No Brasil, os mercados acompanham as articulações em torno da anistia no Congresso, que ganham força diante da percepção de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderá ser condenado no Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma o julgamento na próxima semana. Esse cenário é analisado com atenção por investidores e analistas, que observam os desdobramentos políticos e suas possíveis repercussões no mercado.
Paralelamente, os números da balança comercial do Brasil e dos Estados Unidos serão monitorados em um dia marcado por leilões de Letras do Tesouro Nacional (LTN, títulos prefixados) e Nota do Tesouro Nacional série F (NTN-F, um tipo de título de renda fixa) do Tesouro. Esses dados são cruciais para entender a dinâmica das contas externas e podem influenciar a movimentação do mercado financeiro.
A agenda também inclui os Índices de Gerentes de Compras (PMIs) nos EUA e os discursos de dois dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano): o presidente do Fed de Nova York, John Williams, e o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee. As falas desses dirigentes são esperadas para fornecer pistas sobre a política monetária do país e como ela poderá se ajustar às condições econômicas.
Ibovespa hoje: o que você deve ficar atento nesta quinta-feira (4)
Bolsas globais operam sem direção à espera da prévia do payroll
Os contratos futuros das bolsas de valores de Nova York apresentam um fôlego curto e as bolsas europeias operam sem uma direção clara. A expectativa está centrada no relatório ADP, considerado uma prévia do payroll, que pode ajustar as apostas sobre um possível corte de juros nos EUA. Isso ocorre após a pesquisa Jolts ter mostrado resultados aquém do que era esperado, gerando incertezas no mercado.
As projeções indicam que os dados publicados hoje podem mostrar uma desaceleração no crescimento de empregos no setor privado, com uma expectativa de criação de 85 mil novas vagas em agosto, em comparação às 104 mil de julho. No entanto, a atenção principal se volta para o payroll que será divulgado na sexta-feira (5), uma vez que ele pode fornecer o ajuste final nas expectativas em torno da política dos Fed funds (taxas de juros básicas do país) deste mês.
A situação é ainda mais complexificada pelos reveses enfrentados pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Após um tribunal de apelações determinar que a maioria das tarifas criadas pelo ex-presidente eram ilegais, a administração atual busca reverter essa decisão na Suprema Corte. Além disso, uma juíza federal em Boston anulou um corte de aproximadamente US$ 2,6 bilhões de financiamento destinado à Universidade de Harvard, uma decisão também relacionada a ações durante a presidência de Trump. Na quarta-feira (3), um tribunal de apelações decidiu que Trump não poderia invocar uma lei de guerra do século XVIII para acelerar deportações de imigrantes.
BC rejeita compra do Master pelo BRB
Na quarta-feira (3), o Banco Central do Brasil reprovou a proposta de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Essa decisão foi tomada após pouco mais de cinco meses de análise, culminando em um indeferimento da operação que havia sido anunciada no dia 28 de março. O BRB tinha se comprometido a adquirir uma participação no Banco Master, mas, para que esse processo se concretizasse, era necessária a autorização do Banco Central, a qual não foi concedida.
O desfecho desta operação gerou certa polêmica no mercado, destacando preocupações sobre a saúde financeira de instituições bancárias e a regulamentação do setor. A requisição de aquisição e o subsequente indeferimento refletem os desafios enfrentados por bancos em um cenário econômico em transformação.
Commodities hoje: petróleo recua mais de 1% enquanto minério sobe
Os contratos futuros de petróleo continuam em baixa, ampliando as perdas de mais de 2% observadas na sessão anterior. Essas perdas são influenciadas por relatos de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) poderá considerar um aumento em sua oferta durante uma reunião programada para o fim de semana. Nesta manhã, o barril de petróleo WTI para outubro apresentava queda de 1,25%, valendo US$ 63,17, enquanto o barril do Brent para novembro recuava 1,18%, sendo cotado a US$ 66,80.
No que se refere às commodities de hoje, o minério de ferro fechou com uma valorização de 1,67%, atingindo o contrato futuro para janeiro de 2026, na Bolsa Dalian, na China, sendo cotado a 791,5 yuans, equivalente a US$ 110,80 por tonelada. Este desempenho aponta para uma possível recuperação dos preços do minério em um contexto de aumento na demanda global e ajustes na oferta.
Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores adquiram ações de empresas não norte-americanas nos Estados Unidos) da Vale (VALE3) apresentavam alta de 0,88% no pré-mercado de Nova York. Em contrapartida, os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) registravam uma queda de 0,49%.
O que esperar para o Ibovespa hoje?
O desempenho contido das bolsas no exterior pode impactar o Índice Bovespa nesta quinta-feira, especialmente devido à recente queda nos preços do petróleo e uma agenda local considerada fraca. O EWZ, principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, estava em alta de 0,28% no pré-mercado desta manhã. No entanto, os investidores se mantêm cautelosos.
O apetite por investimentos pode ser reduzido, mesmo com as captações que estão ocorrendo na sequência de uma emissão externa pelo Tesouro Nacional. A Suzano (SUZB3) confirmou uma captação externa de US$ 1 bilhão por meio da emissão de bonds no cenário internacional.
O dólar apresenta um movimento sem direção firme no exterior, mas os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida pública dos Estados Unidos) estão em queda, o que pode influenciar as expectativas para os juros futuros. Essas variações devem ser analisadas de perto pelos investidores, que estão atentos aos desdobramentos e temas relevantes.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), confirmou que a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que apresenta alternativas ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), deve ser votada no Senado durante a semana compreendida entre 22 a 26 de setembro. Este tema é crucial para o planejamento fiscal e econômico do país.
Essas informações e outros dados relevantes do dia estarão na mira dos investidores e podem afetar as operações na bolsa de valores brasileira, impactando o Ibovespa hoje.

