O Potencial do Computador Orbital
A próxima fase do boom da inteligência artificial pode não ser inteiramente construída na Terra. A SpaceX abriu caminho para uma nova possibilidade na tecnologia espacial: a capacidade de computação em órbita. Pesquisadores do Morgan Stanley descobriram que a computação orbital pode ser até mais credível do que os centros de dados de IA localizados em terra, com base em quatro tendências estruturais identificadas. Estas incluem a pressão crescente sobre os centros de dados de IA baseados em terra, a diminuição dos custos de lançamento, os avanços em redes ópticas de satélites e o aumento do volume de dados gerados no espaço.
Definição de Computação Orbital
A computação orbital refere-se a um centro de dados virtual que utiliza prateleiras de servidores no espaço, suportadas por painéis solares, radiadores de resfriamento e redes de satélites interligadas a laser. Estas plataformas podem ser potencialmente menos onerosas, aliviar as restrições na terra, reduzir os impactos ambientais e possibilitar novas capacidades para aplicações críticas de segurança. No contexto da inteligência artificial, “computação” refere-se ao poder de processamento, energia e infraestrutura necessários para os modelos de IA.
O Morgan Stanley não projeta que a computação orbital vá substituir os centros de dados hiperescaláveis terrestres nesta fase, mas observa que a oportunidade imediata mais realista é a computação em borda orbital, onde satélites processam imagens, dados de sensores e cargas de trabalho de inferência em órbita antes de enviar os resultados de volta à Terra, conforme esclarece o analista Shawn Kim.
Investimentos em Tecnologia Espacial
Segundo Jonathan Siegmann, diretor de pesquisa da Stifel Financial, “investir em tecnologia espacial e exploração agora representa uma oportunidade de participar na vanguarda da tecnologia de fronteira e inovação em defesa.” A lucratividade do espaço comercial não é mais mera ficção científica, à medida que os programas de segurança nacional, civil e espacial comercial ganham força, afirmou Siegmann.
O modelo de lançamento reutilizável da SpaceX, por exemplo, ajudou a reduzir custos e orientou a indústria em direção a redes mais escaláveis. Além disso, a iniciativa Starlink, uma rede de internet em banda larga em órbita baixa da Terra, serviu como um ponto de verificação para um modelo de negócios espaciais comerciais e foi fundamental para a avaliação da SpaceX em sua recente oferta pública inicial, conforme relata o analista.
Custos de Lançamento e Computação Orbital
Kim, do Morgan Stanley, também observa a redução dos custos de lançamento como uma das razões estruturais que tornam a computação orbital mais realista. A pesquisa revelou que existem 43 empresas ligadas à computação orbital em diversas áreas, que vão desde IA e semicondutores de memória, até links ópticos, hardware de comunicação via satélite, chips tolerantes à radiação e sistemas de energia.
cadeia de Suprimentos da Computação Orbital
Aproximadamente um terço das empresas (15) está localizado nos Estados Unidos e domina a cadeia de suprimentos da computação orbital em termos de valor de mercado. Entre essas empresas estão Nvidia, Broadcom, Micron Technology e Advanced Micro Devices. A lista também inclui ações menores, como Redwire, AXT e Mercury Systems, que ajudam a formar a espinha dorsal da cadeia de suprimentos, mas que são menos diversificadas e apresentam riscos maiores.
Cadeia de Suprimentos Global
Fora dos Estados Unidos, a cadeia de suprimentos da computação orbital do Morgan Stanley inclui empresas listadas na Ásia e na Europa que fornecem hardware essencial necessário para o funcionamento da computação baseada no espaço. Em Taiwan, a lista inclui a TSMC para lógicas avançadas, a MediaTek para chips de comunicação via satélite, e a Delta Electronics e Lite-On para conversão de energia.
Na Coreia do Sul, a SK Hynix e a Samsung Electronics estão ligadas a memórias e cargas úteis de computação de IA, enquanto na Europa, a STMicroelectronics e a Infineon são importantes facilitadores de semicondutores tolerantes à radiação e de grau espacial, conforme informou o banco de investimento. As ações no Japão que se encaixam nessa temática incluem Murata, TDK, GS Yuasa e Sharp.
Fonte: www.cnbc.com


