Pela primeira vez em mais de um século, as fontes renováveis de energia superaram a geração de eletricidade a partir do carvão no contexto global. Este avanço foi impulsionado, em grande parte, pelo crescimento da energia solar, a qual gerou 75% do aumento da demanda mundial por eletricidade em 2025, evitando assim um incremento na geração proveniente de combustíveis fósseis.
Os dados fazem parte do relatório Global Electricity Review 2026, elaborado pela Ember, que denota uma mudança estrutural significativa no setor elétrico ao redor do mundo. No ano de 2025, as fontes renováveis passaram a compor 33,8% da geração global de eletricidade, enquanto o carvão viu sua participação reduzir para 33%, perdendo a hegemonia pela primeira vez desde o início da era moderna da eletrificação.
Brasil pode transformar vantagem natural em vantagem econômica
Embora o foco do estudo seja o panorama global, o Brasil figura entre as nações que mais podem se beneficiar dessa transição energética.
Conforme indicado no relatório, o Brasil demonstrou capacidade de atender a todo o crescimento recente na demanda por eletricidade utilizando fontes de baixa emissão de carbono. Isso se deve à combinação da expansão da energia solar e eólica, aliada à robusta base hidrelétrica do país. Esse movimento foi essencial para que não houvesse um aumento na geração de eletricidade a partir de usinas movidas a gás natural.
Em termos práticos, essa situação coloca o Brasil em uma posição vantajosa em uma economia que, cada vez mais, valoriza produtos fabricados com energia limpa.
Empresas globais estão buscando países que consigam oferecer eletricidade renovável em grande escala para estabelecer fábricas, centros de dados, projetos de inteligência artificial, e iniciativas voltadas para a produção de hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis voltados para a aviação (SAF), entre outras indústrias que consomem grandes quantidades de energia.
Energia limpa passa a ser diferencial competitivo
O relatório destaca que o crescimento da eletricidade deixou de estar atrelado ao aumento do consumo de combustíveis fósseis. Em 2025, a geração de energia de baixo carbono apresentou um crescimento superior ao da própria demanda global por eletricidade, marcando o fim de um ciclo histórico de expansão fundamentada no carvão, petróleo e gás.
Para países como o Brasil, essa mudança representa uma oportunidade estratégica importante.
Além de aumentar os investimentos na geração de energias renováveis, o país pode atrair empresas que buscam reduzir suas emissões de carbono, cumprir metas ambientais e mitigar a exposição às oscilações nos preços internacionais dos combustíveis fósseis.
Solar lidera transformação global
A energia solar se destacou como a principal responsável por essa transição energética.
No último ano, a geração de energia solar em nível mundial cresceu 30%, representando o maior avanço registrado nos últimos oito anos, atingindo um total de 2.778 terawatts-hora (TWh). Atualmente, a produção global de energia solar já corresponde a toda a demanda anual de eletricidade da União Europeia.
O relatório também ressalta que a combinação de painéis solares com sistemas de armazenamento em bateria começa a mitigar um dos principais desafios dessa fonte de energia, que é a capacidade de fornecer eletricidade em períodos sem luz solar. Os custos das baterias caíram em 45% em 2025, acelerando a adoção dessa tecnologia inovadora.
Nova corrida global por investimentos
A Ember afirma que o mundo entrou em uma nova fase da transição energética.
Em lugar de atender ao crescimento da demanda com mais usinas movidas a combustíveis fósseis, países estão acelerando a expansão de suas fontes renováveis, conseguindo dessa forma reduzir as emissões e fortalecer sua segurança energética.
Nesse cenário, o Brasil exibe características que poucos mercados possuem: uma abundância de recursos naturais, uma matriz elétrica predominantemente renovável e um grande potencial para ampliar a oferta de energia limpa. Se o país conseguir acelerar os investimentos em infraestrutura, transmissão e armazenamento, terá a capacidade de converter essa vantagem energética em um diferencial significativo para atrair capitais, indústrias e tecnologias nos próximos anos.
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Fonte: timesbrasil.com.br
