Desempenho da Oncoclínicas no Segundo Trimestre de 2026
A Oncoclínicas (código: ONCO3), que enfrenta um período desafiador na Bolsa, reportou uma deterioração significativa em seus resultados financeiros no segundo trimestre de 2026. A empresa registrou um prejuízo de R$ 475,7 milhões, o que representa um aumento de 234% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o prejuízo foi de R$ 142 milhões. Essa informação foi divulgada em um documento enviado ao mercado na última sexta-feira, dia 14 de outubro.
Resultados Financeiros e Recuperação Extrajudicial
A Oncoclínicas também contabilizou um prejuízo de R$ 275 milhões ao considerar resultados com itens não recorrentes, em comparação aos R$ 62 milhões anotados no ano anterior. Em agosto, a Justiça autorizou a companhia a prosseguir com sua recuperação extrajudicial.
A empresa está atualmente buscando um reperfilamento das dívidas financeiras quirografárias, que totalizam aproximadamente R$ 5,1 bilhões, além de créditos intercompany.
Indicadores Operacionais Positivos e Desafios de Receita
Apesar dos números negativos, a companhia obteve um Ebitda ajustado positivo de R$ 34,2 milhões para o trimestre, uma alta de 170% em relação ao primeiro trimestre de 2026, com margem de 3,3%. No entanto, esse valor representa uma queda de 85,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A Oncoclínicas atribui essa melhora ao processo de desalavancagem operacional durante o período, que foi resultante da diminuição do volume de atendimentos, levando a uma receita reduzida, enquanto as despesas fixas permaneceram elevadas.
A receita líquida da empresa alcançou R$ 1,0477 bilhão, uma redução de 28,5%, devido a uma dinâmica vinculada ao volume de provisões de PCLD durante o trimestre. Em relação ao número de procedimentos realizados, houve uma diminuição, que atingiu aproximadamente 114 mil no segundo trimestre, mostrando uma queda em relação a períodos anteriores.
Ajustes no Ticket Médio e Aumento nas Despesas Operacionais
O ticket médio cobrado dos pacientes aumentou em 9,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, em decorrência do repasse da inflação. Por outro lado, as despesas operacionais cresceram 30%, totalizando R$ 513 milhões.
Ajustes Contábeis da Oncoclínicas
A empresa também comunicou que reconheceu ajustes contábeis que impactaram significativamente os resultados. Esses ajustes incluem um impacto não recorrente relacionado a anos anteriores, que resultou em um efeito de aproximadamente R$ 72 milhões no trimestre.
As despesas operacionais foram impactadas pelo reconhecimento dos seguintes itens:
- R$ 30,5 milhões referentes ao provisionamento de risco de perda de crédito relacionado à Unimed Leste Fluminense.
- R$ 78 milhões de impairment do BTS de Goiânia.
- R$ 76 milhões correspondentes a uma multa pela rescisão do contrato de locação do imóvel do Centro Paulista de Oncologia, localizado na Avenida Angélica, em São Paulo.
Como a Oncoclínicas Chegou a Esse Ponto?
A atual situação da Oncoclínicas é resultado de uma série de eventos, sendo o mais relevante a tentativa de expansão da companhia após a sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em 2021. Isso é especialmente significativo, pois a empresa iniciou suas operações focada em tratamentos oncológicos como o núcleo de seu negócio.
Entretanto, a Oncoclínicas decidiu expandir seu escopo, incluindo clínicas que realizam diagnósticos e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, além de se aventurar em áreas mais complexas do tratamento oncológico. Para viabilizar essa continuidade de expansão, a estratégia da empresa priorizou a aquisição de hospitais.
Contudo, esse caminho não trouxe os resultados esperados, visto que a Oncoclínicas enfrentou dificuldades para gerenciar com eficácia outras áreas hospitalares além da sua especialidade oncológica.
Fonte: www.moneytimes.com.br
