Semana do Clima de São Paulo
Durante a Semana do Clima de São Paulo (SPCW 2026), realizada em São Paulo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu uma discussão sobre o aço de baixo carbono e o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis no Brasil, ocorrendo na quarta-feira, dia 5.
Descarbonização da Siderurgia
Na mesa-redonda do evento, foi enfatizado que a descarbonização do setor siderúrgico representa um desafio significativo, que requer uma abordagem abrangente sobre o ciclo de vida dos materiais, desde sua extração na mineração até o processo de reciclagem.
João Irineu, representante da Stellantis, trouxe à tona preocupações pertinentes do setor automotivo, ressaltando que o ferro e o aço correspondem a 60% da massa de um veículo. Diante disso, a descarbonização torna-se uma questão essencial para essa indústria.
Irineu argumentou que a integração entre os setores público e privado é fundamental para a redução das emissões de CO2, destacando que iniciativas como o Programa Mover têm sido úteis para que o setor cumpra as normas estabelecidas e alcançe resultados positivos na transição para uma economia com menor emissão de carbono.
Guilherme Abreu, da ArcelorMittal, apoiou essa perspectiva, sublinhando que a jornada rumo ao carbono neutro envolve a aplicação de tecnologias já disponíveis, como o uso de gás natural e carvão vegetal proveniente de florestas renováveis, além de soluções inovadoras, como o hidrogênio verde e a eletrólise.
Abreu também destacou a relevância da macrogeração de sucata e da utilização de inteligência artificial, que podem contribuir significativamente para ganhos de eficiência energética no setor.
Na seara operacional, Aula Ferrador, da Saint-Gobain, compartilhou resultados práticos, que evidenciam uma redução de quase 50% nas emissões diretas e indiretas de energia em várias unidades regionais, com foco na eficiência processual e na promoção da economia circular.
Aceleração dos Combustíveis Renováveis
No painel dedicado à aceleração do mercado de combustíveis sustentáveis, os participantes concordaram que é imprescindível estabelecer uma combinação entre marcos regulatórios, estratégias voltadas à descarbonização de setores mais complexos e a superação de barreiras comerciais internacionais, a fim de permitir o crescimento global desse tipo de combustível.
Ricardo Mussa, chair da Sustainable Business COP (SB COP), destacou que a regulação deve ser inteligente e priorizar setores onde a eletrificação é tecnicamente desafiadora, como na aviação (SAF) e no transporte marítimo.
Thiago Toscano, CEO da Itaminas, abordou a dificuldade de descarbonização em certos setores e afirmou que a mineradora planeja investir R$ 1,5 bilhão até 2023 na produção de minério de ferro de alto teor, recurso considerado essencial para a descarbonização da siderurgia em escala global.
Filipe Alvarez, representando a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), trouxe à tona preocupações acerca das barreiras internacionais que podem comprometer a competitividade do Brasil no setor. Segundo ele, é fundamental encontrar um equilíbrio entre a escala de produção e o preço final dos biocombustíveis avançados.
Maria Emília Peres, cofundadora do Orbis Instituto e moderadora das mesas-redondas, enfatizou que a transformação necessária para os setores de aço e combustíveis não deverá se basear apenas em novas tecnologias, mas dependerá da colaboração efetiva entre diversos stakeholders, incluindo o setor público, privado e a sociedade civil.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

