Wall Street apresentou um desempenho misto na quinta-feira, dia 25, com um relatório de lucros muito acima do esperado da Micron Technology, que impulsionou o setor de tecnologia a uma nova máxima histórica intradiária. Enquanto isso, anúncios de aumento de preços da Apple e da Microsoft pressionaram o Nasdaq para baixo durante a sessão.
Além disso, os mercados também repercutiram a mais recente leitura do indicador de inflação preferido do Federal Reserve, que veio mais elevada do que os investidores esperavam, reforçando a percepção de que cortes nas taxas de juros ainda estão distantes.
O que movimentou os mercados
O índice Dow Jones Industrial Average encerrou o dia com 51.920,62 pontos, registrando uma alta de 71,72 pontos, ou 0,14%, à medida que empresas cíclicas e industriais compensaram a fraqueza observada nas grandes empresas de tecnologia. O S&P 500 teve praticamente nenhuma alteração, fechando estável em 7.357,49 pontos, com uma leve queda de apenas 0,01%. Já o Nasdaq Composite enfrentou pressão no setor de tecnologia, recuando 0,46%, para 25.358,60 pontos.
O principal evento macroeconômico do dia foi a divulgação do índice de preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE), a medida de inflação mais observada pelo Federal Reserve.
O PCE cheio registrou uma taxa anual de 4,1%, o maior nível desde abril de 2023. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, alinhando-se com as previsões, mas sem aliviar as preocupações relacionadas ao cenário inflacionário.
Com a inflação subjacente ainda muito acima da meta de 2% do Fed, os dados quase eliminaram qualquer expectativa de um corte nas taxas de juros no curto prazo. O rendimento do Treasury de 10 anos, por sua vez, recuou ligeiramente, atingindo 4,394%, enquanto os investidores avaliavam as implicações dos números.
Para agravar ainda mais o cenário, as empresas Apple (NASDAQ:AAPL) e Microsoft (NASDAQ:MSFT) anunciaram aumentos de preços em produtos de hardware importantes, citando a elevação dos custos dos chips de memória e armazenamento.
A Apple comunicou que elevará os preços de alguns modelos de MacBooks e iPads em até US$ 300. Já a Microsoft planeja aumentar os preços dos consoles Xbox Series X e Series S entre US$ 100 e US$ 150 a partir de 1º de agosto, sendo este o terceiro reajuste de preços do console, além de descontinuar completamente a versão de 2 TB.
Ambas as empresas atribuíram essas decisões à rápida expansão dos data centers voltados à inteligência artificial, fatores que têm intensificado a escassez de semicondutores e elevado os custos dos insumos.
Destaques do mercado
A Micron Technology (NASDAQ:MU) teve um incremento significativo de 17%, após divulgar resultados do terceiro trimestre fiscal que superaram as expectativas de Wall Street. A fabricante de chips de memória projetou receita de cerca de US$ 50 bilhões para o trimestre que se encerrará em agosto, valor muito acima da estimativa dos analistas, que era de US$ 43,2 bilhões. Além disso, a Micron anunciou 16 novos contratos de fornecimento de longo prazo. Esse relatório foi amplamente interpretado como um indício de que a demanda impulsionada pela inteligência artificial representa uma mudança estrutural no mercado de memória, ao que a Micron respondeu com um enfático “sim”.
A Apple (NASDAQ:AAPL) viu suas ações recuarem 6,35% após anunciar o aumento dos preços de MacBooks e iPads, sob as mesmas pressões de custos que também afetam a Micron. Embora a linha de iPhones não tenha experimentado alterações de preço, investidores ficaram preocupados com o sinal de que as margens de hardware estão sob pressão, mesmo na empresa mais valiosa do mundo.
A Microsoft (NASDAQ:MSFT) também apresentou uma queda de 3,78% após anunciar seu aumento de preços para os consoles Xbox. A empresa alegou que os custos de memória e armazenamento dos consoles mais que dobraram e devem mais que dobrar novamente até o fim de 2027, confirmando a percepção de que a expansão da infraestrutura de inteligência artificial está criando distinções entre vencedores e perdedores em todo o setor de tecnologia.
A Bio-Techne Corp (NASDAQ:TECH) teve um aumento significativo, próximo a 20%, após a Merck anunciar a aquisição da empresa de ferramentas para ciências da vida, em um negócio avaliado em US$ 11,3 bilhões, trazendo uma notícia positiva sobre fusões e aquisições em um dia caracterizado pela volatilidade das ações de crescimento.
A Qualcomm (NASDAQ:QCOM) avançou 10% depois que sua administração dobrou a projeção de receita proveniente de negócios fora do segmento de smartphones para os próximos três anos. Essa iniciativa sinaliza que a estratégia da fabricante de chips de expandir sua atuação para os setores automotivo, industrial e de computação de borda com inteligência artificial está ganhando força entre os investidores.
Perspectivas
Com a divulgação do PCE de junho, os investidores agora voltam sua atenção para a próxima reunião de política monetária do Federal Reserve e para quaisquer novas sinalizações sobre a velocidade de eventuais cortes nas taxas de juros.
A narrativa em torno dos chips de memória deve continuar a dominar as manchetes, sendo que os resultados extraordinários da Micron e os aumentos de preços anunciados pela Apple e Microsoft representam dois lados da mesma moeda. Como consumidores e empresas reagirão aos preços mais elevados dos equipamentos será um fator monitorado de perto.
Num cenário paralelo, a temporada de balanços ganhará força nas próximas semanas. Com o Nasdaq sob pressão das grandes empresas do grupo conhecido como “Magnificent 7”, o próximo movimento de alta do mercado pode depender da capacidade das demais empresas do S&P 500 de manter os ganhos apresentados.
Fonte: br.-.com