Desempenho do Ibovespa Segundo a Capital Economics
A consultoria britânica Capital Economics avalia que o Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa de valores brasileira, deve apresentar um desempenho inferior em comparação aos outros mercados emergentes neste ano. Essa previsão é atribuída aos riscos políticos e à composição do mercado brasileiro, fatores que devem influenciar negativamente os resultados.
Volatilidade no Mercado Brasileiro
Conforme o relatório emitido pela consultoria, assinado pelos economistas Kimberley Sperrfechter e Liam Peach, os próximos dois meses tendem a ser marcados por uma volatilidade aumentada nos mercados financeiros do Brasil. Essa instabilidade acontece à medida que os investidores reavaliam suas exposições em função das eleições presidenciais programadas para 4 de outubro.
Na semana mais recente, o mercado financeiro brasileiro registrou seu pior desempenho desde o início de 2023, com o Ibovespa retrocedendo 3,27%, retornando aos níveis observados em janeiro. Esse movimento, que se intensificou a partir de terça-feira (11), não possui um fator determinante claro, segundo a análise da Capital Economics.
Fatores Contribuintes para o Desempenho
Diversos analistas apontam que um possível rebaixamento das ações brasileiras pelo banco JP Morgan pode ter contribuído para essa queda. Além disso, outros fatores, como as preocupações pré-eleitorais, também podem ter exercido influência, especialmente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliando sua vantagem sobre o principal concorrente, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas de intenção de voto.
A consultoria também destaca que a recuperação das ações globais de tecnologia deve ter contribuído para a desvalorização dos ativos brasileiros. Isso ocorre em um momento em que os investidores redirecionam seus recursos em favor do setor de inteligência artificial.
Fatores Positivos para o Brasil
A Capital Economics indica como um fator positivo para os ativos brasileiros a possibilidade de mais cortes na taxa de juros pelo Banco Central (BC) do que está atualmente embutido nas expectativas do mercado, contanto que o processo de desinflação continue.
Dados Econômicos e Perspectivas
A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu em agosto e resultou na redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, reiterou que as decisões futuras sobre a taxa dependerão dos dados econômicos disponíveis. Com os dados recentes sobre atividade e inflação divulgados pelo Brasil, os argumentos a favor de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros para setembro ganharam força.
A inflação, por exemplo, caiu pelo segundo mês consecutivo em julho, atingindo 4,4% em 12 meses. Além disso, as pressões subjacentes sobre os preços parecem estar diminuindo. A estimativa para a inflação subjacente de serviços, conforme mencionado pela consultoria, diminuiu no mês passado para o menor nível em dois anos.
Desaceleração da Atividade Econômica
Entretanto, a Capital Economics alerta que também existem sinais crescentes indicando uma desaceleração da atividade econômica no Brasil. Os últimos dados sugerem que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deve apresentar um crescimento de apenas 0,4% a 0,5% na comparação trimestral, após uma expansão de 1,1% nos primeiros três meses de 2023.
A expectativa da consultoria é que ocorra uma desaceleração adicional do crescimento da atividade econômica no terceiro trimestre deste ano.
Fonte: www.moneytimes.com.br
