A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou ao governo federal a proposta de criação de uma frente temporária dentro da Nova Indústria Brasil (NIB) com o objetivo de apoiar os setores industriais que foram impactados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos.
Essa iniciativa funcionaria como a sétima missão da política industrial. No último dia 17, o presidente da CNI, Ricardo Alban, discutiu essa proposta com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa.
A proposta inclui a formação de um grupo constituído por representantes do governo, das 27 federações estaduais da indústria, de associações setoriais e de sindicatos. Esse grupo terá a tarefa de determinar medidas de apoio destinadas às empresas afetadas. Até o momento, não foram apresentados detalhes sobre quais instrumentos financeiros, tributários ou regulatórios poderiam fazer parte desse plano.
Conforme informações da CNI, a sobretaxa americana abrange 26,2% das exportações brasileiras direcionadas aos Estados Unidos, afetando aproximadamente US$ 11 bilhões em vendas.
O que é a Nova Indústria Brasil
A Nova Indústria Brasil (NIB) representa a política industrial do governo federal, que visa modernizar e aumentar a competitividade da indústria até o ano de 2033.
Atualmente, o programa é organizado em seis missões, que congregam ações voltadas para diversas áreas, como cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia e defesa. Segundo a CNI, a política mobiliza cerca de R$ 750 bilhões em linhas de crédito destinadas a investimentos e à modernização do setor industrial.
A proposta da CNI é adicionar uma sétima missão, que seria de caráter temporário e focada especificamente nos efeitos da tarifa adicional.
“A NIB, assim como toda política industrial, deve ser dinâmica, atualizada e capaz de proporcionar respostas para situações específicas e complexas que o Brasil enfrenta”, destacou Alban.
“Nosso objetivo é elaborar um plano de ação em colaboração com as 27 federações estaduais da indústria, associações setoriais, sindicatos e o governo, para que possamos desenvolver uma proposta que ofereça suporte à indústria brasileira em um momento tão crítico”, complementou.
CNI pede resposta sem interferência eleitoral
Ricardo Alban enfatizou a necessidade de que as medidas propostas sejam discutidas sem a interferência das disputas eleitorais ou das divergências políticas entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.
“Neste momento, é essencial que nem o ano eleitoral, nem questões políticas interfiram em um debate que requer responsabilidade, equilíbrio e uma visão de longo prazo”, afirmou Alban.
A proposta surge em um cenário em que setores industriais têm alertado sobre a perda de competitividade, a redução das exportações, a renegociação de contratos e os riscos para investimentos e empregos.
A nova tarifa atinge vários segmentos, incluindo máquinas e equipamentos, madeira processada, calçados, móveis e parte da produção agroindustrial, e começará a vigorar no dia 22 de julho.
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Apoio interno não substitui negociação
A CNI argumenta que a criação dessa missão transitória deve funcionar como uma resposta interna aos impactos da nova tarifa, mas não deve substituir as negociações em andamento com Washington.
“É fundamental intensificar o diálogo entre Brasil e Estados Unidos para encontrar uma solução que mantenha a relação econômica construída ao longo de décadas e que é marcada pela complementaridade”, ressaltou Alban.
Além disso, a CNI está em diálogos com organizações empresariais americanas no intuito de defender a ampliação das exceções e ressaltar os efeitos das tarifas sobre as cadeias produtivas que estão interligadas entre os dois países.
Fonte: timesbrasil.com.br

