Em sua campanha de reeleição, Lula busca reconquistar os trabalhadores para o Partido dos Trabalhadores.

Em sua campanha de reeleição, Lula busca reconquistar os trabalhadores para o Partido dos Trabalhadores.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Início da Campanha de Reeleição de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrante do Partido dos Trabalhadores (PT), iniciou neste domingo sua última campanha pela Presidência do Brasil. O evento ocorreu em São Bernardo do Campo, local simbólico onde ele liderou greves que o impulsionaram na vida política nacional. Entretanto, Lula enfrenta um novo desafio: conquistar uma geração de trabalhadores que apresenta pouca ligação com os sindicatos e a realidade das fábricas, que outrora constituíram a base sólida do seu partido.

Desafios com a Nova Geração de Trabalhadores

Aos 80 anos e em sua sétima campanha presidencial, Lula reconhece que o movimento que ele encabeçou há quase cinco décadas, reunindo milhares de trabalhadores no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, para a luta pelos direitos trabalhistas, praticamente desapareceu. Durante seu discurso, Lula expressou gratidão aos apoiadores: “Obrigado a vocês trabalhadores e trabalhadoras desse país que um dia tiveram consciência de apostar que um igual a vocês é capaz de fazer mais por vocês do que um diferente de vocês.”

Atualmente, tanto seu governo quanto seu partido encontram dificuldades para estabelecer um diálogo efetivo com uma nova geração de trabalhadores. Para este grupo, a estabilidade do emprego formal já não é a norma, sendo em muitos casos indesejada. “Houve uma mudança substancial no mundo do trabalho”, afirmou Lula, sublinhando a necessidade de o discurso do partido ser adaptado à nova realidade laborativa, que não se restringe apenas à carteira profissional assinada.

Propostas do PT para a Nova Eleição

Para a eleição de outubro, o PT procura conectar-se com esses novos trabalhadores propondo uma campanha voltada para a redução da jornada de trabalho. Entre as medidas, destacam-se a eliminação da chamada escala 6×1 e a busca por novas proteções para trabalhadores de aplicativos. Essa busca inclui a formulação de regras relacionadas à remuneração, condições de trabalho, benefícios previdenciários e algoritmos nas plataformas.

No entanto, a resistência das empresas tem dificultado a implementação dessas medidas. Milhões de trabalhadores que atuam em aplicativos, majoritariamente homens jovens, apresentam uma postura cética em relação à intervenção do governo nesse setor. Esse é um grupo eleitoral que seu principal adversário na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, busca alcançar.

A Economia dos Bicos

Um elemento central no desafio enfrentado por Lula é o aumento do número de empregos fora do sistema formal que, ao contrário do que ocorre nas relações de trabalho tradicionais, não garante uma série de direitos e benefícios. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de um crescimento no número total de pessoas empregadas no Brasil, o emprego formal tornou-se progressivamente menos prevalente.

Em dezembro de 2010, ao final do segundo mandato de Lula, a taxa de desemprego era de 5,3% e 46,7% dos trabalhadores encontravam-se em empregos formais. Já em dezembro de 2025, embora a taxa de desemprego tenha caído para 5,1%, a proporção de trabalhadores sob o regime CLT recuou para 38,2%. Lula questionou seus apoiadores: “Que futuro que você quer se você não investir no emprego?” Ele declarou que “nós criamos 10 milhões e cem mil empregos formais nesses últimos três anos e meio. Isso é pensar no futuro.”

O Caso de Darlan Almeida

Darlan Almeida, de 27 anos, é um exemplo dessa nova realidade. Ele já foi registrado como CLT, mas há sete anos trabalha fazendo entregas através de aplicativos em São Bernardo do Campo, sua cidade natal. Segundo Darlan, enquanto um emprego sob a CLT poderia render cerca de R$3 mil, os aplicativos têm proporcionado uma média de R$8 mil, resultando em R$5,5 mil após as despesas com a motocicleta.

Natural de uma família de Nordeste, Darlan partilha que seu pai, que se estabeleceu na cidade durante o auge da industrialização nos anos 1970, era operário de uma fábrica e admirador de Lula até a sua morte. Ele lembra que, em tempos passados, as fábricas promoviam recrutamento ativo nas ruas. No entanto, Darlan não herdou a admiração pelo atual presidente e expressa indiferença à política, embora esteja preocupado com as condições de trabalho dos entregadores, alimentando incertezas sobre as propostas do governo.

Trabalho por Aplicativos em Crescimento

Almeida integra um número crescente de trabalhadores que atuam em plataformas digitais, que aumentou 170% entre 2015 e 2025, segundo estimativas do Banco Central. Eduardo Marini Filho, de 51 anos, outro trabalhador em plataforma, diz que a flexibilidade do trabalho é seu principal atrativo, priorizando isso em vez de benefícios do emprego formal. Ele também comenta que, após experiência em empregos temporários, não deseja voltar ao mercado tradicional.

Apesar de ser eleitor de direita e criticar as condições de trabalho nas plataformas, Marini questiona as propostas de regulamentação governamental, argumentando que isso poderia comprometer a autonomia dos trabalhadores.

Mudanças e Desconfiança Entre os Trabalhadores

A mudança na ocupação desses trabalhadores, conforme observam pesquisadores, reflete um cenário econômico mais amplo. Oswaldo Amaral, do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade de Campinas, aponta que a recessão de 2015-2016 impulsionou muitos trabalhadores para o emprego informal e, posteriormente, para as plataformas digitais. Essa nova realidade sugere que esses profissionais se veem como autônomos e não necessitam da intervenção governamental.

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2023, encomendado pela Uber e Ifood, identificou que 40% dos motoristas se consideram da direita; 40% se veem no centro e apenas 20% se classificam como de esquerda. Isso ressalta a complexidade da identificação política desse novo grupo de trabalhadores.

Desafios na Regulamentação do Setor

Em 2024, o governo de Lula tentou regular o trabalho por aplicativos, mas os esforços encontraram resistência das grandes empresas de tecnologia e desconfiança crescente dos trabalhadores. Neste ano, novas tentativas de avanço na regulamentação foram feitas, mas ainda sem acordo com o Congresso.

Para um partido que se originou para representar os trabalhadores, a adaptação a esse novo contexto tem se mostrado complicada. “O PT surgiu de um movimento sindical intimamente ligado ao emprego formal e à relação empregador-empregado. Os trabalhadores de aplicativos, no entanto, não se encaixam nesse quadro”, observa Marco Teixeira, professor de ciências políticas da Fundação Getúlio Vargas. Segundo ele, o foco atual deve ser compreender essa nova configuração do capitalismo.

Busca por Direitos e Representação

Uma pesquisa encomendada pelo PT e realizada pelo Vox Populi em junho do ano passado destacou as contradições presentes nesse grupo. A pesquisa revelou que 65% dos entrevistados desejam se tornar empreendedores, enquanto apenas 27,5% prefeririam um emprego formal. Contudo, uma maioria de 56% afirmou que a obtenção de direitos trabalhistas é vista como “muito importante”.

As principais demandas para a melhoria das condições de trabalho incluem o adicional de periculosidade, adicionais por doenças e acidentes, bem como um piso salarial mínimo.

Necessidade de Organização

Após sete anos como motorista da Uber, Rogério do Santo, de 43 anos, está buscando novamente um emprego sob regime formal. Sua insatisfação se deve às tarifas trabalhadas, que reduziram seus ganhos, além da falta de uma representação organizada que fortaleça a luta por melhores condições de trabalho.

Suas queixas refletem uma possível via para que o PT reconquista indivíduos como ele. Muitos trabalhadores informais rejeitam rótulos associativos, mas ainda assim anseiam por maior proteção. A taxa de sindicalização no Brasil caiu para 8,9% em 2024, uma redução significativa em comparação aos 15,7% registrados em 2014.

Desafios para o Movimento Sindical

O presidente do PT, Edinho Silva, reconhece que tanto os sindicatos quanto as organizações políticas permanecem desconectados dos trabalhadores de plataformas, pois ainda operam com a lógica de emprego formal. “O movimento sindical e as organizações de esquerda não estão conseguindo abordar as condições de trabalho desses trabalhadores. Não estão dialogando com eles, não estão organizando-os e não estão presentes em seu dia a dia”, afirma.

A questão da representação continua a ser uma consideração central na estratégia política do PT, que se esforça para restabelecer laços com uma classe trabalhadora cada vez mais marcada pela economia digital. O partido busca implementar um sistema de proteção para esses trabalhadores, visando regulamentar as atividades empresariais e definir normas que abranjam relações de trabalho, remuneração, condições laborais, bem como direitos trabalhistas e previdenciários, além de promover a transparência algorítmica.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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