Ibovespa e Expectativas para 2023
No mês de abril, o Ibovespa se aproximou de uma marca histórica ao alcançar os 200 mil pontos. Em um curto espaço de tempo, esse índice conseguiu superar as previsões de bancos e corretoras para o ano.
O grande impulsionador desse movimento positivo foi, mais uma vez, o investidor estrangeiro. Contudo, um aumento rápido no índice também pode resultar em correções rápidas. Em questão de semanas, o índice apresentou uma devolução parcial de seus ganhos, estabelecendo-se novamente na faixa dos 180 mil pontos, onde permanece atualmente. Essa situação pode ser interpretada como um sinal de alerta ou uma oportunidade?
Conforme a análise dos especialistas, investidores estrangeiros utilizaram a forte alta do índice para realizar lucros, resultando em um desempenho menos vigoroso que o de mercados desenvolvidos e até de outros emergentes. Ao final do mês, o Ibovespa totalizou uma baixa de 0,08%.
Na perspectiva do BTG, uma leve deterioração do ambiente econômico e político contribui para a explicação dessa correção.
Expectativas de Inflação e Juros
As expectativas em relação à inflação aumentaram em razão da guerra, da pressão no mercado de trabalho e da resiliência da atividade econômica. Isso levou os investidores a diminuírem suas apostas em cortes de juros para o ano. Inicialmente, o mercado projetava uma< strong> Selic terminal de 12%; no entanto, essa expectativa foi elevada para 13%. Apesar dessa mudança, o BTG acredita que a taxa permanecerá em 10,5% até 2027.
Mercado Mais Seletivo
A Ágora afirma que, após um período de excessivo otimismo — e até mesmo de certa complacência — verificado no início do ano, a recente dinâmica do Ibovespa indica uma diminuição do apetite por riscos, especialmente entre os investidores estrangeiros.
Entretanto, isso não sugere uma reversão de tendência, mas sim um mercado que se torna mais seletivo, tático e dependente de fatores domésticos como catalisadores.
Na prática, investidores globais podem estar apenas ajustando seus portfólios, buscando alocação em outros setores. “O setor financeiro, por exemplo, tem experimentado uma saída gradual de recursos, enquanto commodities e setores mais cíclicos, sensíveis a juros, têm se beneficiado com os fluxos que ingressam”, explicam os analistas.
Expectativas para Maio
Na análise da Ágora, maio costuma apresentar três características principais:
- Ajustes de expectativas para o segundo semestre, baseados nos resultados corporativos e na diretriz da economia;
- Fortes influências da temporada de balanços;
- Maior impacto do fluxo de investimentos estrangeiros, visto que este mês frequentemente coincide com rebalanceamentos de índices globais, como o MSCI.
“Ainda notamos um espaço para uma alocação estrangeira marginalmente maior, porém de maneira mais criteriosa e focada em histórias individuais”, avalia a corretora.
Avaliação do Ibovespa
Depois de crescer mais de 14% no ano, o Ibovespa não é considerado uma pechincha, segundo a Ágora. Atualmente, o índice está sendo negociado próximo de 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, alinhando-se com a média histórica dos últimos dez anos.
Apesar disso, a corretora permanece otimista devido a um motivo simples: a possibilidade de um ciclo de redução de juros que pode reacender a bolsa. Ademais, um eventual novo boom das commodities e fatores sazonais, como as eleições de outubro, continuam sendo monitorados.
Por outro lado, o BTG considera a bolsa brasileira ainda atrativa. Quando se exclui a Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3), o Ibovespa é negociado a 10,4 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, permanecendo praticamente estável em relação ao mês anterior e com um desconto de 14% em comparação à média histórica.
Incorporando Petrobras e Vale, o múltiplo cai para 8,8 vezes o lucro projetado para 12 meses.
Atraente para investidores que dispõem de um custo de capital mais baixo e precisam manter exposição ao mercado acionário, o Brasil ainda oferece oportunidades. Já o investidor local enfrenta uma situação mais complexa: com os altos juros, os títulos públicos de longo prazo continuam a representar uma forte concorrência para as ações.
Recomendações de Ações
Em busca de orientações sobre o que comprar, o Money Times compilou carteiras recomendadas por bancos e corretoras, objetivando identificar as ações mais indicadas no mercado. O levantamento incluiu 18 carteiras, resultando em um total de 175 recomendações e 59 ações diferentes.
As instituições consultadas para essa análise incluem: BB Investimentos, Empiricus Research, BTG Pactual, Safra, Ágora Investimentos, RB Investimentos, Itaú BBA, XP Investimentos, Terra Investimentos, Ativa Investimentos, Banco Daycoval, Rico Investimentos, Santander, Monte Bravo Investimentos, EQI Investimentos, Genial Investimentos e Andbank.
Na tabela a seguir, estão listadas as empresas com seu respectivo ticker e o número de indicações recebidas:
| Empresa | Ticker | Nº de Indicações |
|---|---|---|
| Vale | VALE3 | 11 |
| Axia | AXIA3 | 11 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 9 |
| Petrobras | PETR4 | 9 |
| Localiza | RENT3 | 8 |
| Equatorial | EQTL3 | 7 |
| Bradesco | BBDC4 | 6 |
| Prio | PRIO3 | 5 |
| Sabesp | SBSP3 | 5 |
| BTG Pactual | BPAC11 | 5 |
| Itaúsa | ITSA4 | 5 |
| Rede D’Or | RDOR3 | 5 |
| RD Saúde | RADL3 | 5 |
| Nubank | ROXO34 / NU | 4 |
| Eneva | ENEV3 | 4 |
| Copel | CPLE3 | 4 |
| Embraer | EMBR3 | 4 |
Vale: Uma Oportunidade em Queda?
A Vale compartilha a liderança nas recomendações de ações com a Axia, mesmo após a variação de preços observada em abril, marcada pela realização de lucros e pela maior volatilidade gerada pela guerra.
Segundo a XP, apesar dos preços de minério e metais permanecerem em patamares saudáveis, o mercado tornou-se mais cauteloso, dadas às avaliações ajustadas.
“Acreditamos que uma postura mais favorável ao acionista, através de dividendos e recompra de ações, deve sustentá-la, além de ser uma ação que provavelmente se beneficiará de um retorno dos fluxos para emergentes”, afirmam os analistas.
Axia: Destaque no Setor Elétrico
As ações da Axia acumulam uma notável valorização em 2025, superando o desempenho geral do Ibovespa.
Apesar disso, a Ágora acredita que há ainda potencial para aumento nos preços das ações. “A assimetria continua positiva para a tese de reprecificação dos custos de eletricidade de longo prazo aos quais a empresa está exposta”, observam os analistas.
As projeções da corretora consideram um preço de energia de longo prazo em R$ 230 por MWh, líquido de impostos, que ainda está consideravelmente abaixo do custo marginal de expansão estimado em cerca de R$ 300 por MWh.
“Essa trajetória, aliada ao perfil voltado para pagamento de dividendos e à elevada liquidez das ações, deve continuar atraindo investidores”, concluem.
Perspectiva para a Petrobras
Mesmo após atingir novas máximas recentemente, a Petrobras (PETR4) ainda apresenta uma relação risco-retorno considerada atrativa, de acordo com o BTG.
Os analistas ressaltam dois aspectos principais:
- A companhia é uma das poucas grandes petroleiras integradas de mercados emergentes, com uma produção de baixo custo proveniente do pré-sal;
- Continua sendo uma forma importante de exposição às eleições brasileiras através do mercado acionário.
O BTG projeta um preço do Brent em US$ 82 por barril, mantendo preços de combustíveis estáveis, assim como a continuidade de subsídios ao diesel até o segundo trimestre de 2026.
Para investidores que priorizam dividendos, a instituição estima um yield de geração de caixa (FCFE) de 10,5% e um dividend yield de 8,5% para 2026, índices que superam a média global do setor, que varia entre 5% e 6%.
Itaú Unibanco como Preferido entre os Bancos
Conforme análise do Santander, o Itaú Unibanco (ITUB4) permanece sendo o banco preferido na bolsa de valores. Recentemente, a instituição aumentou o preço-alvo da ação para R$ 50 até 2026 e reiterou sua recomendação de compra.
A expectativa é que haja uma aceleração gradual na carteira de crédito, especialmente após a estabilização da inadimplência.
Os analistas também preveem um crescimento de dois dígitos na margem financeira (NII).
“Acreditamos que um novo ciclo de crédito normalmente resulta em um aumento das receitas com serviços bancários, o que pode representar um risco positivo para nossas projeções”, concluem.
Fonte: www.moneytimes.com.br