Queda nos preços do petróleo
Os preços do petróleo caíram para a mínima em uma semana na terça-feira (25), pois os investidores avaliavam a recente ameaça de sanções dos Estados Unidos contra o Irã como um risco imediato menor para o fornecimento global de petróleo bruto em comparação a uma nova escalada militar.
Às 07h27 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent apresentavam uma queda de US$ 2,77, ou aproximadamente 3%, alcançando o valor de US$ 89,40 o barril. Por outro lado, o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caiu US$ 2,57, ou 3,02%, para US$ 82,42 o barril.
O Brent atingiu seu menor nível desde 19 de agosto, enquanto o WTI caiu para seu ponto mais baixo desde 17 de agosto.
Reações no mercado
Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, indicou que a mudança no conflito entre EUA e Israel com o Irã, transicionando de uma escalada militar para uma pressão econômica mais intensa, reduziu parte da ansiedade nos mercados de petróleo. Ele destacou que o recente anúncio de sanções dos EUA foi menos agressivo do que o mercado temia.
O Irã respondeu prometendo retaliar contra a ampliação das sanções americanas, que, segundo o governo Trump, tem como objetivo cortar o sustento econômico de Teerã. Autoridades iranianas se mostraram confiantes de que os principais parceiros comerciais resistirão à pressão desencadeada por Washington.
Alertas e regulamentações comerciais
Os Estados Unidos alertaram outras nações sobre a necessidade de diminuir os laços comerciais com o Irã, sob pena de enfrentarem sanções secundárias. No entanto, o Departamento do Tesouro americano não impôs penalidades imediatas.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, não especificou quais países poderiam ser alvo dessas sanções nem o momento em que elas entrariam em vigor, deixando claro que os governos teriam tempo para se adequar à nova diretiva de Washington.
Pressão econômica e temores de fornecimento
Na segunda-feira, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, afirmou que Washington não descarta uma ação militar contra o Irã. No entanto, essa ênfase em medidas econômicas diminuiu algumas preocupações de que o conflito poderia resultar em interrupções adicionais no fornecimento de petróleo proveniente do Oriente Médio.
Essa mudança na abordagem contribuiu para eliminar parte do prêmio de risco geopolítico que anteriormente sustentava os preços do petróleo bruto durante períodos de maior tensão militar.
Ainda há riscos no Estreito de Ormuz
Embora a pressão econômica tenha reduzido ansiedades, a possibilidade de perturbações físicas persiste, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz, que é considerado estratégico.
“O Irã ainda mantém a capacidade de responder interrompendo o transporte marítimo, o que continua a criar um prêmio residual nos preços do petróleo”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM.
Segurança marítima e impacto no fornecimento
As preocupações em relação à segurança marítima continuaram elevadas na terça-feira, após um petroleiro ser atingido por um projétil não identificado, resultando em sua inatividade a cerca de nove milhas náuticas, ou 16,7 quilômetros, a nordeste de Ash Shishah, em Omã, segundo informações das Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
A atividade de navegação pelo Estreito de Ormuz segue severamente comprometida. Dados indicaram que apenas dois petroleiros fizeram a travessia pela via navegável de importância estratégica na segunda-feira, o que representa o menor número diário de embarcações desde o início de maio. Ambas as embarcações estavam direcionando-se ao Golfo.
O conflito atual reitera a relevância do Estreito de Ormuz, que historicamente é responsável por aproximadamente um quinto do consumo global de petróleo antes do início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
A diminuição do tráfego na hidrovia tem elevado as preocupações sobre a disponibilidade de petróleo bruto e outros suprimentos energéticos, levando algumas nações a recorrer a suas reservas comerciais e estratégicas de petróleo.
Incidente na refinaria russa
A situação de abastecimento também foi impactada por eventos recentes na Rússia, onde a refinaria de petróleo de Novoshakhtinsk, localizada na região sul de Rostov, sofreu danos causados por um drone ucraniano durante a noite.
O governador regional confirmou que as operações na refinaria foram suspensas em decorrência do ataque.
Apesar de esses riscos de oferta física continuarem a oferecer algum suporte aos preços do petróleo bruto, a queda registrada na terça-feira indica que os investidores atualmente enxergam a dependência crescente de Washington em relação à pressão econômica contra o Irã como menos prejudicial do que uma possível escalada militar.
Fonte: br.advfn.com
