A Petrobras confirmou a descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, localizada na margem equatorial, o que gerou um intenso debate sobre como transformar esse recurso em desenvolvimento efetivo para o Brasil.
O anúncio, realizado na sexta-feira (14), trouxe à tona discussões sobre a gestão pública das riquezas naturais e os riscos de repetir erros do passado relacionados a sua exploração.
O alerta sobre o uso das reservas
A comentarista de economia da CNN, Rita Mundim, expressou preocupação acerca da abordagem que o país adotará em relação à nova descoberta. Ela recordou o período de exploração do pré-sal, quando governadores disputavam o acesso aos recursos antes mesmo do início da extração.
“O meu temor é que a gente perca o tempo, primeiro, no nacionalismo exacerbado, no uso dessas reservas, antes mesmo delas serem exploradas”, destacou Rita.
A comentarista também enfatizou que existem problemas estruturais que podem comprometer o usufruto dessas reservas. Entre eles, ela mencionou a insegurança jurídica e a presença de um imposto de exportação de 12%.
Segundo Rita, há um risco real de que interesses políticos e partidários se sobreponham ao bem-estar da sociedade brasileira. “Cresce o interesse do governo e dos partidos por um dinheiro que ainda não foi extraído”, ressaltou.
Lições do passado e o exemplo venezuelano
A comentarista fez uma reflexão sobre o período de exploração do pré-sal, mencionando que a Petrobras enfrentou uma situação de colapso financeiro. Ela afirmou que a estatal “literalmente quebrou, pois gastou recursos antes de termos efetivamente o petróleo em quantidade significativa”.
Rita também fez alusão ao caso da Venezuela como um exemplo a ser evitado, observando que, sob gestão estatal, a produção de petróleo naquele país registrou uma queda de aproximadamente 50% nos últimos anos. “Não adianta possuirmos recursos se não tivermos uma gestão eficaz”, declarou a comentarista.
Ela mencionou ainda que projetos de refinarias que nunca foram concretizados acabaram se tornando alvos de corrupção, resultando na dependência brasileira de importações de diesel e gasolina. “Essas refinarias foram transformadas em corrupção, em recursos que foram desviados para práticas ilícitas”, concluiu Rita Mundim.
Transparência e o modelo norueguês
Para Rita Mundim, a forma correta de lidar com as riquezas naturais passa pela implementação de um sistema transparente e pela atuação de um Congresso que priorize os interesses da sociedade. Ela citou a Noruega como uma referência positiva de como um país pode transformar suas reservas de petróleo em um caminho para a prosperidade duradoura.
“Que possamos ter um fundo, que tomemos como exemplo a Noruega. Veja o que a Noruega conseguiu se tornar. Mas lá existe transparência e um combate eficiente à corrupção”, enfatizou.
A comentarista ainda defendeu que essa lógica deveria ser aplicada a outras riquezas naturais do Brasil, como as terras raras, reiterando que a gestão dessas commodities deve ser realizada “visando sempre à melhoria da qualidade de vida da população brasileira”, e não com o intuito de fortalecer interesses políticos ou partidários.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
