Troca de Mensagens entre Vorcaro e Primo Revela Novos Detalhes sobre Suspeitas de Corrupção
A recente troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro, trouxe à tona informações que, segundo a Polícia Federal, esclarecem como ocorriam os supostos pagamentos de propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Essas transações estariam ligadas ao favorecimento dos interesses de Vorcaro no Congresso Nacional.
Operação Compliance Zero e Ações da PF
Ao longo da manhã desta quinta-feira, 7, o senador Ciro Nogueira se tornou alvo de busca e apreensão como parte da nova fase da Operação Compliance Zero. Além disso, a Justiça decretou a prisão temporária de Felipe Vorcaro.
Em resposta às acusações, a defesa de Ciro Nogueira declarou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas”, especialmente no que se refere à sua função como parlamentar.
Investigações sobre Pagamentos à BRGD S.A.
Conforme a investigação em curso, Felipe Vorcaro questionou Daniel sobre a continuidade dos “pagamentos mensais ao ‘pessoal que investiu’” na empresa BRGD S.A., a qual está sediada em Nova Lima, Minas Gerais, e dirigida oficialmente por Oscar Vorcaro, pai de Felipe.
A Polícia Federal considera a BRGD uma das principais fontes dos recursos que sustentavam o esquema, o qual incluía pagamentos mensais que poderiam chegar a até R$ 500 mil ao senador.
Parceria Estratégica para Recursos ao Senador
Os investigadores apontam que a BRGD foi utilizada para facilitar repasses mensais ao parlamentar e ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro (PL) por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”.
A empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. era formalmente dirigida por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, que também sofreu ações de busca e apreensão. Até o momento, a defesa de Raimundo não fez comentários sobre os fatos.
Diálogos e Suspeitas Relacionadas ao Senador
Em março deste ano, o jornal Estadão divulgou que a Polícia Federal havia encontrado, no celular de Daniel Vorcaro, diálogos com o senador e ordens de pagamento direcionadas a uma pessoa identificada apenas como Ciro, sem sobrenome. Na oportunidade, Ciro Nogueira admitiu conhecer Vorcaro, mas negou qualquer proximidade e rejeitou as alegações de que teria recebido pagamentos.
A representação da Polícia Federal descreve Felipe Vorcaro como parte integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa investigada.
Benefícios e Gastos Suspeitos
A investigação também revela que Vorcaro teria disponibilizado ao senador um imóvel de alto padrão por tempo indeterminado. Além disso, ele teria custeado hospedagens, deslocamentos e até viagens internacionais luxuosas.
Entre os gastos mencionados, estão incluídas estadias no Park Hyatt New York, refeições em restaurantes de alta gastronomia, e despesas atribuídas ao senador e à sua acompanhante. A Polícia Federal também enfatiza a entrega de um cartão específico para o pagamento de despesas pessoais do parlamentar.
Autorização e Mandados da PF
A operação realizada nesta quinta-feira foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que também determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 18,8 milhões. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu dez mandados de busca e apreensão, além de um mandado de prisão temporária, abrangendo os Estados do Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.
Nota da Defesa de Ciro Nogueira
Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira:
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos. Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”
Fonte: www.moneytimes.com.br