(Imagem: Wikimedia Commons/iStock/e-crow – Montagem: Giovanna Figueredo)
Em 1982, Ray Dalio fez uma previsão significativa sobre a economia global, alertando que estava à beira de uma depressão. Este erro quase o levou à falência, exatamente no início de um dos maiores ciclos de alta da história do mercado financeiro. Entretanto, essa experiência desafiadora resultou no desenvolvimento de um método elaborado para resistir às incertezas do mercado.
Natural de Nova Iorque, o investidor já foi referido como o “Steve Jobs dos Investimentos”. Ele é o fundador e líder da Bridgewater Associates, uma gestora que administra mais de 150 bilhões de dólares em ativos de clientes institucionais ao redor do mundo, incluindo fundos de pensão, governos e bancos centrais.
A dificuldade que enfrentou durante sua quase falência foi interpretada por ele como “muito dolorosa, mas transformadora”, pois o evento o compelido a desenvolver um sistema de investimentos que pudesse se manter resiliente em diversas condições econômicas, mesmo quando a confiança excessiva indicava caminhos errados.
A seguir, apresentamos a abordagem que Dalio definiu como o “Santo Graal” dos investimentos e como ela pode ser utilizada por investidores que desejam uma carteira diversificada, capaz de mitigar riscos sem abrir mão de retornos significativos.
O que é o ‘Santo Graal’ de Ray Dalio
O ditado popular “nunca colocar todos os ovos na mesma cesta” é bem conhecido. Contudo, para Ray Dalio, essa abordagem é insuficiente. Ele argumenta que não é suficiente apenas separar os ovos se todas as cestas estão situadas no mesmo galinheiro, pois isso ainda representa um risco significativo.
No contexto dos investimentos, essa ideia se concretiza por meio da análise da correlação entre os ativos. A correlação refere-se ao grau em que os ativos se movem em harmonia. Por exemplo, duas ações dentro do mesmo setor podem valorizar e desvalorizar ao mesmo tempo devido à vulnerabilidade às mesmas variáveis econômicas.
Por outro lado, ativos com baixa correlação respondem a forças econômicas distintas. Um exemplo disso é a relação entre ações de tecnologia e o ouro. O ouro, um ativo físico e escasso, tende a valorizar-se em épocas de incerteza, enquanto os ativos de tecnologia geralmente estão atrelados ao crescimento econômico e ao apetite por risco.
O foco na descorrelação busca proteger o investidor. Quando um ativo enfrenta dificuldades, outro pode compensar as perdas, ajudando a equilibrar a carteira geral do investidor.
Esse método fundamenta-se em uma inteligência matemática que demonstra que, ao unir entre 10 e 15 fontes de retorno com correlação praticamente nula, é possível reduzir a volatilidade da carteira em até 80%.
Como resultado, as oscilações severas se cancelam, permitindo que o investidor busque uma relação mais eficiente entre risco e retorno, com trajetórias menos acidentadas e, portanto, mais consistentes.
A engenharia de portfólio para ‘todos os climas’
A proposta de Dalio é composta por construir uma coleção de investimentos meticulosamente elaborada para resistir a diversas turbulências de mercado, ao invés de basear-se em uma única previsão de futuro.
De acordo com Dalio, a economia pode ser compreendida em quatro “estações” distintas:
- Períodos de alta inflação, durante os quais os preços sobem e o poder de compra diminui;
- Períodos de deflação, quando os preços de bens e serviços não aumentam tão rapidamente quanto esperado ou, em alguns casos, diminuem;
- Períodos de alto crescimento econômico;
- Períodos de baixo crescimento econômico;
A versão para o investidor comum
- 30% em ações, com o objetivo de capturar o crescimento a longo prazo;
- 40% em títulos de longo prazo, visando proteger a carteira em períodos de deflação ou recessões;
- 15% em títulos de médio prazo, para garantir estabilidade e liquidez;
- 7,5% em ouro, servindo como proteção contra a inflação e atuando como reserva de valor;
- 7,5% em commodities, que contribuem para a proteção do portfólio em períodos de alta inflação;
Com essa combinação estratégica, o investidor visa resistir às pressões de mercado, independentemente do cenário econômico que se apresente.
O modelo de investimento de Ray Dalio é, em essência, uma abordagem pautada pela humildade, elaborada após refletir sobre seus próprios erros relacionados à sua quase falência. Em vez de tentar prever a direção da inflação ou dos juros em um curto período, Dalio sugere que o investidor deve construir uma carteira que esteja preparada para diferentes cenários futuros possíveis.
Fonte: www.moneytimes.com.br
