Zema não descarta aliança com Caiado
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, Romeu Zema, declarou que não descarta a possibilidade de formar alianças ainda no primeiro turno, incluindo uma com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do PSD. A intenção é viabilizar uma candidatura de direita que possa concorrer ao cargo, substituindo o senador Flávio Bolsonaro, que atualmente lidera as pesquisas de intenção de voto na corrida contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Declarações em evento com investidores
As declarações de Zema foram feitas durante um evento voltado para investidores, realizado na capital paulista, e surgem após a divulgação de áudios que envolvem o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O ex-governador indicou que decisões sobre alianças devem ser tomadas conforme a evolução do cenário político. Ele afirmou: “Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente.” A data limite para o registro de candidaturas, segundo o calendário da Justiça Eleitoral, é até 15 de agosto.
Transformação do cenário eleitoral
Zema ressaltou que é esperado que o cenário político continue a se modificar até o final do processo eleitoral. “Vai mudando à medida que o tempo avança, e acaba fazendo sentido essa definição tardia. Eu tenho dito que vou levar a minha pré-campanha e campanha até o final”, comentou.
Relação com Caiado
Apesar de suas considerações sobre alianças, o ex-governador também destacou a boa relação que mantém com Caiado, sinalizando abertura para composições políticas. “Me dou muito bem com o Caiado”, afirmou. Quando questionado sobre a possibilidade de assumir o cargo de vice na chapa de Caiado, respondeu de forma descontraída: “Não pode ser o contrário?”
Proximidade entre os estados
Zema ainda enfatizou a proximidade política e administrativa entre Minas Gerais e Goiás, bem como sua convivência com outros governadores. “Eu gosto dele. No meu governo, criamos um consórcio, com sete governadores, e me dei muito bem com todos, inclusive com o Tarcísio (de Freitas, de São Paulo). Goiás e Minas são quase Estados gêmeos, com uma semelhança muito grande”, acrescentou.
União contra a esquerda
Embora tenha sinalizado composições, Zema afirmou que, independentemente de quem avance ao segundo turno no espectro da direita, a união será essencial para derrotar Lula. “Nós vamos estar juntos contra o grande objetivo nosso, que é combater a esquerda”, destacou.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Durante o evento realizado na terça-feira, Zema reiterou suas críticas a Flávio Bolsonaro. O pré-candidato afirmou que as eleições serão marcadas pela "indignação" do eleitorado e sugeriu que a crise envolvendo o Banco Master deverá impactar candidaturas relacionadas a esse episódio. Ao se referir indiretamente à visita do senador a Daniel Vorcaro, Zema afirmou que os eleitores não aceitariam candidatos que tenham se reunido com "banqueiro bandido".
Questões econômicas e sociais
Em termos de economia, Zema criticou o que considera distorções no mercado de trabalho e nos programas sociais. Para ele, o modelo atual de redistribuição de renda, incluindo iniciativas como o Bolsa Família, tem gerado uma “geração de emprestáveis”, ao desincentivar a inserção formal dos indivíduos no mercado de trabalho. "O que tem de marmanjão, de 20, 30 anos, recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não está escrito", declarou.
Zema mencionou que é necessário estabelecer regras mais rigorosas para os beneficiários que recusam propostas de trabalho, argumentando que o sistema vigente pode desestimular a busca por qualificação profissional. No entanto, também reconheceu que há grupos que devem continuar sendo atendidos por políticas sociais, como mães com filhos pequenos.
Críticas à segurança pública
Na área de segurança pública, Zema criticou a abordagem do governo em relação ao tema. Ele argumentou que, enquanto a elaboração de políticas estiver nas mãos de “sociólogos” em vez de profissionais da segurança pública, os resultados tendem a ser insatisfatórios.
Fonte: www.moneytimes.com.br