Inflação e Políticas Monetárias no Brasil e nos Estados Unidos
Brasil e Estados Unidos iniciam o segundo semestre com taxas de inflação que ultrapassam as metas estabelecidas. Os bancos centrais de ambos os países se encontram em uma posição que não permite um afrouxamento claro da política monetária. Essa é a análise de Silvia Ludmer, economista-chefe do Andbank.
Desafios da Desinflação
Em uma entrevista concedida ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Ludmer destacou que a desinflação tem apresentado desafios significativos em ambos os países. Embora o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve dos Estados Unidos tenham implementado ciclos de juros elevados, os resultados ainda não são satisfatórios.
Situação nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a inflação tem sido uma preocupação contínua desde o período da pandemia. A economista observou que, apesar de um alívio nas pressões inflacionárias nos últimos anos, a taxa ainda não atingiu a meta de 2% estipulada pelo Federal Reserve.
“Nos últimos cinco anos, a inflação se manteve acima de 2%, que é a meta estabelecida pelo Federal Reserve,” esclareceu Ludmer.
O Federal Reserve elevou as taxas de juros na tentativa de conter a demanda, contudo, essa estratégia não foi suficiente para que a inflação retornasse à meta desejada. Ludmer atribui a dificuldade do banco central americano à política fiscal expansionista nos Estados Unidos, além de sucessivos choques globais que impactaram a economia.
Entre os diversos choques citados pela economista, estão a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia, o aumento dos preços do petróleo, a política tarifária de Donald Trump e as tensões com o Irã. “É uma combinação de fatores que apresenta consideráveis desafios para os Estados Unidos”, concluiu.
Cenário Brasileiro
No contexto brasileiro, a inflação também experimentou elevações significativas durante a pandemia, impulsionada por choques de oferta e desorganização nas cadeias globais de fornecimento. Apesar de uma desaceleração desde então, essa queda não foi suficiente para fazer com que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingisse a meta de 3%.
Ludmer destacou que, mesmo com a taxa Selic em níveis elevados, a inflação persiste em patamares altos no Brasil. Isso ocorre porque a atividade econômica interna continua aquecida, com o desemprego próximo de níveis historicamente baixos e a política fiscal em vigor estimulando o consumo.
“O Banco Central está tentando esfriar o consumo para permitir uma redução da inflação, mas as medidas do governo atual estão interferindo, promovendo um aumento nos gastos,” explicou.
Políticas Fiscais e seus Efeitos
A economista salientou que programas relacionados à renda, consumo, financiamento e desonerações alimentam a demanda, o que reduz a eficácia da política monetária. Essa situação gera barreiras nos canais de transmissão das taxas de juros para a economia.
“O Banco Central está com uma taxa de juros elevada, buscando cumprir suas metas, mas existem bloqueios nos canais de transmissão de sua política monetária para a economia,” afirmou.
Setor de Serviços e a Dinâmica Inflacionária
Ludmer observou que o setor de serviços é fundamental para a dinâmica inflacionária brasileira. Quando a demanda se mantém robusta, empresas e prestadores de serviços tendem a se sentir mais confortáveis em reajustar seus preços.
“Em um cenário onde a economia está mais fria, as empresas não costumam aumentar os preços de seus produtos e serviços,” comentou a economista.
Conclusões sobre o Cenário Atual
A avaliação de Ludmer sugere que tanto Brasil quanto Estados Unidos enfrentam questões semelhantes: inflação acima das metas, altas taxas de juros, políticas fiscais expansionistas e externalidades que complicam as ações dos bancos centrais.
“Ambos os países têm lidado com uma inflação que ultrapassa a meta há vários anos, com políticas monetárias que buscam atingir seus objetivos e políticas fiscais que acabam interferindo negativamente,” finalizou.
Fonte: timesbrasil.com.br


