Setor de Serviços Brasileiro
O setor de serviços no Brasil manteve-se estável durante o mês de junho em comparação ao mês anterior. O resultado surpreendeu as expectativas dos economistas, que previam uma nova queda, embora esteja em linha com a tendência de enfraquecimento da economia.
Desempenho do Volume de Serviços
De acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no dia 12 de julho, o volume de serviços registrou uma alta de 2,0% em junho em relação ao mesmo mês de 2025. Este desempenho foi melhor do que o esperado em uma pesquisa realizada pela Reuters, a qual previa uma queda de 0,2% para o mês, além de uma alta de 1,4% na comparação anual.
Evolução do Setor no Trimestre
Após um aumento de 1,2% em abril e uma leve queda de 0,2% em maio, o setor de serviços fechou o segundo trimestre com um ganho acumulado de 0,4% em relação aos três meses anteriores, que teve uma diminuição de 0,5%. Contudo, o setor ainda apresenta um cenário 0,3% abaixo do pico registrado na série histórica, que ocorreu em outubro de 2025.
Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE, comentou sobre a situação: “Há uma clara acomodação do setor de serviços, mas bem perto do auge da série”, ressaltando que, por enquanto, não se observa uma mudança de trajetória.
Fatores Influenciadores
Embora medidas do governo que estimulam o consumo e um mercado de trabalho aquecido estejam favorecendo a economia, a política monetária restritiva contribui para um peso adicional sobre a atividade econômica. A taxa básica de juros, a Selic, atualmente está em 14,0%.
André Valério, economista sênior do Inter, Avaliou: "De modo geral, vemos o setor de serviços seguir a tendência geral da atividade econômica, que é de moderação. Esperamos que o PIB cresça 0,5% no segundo trimestre, confirmando a tendência de moderação que temos observado nos dados setoriais. Acreditamos que isso permitirá ao Copom continuar com o ciclo de calibração da Selic, levando a taxa de juros a 13,25% ao final de 2026”.
Setores que se Destacam e os que Enfrentam Dificuldades
Apesar da estabilidade em junho, apenas o setor de informação e comunicação apresentou crescimento, com um avanço de 1,8%, o que representa o terceiro resultado positivo consecutivo e um ganho acumulado de 3,0% neste período.
Em contrapartida, o setor de serviços profissionais, administrativos e complementares foi o que mais impactou negativamente o resultado, com uma queda de 1,4% em junho. Outros setores que também apresentaram recuos foram: outros serviços (-2,2%), serviços prestados às famílias (-1,2%) e transportes (-0,1%).
Entre os transportes, o transporte de passageiros registrou um recuo significativo de 4,0% em junho em relação ao mês anterior, enquanto o transporte de cargas apresentou uma leve queda de 0,1%.
Impactos Externos e Internos no Setor de Transporte
Rodrigo Lobo comentou que "Houve aumento de preços de combustíveis, especialmente em relação ao óleo diesel, o que fez com que o setor de transporte de carga reduzisse seu crescimento. Isso reflete o conflito no Oriente Médio, mas é um fenômeno pontual".
Ele acrescentou que o aumento tarifário nos Estados Unidos está afetando algumas empresas, mas considerou "nada que possa justificar ou balizar o comportamento geral do setor de serviços, são impactos pontuais".
Índice de Atividades Turísticas
O índice de atividades turísticas também apresentou um desempenho negativo, com uma queda de 3,4% em junho em comparação a maio, marcando assim o segundo resultado negativo consecutivo. Este segmento acumulou uma perda total de 3,8% nesse período e se encontra 6,2% abaixo do pico histórico alcançado em dezembro de 2024.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


