Casas Bahia prepara nova rodada de cortes
A Casas Bahia está em processo de planejamento para uma nova rodada de cortes que podem afetar até 30% de seu quadro de funcionários. Essa medida inclui não apenas demissões, mas também o fechamento de lojas, como parte de um esforço contínuo para reduzir a estrutura da companhia.
Alteração na divulgação de resultados
A divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre, que estava agendada para a próxima quarta-feira (12), foi adiada para esta sexta-feira (14). Uma teleconferência foi marcada para a segunda-feira (17). De acordo com o Valor Econômico, a alteração na data visa permitir que a empresa finalize o novo plano de reestruturação de maneira mais organizada. O jornal destacou que os fornecedores já estão cientes da situação e monitoram os impactos que a redução estrutural pode ter na operação. Além disso, já foram realizados desligamentos de funcionários nos últimos dias.
Histórico de reestruturações
Esta nova medida de ajuste ocorre em um contexto de anos de diminuição da rede física e reestruturação financeira. Nos 12 meses encerrados em março, levando em conta as aberturas e fechamentos, o grupo encerrou 26 lojas, sendo 12 sob a bandeira Casas Bahia e 14 do Ponto Frio. Ao final de 2025, a companhia contava com 1.042 unidades, comparado a 1.064 no ano anterior e 1.078 no término de 2023.
Resultados financeiros negativos
A companhia enfrenta desafios financeiros, tendo registrado um prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2026. Este valor representa um aumento superior ao dobro da perda observada no mesmo intervalo do ano anterior. O prejuízo líquido consolidado não ajustado em 2025 atingiu cerca de R$ 3 bilhões.
Reestruturação reduz dívida
A Casas Bahia está implementando um processo de reestruturação tanto operacional quanto financeira, que teve início em 2023. Em 2024, a empresa optou por uma recuperação extrajudicial, com o objetivo de alongar suas dívidas e reduzir os custos relacionados ao financiamento. Este processo englobou aproximadamente R$ 4 bilhões em obrigações renegociadas.
No ano anterior, a companhia já havia negociado a conversão antecipada de R$ 1,56 bilhão em títulos da segunda série, além do reperfilamento de outros R$ 1,67 bilhão da primeira série.
O intuito dessa operação era diminuir a alavancagem da empresa e aliviar a pressão sobre as despesas financeiras. Essa conversão levou a uma alteração na estrutura acionária da Casas Bahia, com a Mapa Capital passando a deter 85,5% da companhia.
No primeiro trimestre, a empresa conseguiu reduzir sua dívida líquida, um movimento influenciado pela conversão das obrigações dos credores em capital. Entretanto, mesmo com a diminuição do endividamento, a varejista ainda se apresentou no vermelho, devido à pressão contínua das despesas financeiras sobre os resultados.
Crescimento digital versus fechamento de lojas físicas
Paralelamente à redução de sua estrutura física, a Casas Bahia vem observando um crescimento significativo nas vendas digitais.
No primeiro trimestre, a receita bruta consolidada da companhia aumentou 6,4% em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 8,8 bilhões. Este crescimento foi especialmente impulsionado pelas vendas digitais de produtos próprios.
Em início de ano, as vendas digitais cresceram 26% enquanto as lojas físicas experimentaram uma retração de 1,8%. Por sua vez, o marketplace, plataforma que permite a comercialização de produtos por terceiros nos canais da empresa, registrou um recuo de 0,6%.
A margem bruta permaneceu em 30,3% durante o período, mostrando uma estabilidade em relação aos resultados anteriores.
Conforme informações do Valor Econômico, a Casas Bahia também está adiando pagamentos a lojistas de seu marketplace e buscando ampliar os prazos de pagamento com a indústria, tudo isso visando melhorar seu ciclo financeiro.
Até o fechamento desta reportagem, a Casas Bahia não havia se manifestado a respeito dos rumores sobre demissões, fechamento de lojas ou o adiamento da publicação de seus balanços financeiros, mesmo após tentativas de contato feitas pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. O espaço permanece aberto para um posicionamento.
Fonte: timesbrasil.com.br
