Venda de ativos nos EUA diminui dívida, mas afeta resultados; saiba mais sobre o impacto – BBI

Venda de Ativos nos Estados Unidos

A venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, situados no Texas (EUA), por um valor total de US$ 139 milhões (equivalente a R$ 716 milhões), foi anunciada pela MRV & Co (MRVE3) na noite da última segunda-feira (22). Segundo a análise realizada pelo Bradesco BBI, essa operação deve ter um impacto negativo no resultado de curto prazo da companhia.

Impactos Financeiros e Análise do Bradesco BBI

O relatório do banco classificou a situação como “mista”. Enquanto a venda contribui para a redução da dívida da empresa, os descontos aplicados na negociação indicam uma perda de valor dos ativos, o que pressiona diretamente o lucro da companhia.

No pregão desta terça-feira (23), as ações da MRV, que estão listadas no índice Ibovespa, abriram em queda. Por volta das 10h40 (horário de Brasília), as ações apresentavam uma desvalorização de aproximadamente 0,9%, sendo negociadas a R$ 4,91.

Perda Estimada e Desempenho da Dívida

Em análise mais detalhada, o BBI apontou que o desconto de cerca de 26% em relação ao valor contábil dos ativos poderá resultar em uma perda estimada de US$ 49 milhões, já ajustada por impairment que deverá ser realizado em julho de 2025. Esse impacto deverá ser refletido no resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26).

Por outro lado, a instituição financeira ressaltou que a transação auxiliará na diminuição da dívida líquida da empresa em aproximadamente 7,5%. Além disso, haverá uma leve melhora no indicador de covenants, que deverá recuar de 0,58 para 0,53, ficando abaixo do limite de 0,65.

A conclusão do negócio está planejada para julho e inclui um depósito não reembolsável de US$ 12 milhões.

Progresso nos Desinvestimentos nos EUA

Desde que iniciou seu plano de desalavancagem na subsidiária Resia nos Estados Unidos, em dezembro de 2024, a MRV & Co já efetuou a venda de ativos e empreendimentos que totalizam US$ 380 milhões.

Ainda assim, conforme indicado pelo BBI, a unidade norte-americana mantém aproximadamente US$ 585 milhões em ativos, dos quais cerca de US$ 476 milhões devem ser vendidos até 2027, o que traz inseguranças sobre possíveis novos prejuízos.

O banco observou que o mercado parece já incluir parte desse risco na avaliação das ações, que estão sendo negociadas por cerca de 0,5 vez o valor patrimonial (P/VPA).

Preocupações com Novos Prejuízos

Em seu relatório, o BBI expressou a crença de que a atual avaliação em desconto da empresa indica preocupações sobre potenciais prejuízos adicionais que podem advir da venda de projetos, assim como uma possível interrupção das operações nos Estados Unidos. Isso afetaria a previsibilidade dos resultados nos anos de 2026 e 2027, além de desancorar as estimativas de consenso do mercado.

Futuro da Resia

Durante o evento MRV Day, ocorrido em março, o copresidente do grupo, Rafael Menin, informou que a subsidiária norte-americana deve operar sob um novo formato no futuro, embora ainda não existam definições claras sobre eventual encerramento ou reestruturação.

“A Resia não deixará de existir. Ela continuará a existir em outro modelo societário. Entretanto, haverá um momento em que os acionistas não terão mais os ativos da Resia nessa estrutura”, afirmou na ocasião.

Ele também admitiu que a empresa cometeu erros ao tentar expandir múltiplas frentes de atuação simultaneamente, o que aumentou a complexidade do conglomerado.

Resultados Financeiros e Foco no Brasil

É pertinente destacar que a Resia reportou um prejuízo de US$ 260 milhões em 2025, um valor que supera a perda de US$ 69,8 milhões registrada em 2024.

“Reconhecemos que cometemos falhas na execução [nos EUA]. Abrimos várias frentes simultaneamente. O foco da administração, doravante, será nas operações brasileiras”, explicou Menin.

O diretor financeiro (CFO), Ricardo Paixão, também abordou a unidade internacional, sinalizando os desafios que a expansão trouxe para a estrutura do grupo.

“Na Resia, tivemos alguns acertos e erros, e os equívocos contribuíram para que a empresa acumulasse um balanço desproporcional e uma dívida elevada. Diante desse endividamento excessivo, é necessário que mantenhamos atenção, por isso estamos promovendo desinvestimentos”, destacou Paixão, acrescentando que essa estratégia não deve ser interpretada como uma descontinuação – pelo menos por enquanto.

Perspectivas Futuras e Estratégia de Desalavancagem

O executivo enfatizou: “Não chamaria isso de liquidação, mas sim de desalavancagem. As escolhas futuras podem incluir a venda do negócio como um todo, uma cisão, parcerias, spin-off ou até mesmo a liquidação. Entretanto, neste momento, é prematuro rotular essa situação.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

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