Brasil expande fibra óptica por milhares de quilômetros nos rios da Amazônia; saiba mais sobre o projeto.

Brasil expande fibra óptica por milhares de quilômetros nos rios da Amazônia; saiba mais sobre o projeto.

by Fernanda Lima
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O uso dos rios da Amazônia como rota de expansão da conectividade é a principal proposta do Programa Norte Conectado. Essa iniciativa tem como objetivo levar internet de alta velocidade a diversas comunidades situadas na Região Norte do país. Com o projeto, já foram instalados cabos de fibra óptica submersos, alcançando até o momento 5,8 mil quilômetros de rede implantada, de um total previsto de 13,2 mil quilômetros.

A infraestrutura foi projetada para superar uma das maiores dificuldades da região: a extensa distância e as condições geográficas desafiadoras que complicam a instalação de redes tradicionais. O programa prevê a conexão de 70 localidades nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, ampliando significativamente o acesso a serviços digitais em áreas onde a oferta de conexão é limitada.

Com um investimento estimado em R$ 1,5 bilhão, a iniciativa integra o Novo PAC. O financiamento é proveniente de recursos das operadoras de telecomunicações, que são contabilizados como contrapartida do leilão do 5G realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em 2021. Atualmente, cerca de 45% da extensão total do projeto já foi executada.

Cabos de fibra óptica percorrem rios da Amazônia

O Norte Conectado contempla a construção de nove infovias, que são estruturas compostas por cabos de fibra óptica instalados no leito dos rios amazônicos. Até o momento, cinco dessas rotas já foram entregues, enquanto as outras continuam em fase de planejamento ou implantação.

Embora o cronograma original estivesse previsto para a conclusão do projeto em 2025, ele foi alterado para 2028. Essa mudança ocorreu devido às secas registradas nos últimos anos na Amazônia, que dificultaram o transporte de equipamentos e a realização das obras.

Gina Marques, presidente da Entidade Administradora da Faixa (EAF), que é a responsável pela execução do programa, afirmou que as condições climáticas têm impacto direto no andamento das instalações. Além disso, a possibilidade da ocorrência de um Super El Niño exige ajustes adicionais no planejamento das próximas etapas do projeto.

Projeto também inclui mini data centers

Em complementação aos cabos submersos, o Programa Norte Conectado prevê a instalação de 46 mini data centers, que serão montados em contêineres próximos aos rios. Essas estruturas têm a finalidade de servir como pontos de apoio para a operação da rede em regiões que são de difícil acesso.

Atualmente, 23 unidades já estão em funcionamento. Esses data centers são equipados com sistemas de energia solar, refrigeração, combate a incêndio e monitoramento, assegurando a continuidade da conexão, mesmo em áreas remotas e distantes dos grandes centros urbanos. Após a conclusão da infraestrutura, a operação da rede será responsabilidade de consórcios formados por provedores regionais, permitindo que a capacidade instalada atenda tanto a órgãos públicos quanto a usuários particulares.

Uma parte da conexão será destinada a escolas, hospitais e prefeituras, enquanto o restante ficará disponível para empresas e particulares que dependem de serviços de internet.

Brasil busca ampliar conexão internacional

Além de melhorar a conectividade no interior da Amazônia, o projeto também pode auxiliar na expansão da infraestrutura digital do Brasil. Frederico Siqueira Filho, ministro das Comunicações, informou que o governo está em negociação com a Colômbia e o Peru para a criação de uma nova rota internacional de tráfego de dados pelo Oceano Pacífico.

A proposta tem como objetivo reduzir a dependência dos cabos submarinos que chegam ao Brasil, principalmente através de Fortaleza, no Ceará. Assim, o país poderá aumentar a segurança de suas redes e estabelecer alternativas para o fluxo de informações digitais.

Com a conclusão das próximas etapas, o Programa Norte Conectado deverá aumentar a oferta de internet de alta velocidade em regiões onde a conectividade ainda apresenta limitações, utilizando os próprios rios da Amazônia como uma via de expansão da infraestrutura de fibra óptica no Brasil.

Fonte: timesbrasil.com.br

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