese, acreditamos que o período apresentará uma melhora de rentabilidade ainda mais intensa que a prevista anteriormente, reforçando o efeito combinado de volumes mais fortes, custos controlados e recuperação gradual de preços”.
Projeções Alternativas
Por outro lado, a XP Investimentos tem uma visão mais conservadora. A corretora projeta um lucro de US$ 2,01 bilhões para a Vale no terceiro trimestre de 2025, resultando em uma queda de 16% em relação ao terceiro trimestre de 2024. Este número, segundo a XP, advém de um corte de 23% nos embarques no trimestre, que totalizaram 8 milhões de toneladas.
Para o Ebitda, a XP estima US$ 4,38 bilhões, um aumento de 15% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Projeções da Ágora Investimentos
A Ágora Investimentos estima um lucro líquido de US$ 2,54 bilhões para o terceiro trimestre, um crescimento de 5,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A corretora atribui essa melhora à produção da Vale, que alcançou 94,4 milhões de toneladas de minério de ferro.
Os analistas afirmam que os resultados devem refletir os volumes incrementais das operações em Capanema e Vargem Grande. Além disso, esperam que as vendas de minério de ferro e pelotas totalizem 86 milhões de toneladas, com a diferença em relação à produção sendo explicada pela estratégia da Vale de concentrar mais volumes na China.
Dividendos Extraordinários da Vale
Os analistas destacam que um dos principais pontos a serem analisados no balanço do trimestre são os dividendos extraordinários. Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, menciona que a companhia tem buscado recomprar alguns de seus títulos de dívida, o que pode restringir o Fluxo de Caixa Livre (FCF) e limitar a distribuição de dividendos extraordinários nos próximos 12 meses.
Por outro lado, ele também comentam que essa compra pode abrir caminho para a distribuição de proventos a longo prazo. A empresa declarou anteriormente que, caso o endividamento caísse de US$ 17,4 bilhões para US$ 15 bilhões, a distribuição de dividendos extraordinários se tornaria viável. O nível ideal de endividamento para a empresa é na faixa de US$ 10 bilhões, embora fazer progressos até US$ 15 bilhões também poderia permitir o pagamento de dividendos adicionais.
Em resumo, o indicador de endividamento do terceiro trimestre de 2025 é um fator crucial a ser observado no balanço trimestral, especialmente para investidores interessados em renda passiva.
Uma das possíveis notícias que pode fortalecer o caixa e reduzir o endividamento da empresa é o montante de US$ 1 bilhão que foi recebido em setembro pela venda da Aliança Energia. A mineradora assegura que essa transação impactará positivamente o endividamento, atraindo a atenção para os dividendos extraordinários.
Os analistas ressaltam que a empresa também diminuiu suas projeções de investimento, o que pode liberar ainda mais caixa. Contudo, as incertezas relacionadas à China e à guerra tarifária podem gerar dúvidas sobre a demanda. Assim, os resultados do terceiro trimestre podem indicar se a empresa está mais próxima de viabilizar a distribuição de dividendos extraordinários, embora não se possa afirmar com certeza que eles ocorrerão.
Projeções de Dividend Yield
Tanto a Ativa Investimentos quanto a XP acreditam que o rendimento em dividendos da Vale deverá ser de 6,5% nos próximos 12 meses. O cenário de incerteza sobre a economia chinesa, em meio à guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos, é um fator que pode resultar em pagamentos de dividendos menores.
A Ágora Investimentos, por sua vez, prevê um dividend yield de 7,2% para os próximos 12 meses. Os analistas desta corretora acreditam que há a possibilidade de dividendos extraordinários da Vale serem pagos no final do segundo semestre de 2025, uma vez que a empresa reduziu seus investimentos, que podem ficar abaixo dos US$ 6 bilhões. Isso reforça a postura disciplinada da Vale em relação à alocação de capital.
O analista Renato Chanes, que assina o relatório da Ágora, declara: “Portanto, reiteramos nossa recomendação de compra para VALE3 e percebemos um potencial crescente para novos dividendos extraordinários e recompras neste segundo semestre de 2025. A ação é nossa principal recomendação dentro da cobertura de Mineração e Siderurgia”.
Recomendações e Preços-Alvo para VALE3
A Ágora recomenda compra da ação com um preço-alvo de R$ 78 para os próximos 12 meses, um aumento de 26,5% em relação ao fechamento do dia 27, quando VALE3 terminou o pregão a R$ 61,66.
A Genial Investimentos também recomenda a compra, com um preço-alvo de R$ 70 para os próximos 12 meses, o que representaria um aumento de 13,52% em comparação ao último fechamento. A corretora reforça que o minério de ferro tem se mostrado resiliente, mesmo em um cenário macroeconômico global desafiador.
Os analistas afirmam ainda que a precificação do minério de ferro está resistindo a movimentos depreciativos, mesmo em um ambiente macroeconômico conturbado, que inclui a recente possibilidade de aplicação de uma tarifa de 158% pela administração Trump contra a China devido ao controle de exportação de metais de terras raras, o que é um fator relevante para o desempenho das ações.
A XP Investimentos classifica a ação VALE3 com recomendação neutra e estabeleceu um preço-alvo de R$ 66,00 para os próximos 12 meses, o que implicaria uma alta de 7,03% em comparação ao fechamento do dia 27. A Ativa Investimentos também avalia a ação com recomendação neutra, com um preço-alvo de R$ 65, representando um crescimento de 5,41% em relação ao último fechamento.
Os analistas da Ativa comentam que “o papel já tem uma valorização superior a 10% em 2025, tendo eliminado o desconto em relação a pares internacionais como Rio Tinto e BHP”.
Em resumo, o balanço da Vale no terceiro trimestre de 2025 deverá revelar potenciais caminhos para a empresa pagar dividendos extraordinários, além de avaliar se a redução dos embarques foi compensada pela melhora na produção e pelos preços realizados. Apesar das incertezas, as ações estão sendo negociadas nas máximas do ano.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br
