Preços de Alimentos em 2026: A Pressão do Petróleo e do Super El Niño, Segundo a Abras

Preços de Alimentos em 2026: A Pressão do Petróleo e do Super El Niño, Segundo a Abras

by Fernanda Lima
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Impactos do Conflito no Oriente Médio e Mudanças Climáticas nos Preços dos Alimentos

A avaliação da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgada nesta quarta-feira, 8 de março, aponta que os impactos do conflito no Oriente Médio e as mudanças climáticas devem pressionar os preços dos alimentos no segundo semestre de 2026.

Conflito e Preços Básicos

Marcio Milan, vice-presidente da Abras, afirma que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, combinada com a previsão de um El Niño no final do ano, pode resultar em um aumento significativo nos preços de itens básicos. Ele ressalta que essa situação traz consequências para toda a cadeia de abastecimento.

Desde o início do conflito, em fevereiro de 2026, as cotações do petróleo Brent e WTI dispararam, alcançando até US$ 120 nas primeiras semanas. Atualmente, após quatro meses de guerra, os preços continuam voláteis devido às incertezas sobre a abertura do Estreito de Ormuz, pelo qual circula aproximadamente um quinto das exportações mundiais de petróleo.

Volatilidade dos Preços do Petróleo

Nesta manhã, com a confirmação de novos ataques e sanções entre os dois países após uma tentativa frustrada de acordo, os contratos futuros de petróleo avançavam mais de 5%, aproximando-se de US$ 80 o barril. Essa situação reforça a volatilidade mencionada por Milan.

Outro ponto de preocupação é a previsão de um El Niño para o segundo semestre de 2026. Segundo Milan, espera-se um aquecimento maior do que o observado em 2025, o que pode impactar consideravelmente a economia, especialmente a produção de alimentos.

Intensidade do El Niño

A previsão indica que o fenômeno pode atingir uma intensidade de 63% neste ano, o que, se confirmado, poderá colocá-lo entre os mais intensos registrados desde 1950. A Abras se comprometeu a monitorar de perto o desenvolvimento desse fenômeno, já que a tendência de alta nos preços, que já é expressiva, pode se agravar.

Milan esclarece que, caso a previsão se concretize, o El Niño poderá elevar o preço de produtos específicos, como já se observa com a batata, o tomate e a cebola.

Variação nos Preços da Cesta Básica

Dados do Abrasmercado, indicador que monitora a variação dos preços de uma cesta de 35 produtos básicos, mostram que em maio houve um aumento de 2,16%, elevando o valor médio da cesta para R$ 854,91. No acumulado de 2026, esse avanço é de 6,82%.

Entre os produtos que mais impactaram os preços, o feijão se destacou, liderando as altas com um aumento de 6,44% em maio e 41,09% no acumulado do ano. O arroz e o leite longa vida também demonstraram elevações, com indicadores de 2,16% e 0,77%, respectivamente.

Aumento nos Preços de Hortifrútis

O setor de hortifrútis registrou aumentos expressivos nos preços. A batata subiu 44,69%, o tomate 20,62% e a cebola 16,80% em relação ao mês anterior. No acumulado do ano, as variações chegam a 75,84%, 86,17% e 48,88%, respectivamente.

Variação Regional nos Preços

Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior variação de preços, com um aumento de 2,79%, levando o valor médio da cesta para R$ 772,51. Apesar disso, essa continua sendo a região com a cesta básica mais econômica do país. Por outro lado, a maior despesa foi registrada na região Norte, onde a cesta atingiu R$ 939,79, após um aumento de 1,88%.

Consumo das Famílias

Apesar da inflação dos alimentos, o consumo das famílias brasileiras continuou em ascensão. Comparando com o mesmo período do ano anterior, o índice de maio de 2026 registrou um crescimento de 3,93%. Em comparação com abril, houve um avanço de 2,23%, enquanto no acumulado de 2026, a alta é de 2,47%. As previsões da Abras indicam um crescimento de 3,2% até o final do ano.

Fatores que Impactam o Consumo

Segundo Milan, esses dados refletem um bom desempenho no mercado de trabalho. A renda das famílias desempenhou um papel significativo nesse cenário, já que no último mês foram realizados pagamentos de lotes de restituição do Imposto de Renda, antecipação do 13º salário, benefícios do Bolsa Família e pagamentos atrasados do INSS, resultando em um aumento notável na renda mensal de parte da população, provavelmente estimulando o consumo.

Milan observa que em um contexto de juros elevados e consumidores mais vigilantes em relação aos preços, a previsibilidade de renda contribui para manter o abastecimento das famílias ao longo do mês.

Além disso, maio também contou com um fator sazonal importante: a comemoração do Dia das Mães. Essa data contribuiu para um aumento aproximado de 9,5% no consumo durante a semana festiva de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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