Indústria Brasileira de Madeira Processada e Novas Tarifas
A indústria brasileira de madeira processada opera, em média, com apenas 50% de sua capacidade instalada e pode vir a reduzir ainda mais a produção devido à nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. Essa análise foi feita por Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Pupo mencionou que as empresas estão considerando medidas temporárias como férias coletivas e cortes na atividade. Ele enfatizou que é imperativo que o governo brasileiro retome as negociações diplomáticas com Washington com urgência.
“O ideal seria reverter essas tarifas. Compreendo que o governo está apresentando subsídios, como os previstos no Plano Brasil Soberano, mas essas são apenas soluções paliativas. Por parte das empresas, férias coletivas e redução da produção também são medidas temporárias e insuficientes”, destacou.
Conforme Pupo, os Estados Unidos absorvem, em média, 50% das exportações de madeira processada do Brasil. Uma parte significativa dessa produção é realizada especificamente para atender às normas técnicas e características do setor de construção civil americano.
A dependência do mercado americano, junto com a necessidade de customização dos produtos, torna desafiador o redirecionamento rápido das vendas para outros países.
“A diversificação de mercados não é uma tarefa simples, como pode parecer. Já exportamos praticamente para todas as regiões do mundo. Para realocar qualquer volume proveniente dos 50% de nossas exportações, basicamente precisamos desenvolver um novo produto”, acrescentou.
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Impacto da Tarifa no Setor
Pupo comunicou que a tarifa anterior resultou em uma redução média de 40% nas exportações do setor. Essa queda representou mais de US$ 300 milhões, ao comparar os anos de 2024 e 2025.
As empresas estavam começando a recuperar seus estoques e participação no mercado americano depois que as tarifas anteriores foram eliminadas em fevereiro. A nova sobretaxa interrompeu esse processo de recuperação.
“Estávamos justamente retomando nosso espaço no mercado americano e repondo nossos estoques de distribuição quando nos deparamos com essa perturbação de 25%”, lamentou.
Segundo o superintendente da Abimci, torna-se difícil manter contratos quando apenas o produto brasileiro enfrenta uma diferença tarifária tão significativa.
“Podemos ser taxados em 25% se os países concorrentes no mercado americano enfrentarem a mesma taxação. Isso é parte do jogo comercial. No entanto, com essa diferença tarifária de 25%, torna-se extremamente complicado manter os contratos que temos com os Estados Unidos”, declarou.
Complementaridade com a Produção Americana
A Abimci apresentou argumentos ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), afirmando que a madeira brasileira não competia diretamente com a produção americana, mas sim complementava a oferta local.
Os produtos brasileiros são comercializados há várias décadas para distribuidores, redes de varejo, empreiteiras e construtoras nos Estados Unidos. De acordo com Pupo, muitos desses produtos têm aplicações permanentes no sistema de construção americano e não encontram substitutos imediatos.
“Nosso papel não é competir com a produção americana. Nós complementamos a demanda dos Estados Unidos. É uma relação benéfica mútua em um mercado que foi desenvolvido ao longo de várias décadas”, afirmou.
O executivo salientou que praticamente toda a matéria-prima utilizada pela indústria madeira no Brasil provém de florestas plantadas e geridas de forma sustentável. A entidade apresentou dados sobre rastreabilidade, práticas ambientais e qualidade técnica durante as audiências públicas realizadas em Washington.
Para Pupo, no entanto, os argumentos econômicos e técnicos levantados não foram considerados de forma adequada na decisão final.
“A imposição de tarifas sobre os produtos madeireiros brasileiros não faz sentido, seja sob o ponto de vista comercial ou econômico”, afirmou.
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Ampliação das Exceções Tarifárias
A Abimci está pressionando o governo brasileiro para que retome as conversações com os Estados Unidos visando a ampliação da relação de produtos isentos da tarifa imposta.
“Esperamos que o governo não abandone as negociações. É primordial que sejam retomadas, tanto tecnicamente quanto diplomaticamente, uma vez que é assim que uma relação bilateral deve ser conduzida. É necessário buscar o aumento das listas de isenções por categorias tarifárias”, afirmou.
Pupo ressaltou que cada segmento deve ser avaliado separadamente, levando em consideração o grau de complementaridade com a economia americana, além da existência de fornecedores alternativos.
“É fundamental que cada caso seja analisado minuciosamente e que haja um contato técnico com o governo americano. Não podemos deixar essa oportunidade passar. O governo precisa reiniciar as conversas diplomáticas imediatamente para reverter essa decisão sobre as tarifas”, concluiu.
Fonte: timesbrasil.com.br

