XP Investimentos e o Setor de Saúde
A XP Investimentos iniciou a cobertura do setor de saúde com uma perspectiva otimista, considerando que 2026 será um ano favorável para a maioria das empresas do setor.
De acordo com informações da corretora, o setor apresenta atualmente um desconto atraente de aproximadamente 40% em relação à sua média histórica de preço/lucro (P/L), levando em conta as estimativas para 2027. Isso ocorre mesmo diante de resultados robustos, que refletem em parte um ciclo favorável para as operadoras de planos de saúde.
Escolhas Principais da XP
Entre as principais escolhas da XP, destacam-se a Rede D’Or (RDOR3) e a BradSaúde (SAUD3). Essas escolhas são justificadas pela presença de catalisadores operacionais de curto prazo, disciplina no provisionamento de sinistros (IBNR), o que permite absorver uma possível volatilidade, e pelas estratégias sólidas de crescimento de longo prazo.
Riscos Associados ao Setor
A XP também identificou alguns riscos associados ao setor, que incluem:
- aumento do desemprego;
- intensificação da concorrência de preços, que pode resultar em uma maior compressão das margens;
- regulação mais severa dos planos de saúde corporativos.
A corretora considera que o segmento de saúde, por sua natureza cíclica, passa por três fases distintas: a fase de forte desempenho operacional, a fase de intensificação da concorrência de preços e compressão das margens, e um período de rentabilidade insustentável, que se segue a um retorno a um comportamento de preços mais “racional”.
Segundo a corretora, “acreditamos que o setor está em transição para uma fase de intensificação da concorrência. Apesar de ainda apresentar resultados sólidos, já se observa uma crescente pressão sobre os preços, que começam a impactar o crescimento dos prêmios. Historicamente, cada uma dessas fases tem uma duração aproximada de dois anos”. A XP estima que, embora a competição tenha aumentado em 2025, 2026 deve se manter operacionalmente resiliente.
A corretora também passou a acompanhar outras empresas do setor, incluindo Hypera (HYPE3), Fleury (FLRY3), Dasa (DASA3), Mater Dei (MATD3), Blau Farmacêutica (BLAU3) e Qualicorp (QUAL3).
Recomendações e Preços-Alvo
| Ação | Preço-alvo novo (R$) | Potencial de valorização (%) | Recomendação |
|---|---|---|---|
| RDOR3 | 45 | 35 | Compra |
| SAUD3 | 17 | 30 | Compra |
| HYPE3 | 27 | 34 | Compra |
| FLRY3 | 17 | 15 | Neutra |
| DASA3 | 4 | 50 | Compra |
| MATD3 | 6,5 | 37 | Compra |
| BLAU3 | 13 | 34 | Compra |
| QUAL3 | 2 | 16 | Neutra |
Avaliação da BradSaúde
De acordo com a análise da XP, uma transformação estrutural em direção a um operador de saúde mais diversificado posiciona a BradSaúde para apresentar resultados mais consistentes. Essa estratégia é apoiada por uma escala significativa, forte capitalização financeira e uma abordagem disciplinada na subscrição.
A corretora observa que “o potencial de valorização deve vir da aceleração nas parcerias com prestadoras e da possibilidade de uma reavaliação dos múltiplos, atualmente em níveis descontados”.
A XP também estima que a BradSaúde conta com um excesso de provisões de cerca de 8 pontos percentuais, o que deve sustentar o índice de sinistralidade (MLR, na sigla em inglês) por cerca de um ano, mesmo em um ambiente competitivo mais desafiador.
Desempenho da Rede D’Or
Para a XP, o processo de maturação dos ativos da Rede D’Or deve facilitar uma expansão gradual das margens. Além disso, a SulAmérica acrescenta uma camada de resiliência à operação, tendo um excesso de provisionamento de IBNR estimado em 13%, que ajuda a estabilizar o índice de sinistralidade no curto prazo.
Embora a Rede D’Or esteja sendo negociada a um prêmio de 12 vezes o múltiplo P/L estimado para 2027, a taxa de crescimento dos resultados da companhia, projetada em 20% ao ano, de 2025 a 2028, sustenta a visão otimista da XP em relação à empresa.
Fonte: www.moneytimes.com.br